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O Barbeiro Capado

Seu Esmerindo, um barbeiro meio sistemático, italiano bão, mas bão de copo, heim. Sua barbearia tinha uma buzina, qualquer novidade ou piada tocava a buzina.


Esmerindo fumava e esfumaçava que nem um gambá véio; a cada vinte minutos mais ou menos ele cuspia, cuspia não; dava uma descatarrada dum tamanho que se acertasse uma criança ele derrubava, de tão forte e pesado que era o cuspi.


Tinha um cliente administrador da fazenda Cafezal, que vinha sempre na hora de seu Esmerindo tomá um golinho; toda semana a mesma lengalenga.


Ele pensou, vou ajeitar esse peão.


Seu Esmerindo começou uma conversa ao pé do ouvido com seu cliente, disse:
- To meio tristonho, angustiado.
- Já num to dando conta do recado.
- Até na benzedeira, já fui.
- Esse trem não há meio de subir.
- Não serve pra nada.
- Calma seu Esmerindo, a idade chega é assim mesmo.
- Tudo não é eterno.


O cliente tentou mudar o rumo daquela prosa, para animar um pouco mais o barbeiro, e não deixar o homem fazer nada errado com sua barba.


Seu Esmerindo pediu licença, pra ir ao banheiro, pra desaguá. Nesse intervalo foi até ao açougue do Rodrigo e pegou um mamilo de vaca e o prendeu no zíper de sua calça deixando-o à mostra. E começou a barbear o cliente.


O cliente sentindo incomodado com aquilo foi logo dizendo:
- Ô seu Esmerindo, o senhor não esqueceu de nada?
- Não que eu saiba.
- Acho que não esqueci.
- Esqueceu sim, esse trem pra fora, uai?
- Ah é mesmo, esqueci.
- Já que não serve pra nada mesmo....
- Vou cortar.


Pegou a navalha e passou no mamilo e cortou o bicho pra fora.


O cliente saiu que nem um boi brabo. Nunca mais apareceu.

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