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A captura do velho peixe

Tia Almira tinha muitos sobrinhos, dentre eles havia um, o Edemir, que adorava acompanhá-la nas pescarias. Certa ocasião ele preparou as suas tralhas e lá se foi de camisa e samburá, rumo ao rio do Ouro Fino. Chegando, arrumou o seu cantinho e ficou tranqüilamente armazenando os seus lambaris.


A noite passou, a madrugada chegou e os pássaros já começavam a sua orgia matutina. Uma leve brisa soprava ali por perto, agitando vagarosamente a copa das árvores.


O rio corria soberbo com suas águas turvas levando de vez em quando um galho ou algumas folhas secas.


Esquecido do mundo, o jovem foi despertado pelos gritos insistentes de sua tia. Esta, chamava o seu esposo que também pescava um pouco mais acima.


Todos saíram de onde estavam e desceram a galope ao encontro de tia Almira. De longe avistaram-na correndo pela relva que margeava o rio, puxando a vara de anzol que já estava toda envergada.


Ela gritava... gritava, mas não soltava a vara. Qual não foi a surpresa, ao chegarem perto. Enquanto Edemir ajudava a tia, que já não agüentava mais, o tio Casimiro foi verificar cautelosamente o que estava preso no anzol e pesava tanto.


De repente, ele gritou: - Pode soltar, pode soltar! Voltaram até ele e ficaram atônitos. Era um enorme, gordo e experiente piau que foi traído talvez pela velhice. Segundo tio Casimiro, tratava-se do peixe mais velho do rio devido às características apresentadas, ou seja, dentes amarelos e escuros, escamas bem escuras e duras.


Ficaram admirados por algum tempo apreciando o belo pescado, que quase permaneceu no rio por mais algum tempo se não fosse a bravura da tia Almira.


Nos dias atuais, o peixe seria devolvido ao rio para findar os seus dias de vida no seu habitat natural.


Como os tempos mudaram...


No final da tarde de Sábado, com o farnel já no fim, decidiram retornar ao lar. A pesca tinha sido boa e todos estavam satisfeitos com o seu resultado. Em poucos minutos ajuntaram as bugigangas, jogaram na cacunda e puseram o pé na estrada. Como na ida, a volta também estava animada. Enquanto a tia Almira e o esposo planejavam a divisão do produto da pesca, o Edemir já calculava quanto iria faturar com a venda dos lambaris e piaus.

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