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Fernando Lana - Abril 2006

Este mineiro de Barra Longa, engenheiro por formação, sempre dedicou sua vida profissional às atividades econômicas. Hoje, o turismo belo-horizontino é o carro-chefe de seu currículo. À frente da Belotur, Fernando Lana comanda as ações que tornaram a capital das Minas Gerais, referência turística em vários segmentos.


DM - Belo Horizonte vai sediar a 47ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores do Banco Internacional de Desenvolvimento (BID). Os investimentos para a realização do evento foram altos. Quais são os benefícios desta reunião para a elevação do turismo de negócios da capital?
FL -
Este é o maior evento econômico financeiro e itinerante do mundo e é de grande importância não só por gerar renda para a capital, mas também pelo nível das pessoas convidadas para participar. Já estão confirmados, até o momento, 12 representantes de países (presidentes) como Venezuela, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Argentina, Honduras, entre outros. Isso quer dizer que, se Belo Horizonte está apta para sediar um encontro dessa importância, significa que ela está apta para sediar qualquer outro acontecimento. O BID credencia Belo Horizonte a entrar no mercado internacional de destinos de grandes eventos; ele também fez com que o governo de Minas concluísse várias obras que beneficiam de forma ampla o turismo na capital, como o término do Expominas.


DM - Fale um pouco sobre o programa de qualificação da Belotur implantado para a reunião do BID.
FL -
Este programa, na realidade, não foi implantado especialmente para essa reunião. Na verdade, nós consideramos que o investimento em qualificação é muito importante para o desenvolvimento do turismo. Para atender ao BID, em termos emergenciais, partimos do seguinte: o primeiro contato que uma pessoa tem ao chegar em um local é com o taxista; o segundo é com a recepção do hotel, e o terceiro é no restaurante, com o garçom. Pegamos essas três áreas e trabalhamos especialmente com elas. Hoje, esse treinamento foi estendido para: a Guarda Municipal, para o pessoal que vai trabalhar na recepção da reunião do BID (estudantes de Turismo, Comércio Exterior e Relações Internacionais) e para o pessoal da área de alimentação da Feira de Artesanato da Afonso Pena. A intenção é estender mais ainda este programa, permanente, para o pessoal da BHtrans, da Polícia Militar; estamos também acertando um convênio com a Infraero, com o objetivo de treinar todas as pessoas do aeroporto de Confins.


DM - Como é feita a seleção do Programa Belotur Permanente de Capacitação de Profissionais do Turismo (Capacitur)? Em que momento a Belotur percebeu a escassez de profissionais capacitados para atuar nesse mercado?

FL -
Inicialmente, apresentamos para os hotéis o que pretendíamos fazer com os recepcionistas, e os hotéis, por sua vez, selecionavam quem iria participar deste programa. O resultado foi muito bom em razão de as pessoas que participavam da iniciativa, ao voltarem para seu local de trabalho, comentavam sobre o que tinham aprendido, o que despertou o interesse de outras. Chegou a um ponto que a demanda para participar era tão alta que os gerentes de alguns hotéis começaram a fazer escala de revezamento. Para se ter uma idéia da extensão do programa, foi oferecida aos hotéis 250 vagas para recepção, mas atualmente estamos treinando cerca de 400 pessoas. Para garçons, oferecemos 120 vagas, e são quase 400 em treinamento. Esta iniciativa surgiu como estratégia. Há algumas ações importantes que são função do governo, como infra-estrutura, capacitação, promoção, divulgação e roteiro; outras a iniciativa privada faz muito melhor e é ela que tem de fazer. Ou seja, não estou aqui para fazer feira ou evento, e sim para fazer capacitação e infra-estrutura. Ao investir nesses dois itens, cria-se uma base importante para o desenvolvimento do turismo.


DM - A Belotur teve papel fundamental na revitalização do carnaval de BH. Quais foram os desafios para a consolidação dessa iniciativa?
FL -
Passamos a trabalhar com a profissionalização do carnaval em Belo Horizonte. Antigamente a Belotur contribuía financeiramente para essa festa popular, que não tinha muito o intuito profissional, e sim de entretenimento. Então o que fizemos foi acabar com esse negócio de subvenção. Propusemos a produção do CD às escolas, que, por sua vez, fariam a sua comercialização e iriam em busca de patrocínio. Isso aconteceu com a Banda Mole deste ano, que teve total patrocínio; oferecemos apenas a infra-estrutura. A expectativa é de que em 2007 esse patrocínio da Banda Mole cresça e ela volte a fazer grandes atrações, assim como deve acontecer com as escolas de samba. Pretendemos fortalecer o pré-carnaval na capital. Há uma falácia de que o belo-horizontino não gosta de carnaval. Na realidade ele gosta, o que acontece é que muitos saem para passar o carnaval fora, e isso é normal. O que temos de fazer é criar atrativos para que as pessoas venham passar o carnaval aqui e fortalecer essa idéia de uma festa adequada.


