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Manifesto curturá caipira

Vô fazê um apelo a todas otoridade e aos intindido, os intelectuá pru ansim dizê e a todo povo de manera gerá, mas que inda num sabe qué ês mermo que faz as lei.


Inhante de tudo, vô alembrá que nunca dexe de votá, mas que fique de ôio nês, pru mode iscoiê os bão. Dito isso, pra iscrarecê os inguinorante, principarmente aquês que inguinora a crasse mais póbi desse Brasi é queu vô agora mostrá os mode pensá.


Pra prinspiá a prosa, quiria dexá bem craro sobre quem é o Brasi. O Brasi somo nóis tudo, gente de cáine e osso, que véve luitano pra tentá cumê o que aqui tem de sobra.Num pudia dexá de falá tomém que os brasilero é tudo bãozim, mas tem uns poco com abuzança dos dimais.


Afinale esse país é uma bitela duma roça! Só tem caipira! E quem pensa que num é, tá pricisado dum ispêio. Tem uns mais agraduado que fala um punhado de linguage, mas só num fala a língua do povo. O pió é quês é tudo caipira tomém. Só finge de égua!


O que nóis num pode é abri as poitera prus vaquero mais rúin do nóite do praneta. Nóis véve sem ês. Is tudo é mania de grã-finage. O pió é quês é tudo caipira tomém.Na hora quessa caipirada gringa botá a cabeça cheia de méida aqui, nóis põe toicim e ispreme inté os béine dês pulá fora. Se num saí, nóis istruma os cachorro nês, quês aprende. Os bão nóis recebe de braço abéito. Aqui nóis num óia buniteza, cô, nem credo e nem nação. As poitera fica abéita pr’esse mundão véio que é chamado Terra e que na vredade é uma rocinha de Deus no mei desse univéisso afora.


Dispois nóis pricisa invivecê nossa língua vredadera. Cê qué vê, só pra amostrage eu garântio que aqui, nessa roça grande desse Brasi, só tem caipira. Óia só! Nos nóite e noideste véio afora tá chei de bichim, paim, mãinha e caba qu’ês tudo é caipira arretado que nem nóis. Lá pru tale de Cuiabá, com aquele tan de pexe, o povo come é pêti. E com matite. É tudo caipira! No Sum Palo as póita e as linguage dês é tudo tóita. No sule, o mate quente dá dô nos dente. Fora os minino de lá que fica que nem pintim. É piá pra cá, piá pra lá. Só pode sê tudo capiá! Lá na puntinha, que cocê vê? Bá! Tchê! E a gurizada? No Ri de Janero num é deferente. Ele num vai, só tu vai. E fica tudo cum bala na boca chupano as letra. Ê caipirada, sô!


Só pra rigistro, tem tomém uma penca de nome prum sintido só. Repara aí: minino, criança, garoto, muleque, guri, baxim, bacuri, piá, pivete, pimpoio, catatá, pirraio, fiote, piquitim, piqueno, menó, miudim, nanico, mirrado, ispirro, herdero, primogêni, rapinha e o caçulinha da mamãe. Fora os zotro queu num alembro. Intonce, pra cabá a cunversa, tô dizeno e ripito. Essa língua é múntio curta. Afinale é a língua do povo! Inté os verbo fica mais fáci. Pru inzempro: eu vô e o resto tudo vai. Tu vai, ele vai, nóis vai, vós vai e ês vai. Às veiz nóis vamo. Num é múntio mais mió?


Intonce num vamo ficá nos subjuntivo das cunversa nem nos imperativo das farsidade. De modo que vamo passá logo prus indicativo da vredade. É instituí de veiz a “Língua Nacioná Caipira”. Pra mei intendedô meia palava basta! Num é priciso cortá o “t”, nem pingá o “i”! É só buli a consciença. Inté!

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