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O Advogado "Cachorrinho"

Cachorrinho é um advogado, aqueles bão mesmo de porta de cadeia. Aprecia regalia, dia de calor só uisquizinho com duas pedras de gelo pra fazer aquele barulho que nem "güizo de cobra corar", dia de frio um rabo de galo.


Sentava no boteco bebendo e acompanhava as noticias só pelos jornais. Gole e mais gole em todos os botecos da cidade, é o Doutor advogado mais conhecido que um real.


O apelido deu-se porque quando ele toma umas e outras ele chama todo mundo assim:
- vem cá cachorrinho.
- viu cachorrinho
- ô, ô cachorrinho.


Uma pessoa honesta e bondosa, mas quando agarra na pinga, fala alto, chora e dá risada ao mesmo tempo. Quando ele pega um para conversar ninguém aguenta.


Em todo lugar que chega, dá um berro:
- Chegou um magistrado nessa espelunca.
- Me trate com respeito, senão mando prender. O escritório? É o bar é claro.


Meio distraído que estava nem percebeu um sujeito dizer:
- ô moço? Moço?
- Moço não, doutor.
- o doutor pode me ajudar.
- depende?
- Depende de quê, por exemplo?
- Só preciso de um rabo de galo, coisinha pouca.
- Tudo bem, que horas posso voltar?
- Depois das quatro horas da tarde.
- O senhor está louco, mais agora são dez horas?
- É que eu vou começar tomar a saideira A, até chegar no Z é só de tarde.
- Servido?


O sujeito voltou a tarde e começou a contar sua história, olha doutor eu sou boiadeiro, transporto animal pra esse Brasil inteiro. Quando passei aqui em Alfenas parei na pensão da dona Luci como de costume. Só que ainda não havia recebido pelos meus serviços, eu disse a ela que quando voltasse pagaria a conta que foram dezoito marmitas com três ovos cozidos por marmita. E o juiz me sentenciou a pagar não sei quantos mil reais, pois contabilizou quantos frangos nasceriam, quantas galinhas e quantos ovos botariam neste ano. Então doutor preciso que me ajude porque a audiência é amanhã. O juiz disse que a tolerância é de cinco minutos.


Tudo bem boiadeiro amanhã estarei lá no horário combinado fique tranqüilo.


O boiadeiro acordou cedo pra não se atrasar, tomou café e foi direto para o fórum. O horário da audiência eram nove horas com tolerância de cinco minutos. Deu nove horas e nada do Advogado Cachorrinho chegar.


O boiadeiro pensava estou lascado, mas nessa cidadezinha de Alfenas só tinha dois advogado um estava defendendo dona Luci e o outro era o Cachorrinho.


Quando o juiz pegou o martelinho pra bater e sentenciar o boiadeiro a pagar tudo, o sorriso de dona Luci e de seu Advogado era visível.


Antes de o juiz bater o martelo, se adentra o cachorrinho todo suado.


O juiz começou a lhe dar uma lição de moral enorme e perguntou:
- onde estava o senhor?
- Estava cozinhando feijão pra comer.
- mas não dá pra comer feijão de uma hora pra outra assim.
- Foi o que pensei excelência, como nasceriam esses frangos e galinhas já que ovos estavam todos cozidos, não é mesmo.

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