DM - Um dos projetos da entidade, este ano, para incentivar o turismo na capital é a implementação do BHTours (Ônibus Turístico). Como está o andamento do projeto e quando será concluído?
FL -
Foi feita a licitação, e 12 empresas tiveram o interesse em participar do projeto, mas ocorreram alguns problemas burocráticos e este está paralisado. Após a reunião do BID, iremos readequá-lo e analisar o motivo pelo qual as empresas não conseguiram a documentação necessária. Precisamos deste tipo de iniciativa para que a população possa freqüentar os atrativos turísticos da cidade. Este é um projeto importante e que vai ser feito.


DM - Há algumas semanas, foi lançada a campanha "Eu Amo BH radicalmente". Este projeto pretende proporcionar à capital nova imagem turística?
FL -
Na realidade, tem-se uma situação interessante: o belo-horizontino gosta de esportes radicais, em especial o público jovem. Acredito que esta campanha possa criar a imagem de que Belo Horizonte é a capital dos esportes radicais. Temos atividades de balonismo, rapel, trilha, entre outros, muito intensas na cidade e ao seu redor. Esta é uma atividade expressiva na capital, e este projeto tem a vantagem de agregar isso, transformar e criar a marca (turismo de aventura) em Belo Horizonte.


DM - Além das veiculações publicitárias, existem outras atividades relacionadas a essa campanha na capital?
FL -
Temos procurado todas as empresas que operam com esportes radicais, criando até um Tour de Operadores de Turismo Receptivo na cidade. Estamos com dois projetos: "Paredão da Serra" e um embrionário "Guia Turístico Móvel". O projeto "Paredão da Serra", na Serra do Curral, será voltado para trilhas e turismo ecológico na região, ao passo que o "Guia Turístico Móvel", sem ainda nome definitivo, será feito dentro dos coletivos da capital, com o objetivo de elevar o conhecimento dos moradores sobre a cidade, para que eles ajudem a preservá-la. O "Guia Turístico Móvel" vai ser feito em termos experimentais e está em fase final de estruturação. A idéia é treinar estudantes de turismo, que vão fazer um circuito cultural, fora do horário de pico, dentro dos coletivos. Eles vão entrar nos ônibus e começar a falar para os passageiros sobre a história e as curiosidades de cada região. O intuito desta iniciativa é que seja criado um sentimento de amor por Belo Horizonte e esse se dissolva e crie raízes.


DM - A gastronomia é um dos principais atrativos turísticos de Belo Horizonte. Quais são as ações da Belotur para apoiar os vários eventos que acontecem durante todo o ano?
FL -
A "Comida de Buteco", iniciativa que começou apoiada pela Belotur, atingiu a maioridade e hoje é totalmente independente. O "Bêlo Sabor" é outro projeto que continua fortemente apoiado por nós. O que a Belotur faz é divulgar estes eventos. A culinária mineira é muito rica, e a população de Belo Horizonte aprecia restaurante. Mesmo quando vamos fazer um feijão tropeiro ou um lombo em casa, temos o cuidado de seguir o padrão na hora da preparação, e não fazemos de qualquer jeito, tudo é feito como se fosse um ritual. Essa tradição é muito baseada em um fenômeno cultural que começou com a conquista de Minas e com o avanço das bandeiras portuguesas na exploração de ouro e pedras preciosas e depois continuou com a mineração e fez com que se formasse essa cultura mineira gastronômica.


DM - Fale sobre a parceria com a Chias Marketing. Qual a finalidade deste novo planejamento de marketing turístico de Belo Horizonte e quais projetos vão ser implementados?
FL -
Este plano já está em andamento, e o pré-diagnóstico vai ser apresentado em reunião no dia 24 de março. A sua finalização está prevista para junho ou julho deste ano. Com este planejamento de marketing, vamos analisar qual o público turístico que interessa para a capital e trabalhar em cima desse objetivo. Foi detectado, por exemplo, que há no exterior um público que se interessa bastante por grutas. O ponto forte desse planejamento é identificar esses possíveis turistas e trabalhar na forma como iremos chegar até eles para trazê-los a Belo Horizonte. Este projeto de turismo em grutas está sendo discutido com o Ministério do Turismo. Estamos trabalhando o turismo e promovendo a capital mineira de forma sistemática e organizada. A campanha "Eu amo BH radicalmente" é uma iniciativa voltada para a promoção interna da capital, ao passo que o planejamento de marketing da Chias vai promover Belo Horizonte externamente.


DM - A Belotur elabora um planejamento de acordo com os recursos preestabelecidos pela Prefeitura ou leva seus projetos para que ela os aprove? Como é essa relação?
FL -
Fazemos o orçamento, o plano de ação, apresentamos à Prefeitura e esse é então levado à Câmara dos Vereadores para aprovação, ou não. A Belotur trabalha de acordo com o que foi planejado pela Prefeitura dentro do orçamento disponibilizado.


DM - Quais são os próximos projetos?
FL -
O "BH Tours", o "Paredão da Serra", o "Posto Móvel da Belotur", para facilitar a promoção turística, dar andamento ao projeto de capacitação e mudar a forma de divulgação nas feiras nacionais e internacionais, levando operadores de turismo para vender e promover Belo Horizonte. Não vai ser apenas uma ação institucional; essa será ampla, e o plano de marketing vai nos ajudar muito nisso.

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