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A Toalha

Em 1972, quando foi feita a última reforma na Igrejinha Imaculada Conceição, D. Lourdes, Sr. José Galdino, a Noêmia e eu fizemos doze dúzias de cravos para enfeitar o altar de Nossa Senhora. Foi realizada uma linda coroação, mas, infelizmente, nenhuma foto foi tirada.


Papai mandou fazer uma mesa para que fosse celebrada a primeira missa. D. Lourdes e eu colocamos todas as toalhas nos altares laterais. Quando chegamos, a mesa estava vazia. E agora? Nenhuma toalha dava certo.


D. Lourdes ficou pensativa, e, de imediato, tirou a medida da mesa para que fosse providenciada uma nova toalha e me disse:
-Vou dar a toalha para esta mesa, não preocupe!


Apesar de saber e conhecer a disponibilidade e habilidade de D. Lourdes, achava que não dava tempo de ser feita alguma coisa, pois naquela época não havia material algum para comprar em Bambuí. Mas confiei em suas palavras. Fechamos a igrejinha e ela foi cantando baixinho como era de seu costume.


À tarde, quando eu voltava novamente para os últimos preparativos de celebração da Santa Missa, dei uma olhada para a casa de D. Lourdes e disse baixinho:
- Será que ela ainda está bordando a toalha?


D. Lourdes bordava muito bem e fazia lindos bordados em richelieu à maquina. Era uma excelente bordadeira!


Qual nada! Ela e o Sr. Zezé vinham de braços dados e com a toalha carinhosamente dobrada. Qual foi meu espanto ao receber a toalha que tenho até hoje bordada à máquina! Lindíssima!


- D. Lourdes, a senhora bordou isso hoje? - perguntei muito admirada.


Então, ela me respondeu:
- É o lençol do meu casamento que foi transformado em toalha.


Não contive as lágrimas! Que coração de ouro! Doando o que ela tanto estimava para cobrir a mesa para a celebração.
A toalha foi usada muitas vezes, pois só ela servia na mesa, devido ao seu tamanho.


No dia do falecimento de D. Lourdes, às seis da tarde, eu preparava a mesa enfeitada com sua toalha, quando Eros, seu filho, chegou e me disse:
- Pede o padre para rezar para a mamãe, ela acaba de entregar sua alma a Deus.


Aproximei-me do Padre Eri Carneiro, que trabalhava em Bambuí naquela época, e contei toda a história da toalha para ele. O padre celebrou a missa pelo descanso de sua alma e, na homília, contou toda a história da toalha que forrava a mesa naquele momento, fazendo rolar lágrimas de todos que assistiam aquela missa que, para mim, é inesquecível.


Quisera que pessoas generosas como D. Lourdes
se dispusessem a nos ajudar
para uma linda coroação realizar,
e voltar com Nossa Senhora para seu trono de honra
e, com cravos, enfeitar!

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