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Raquel Hallak - Janeiro 2007

  • / Crédito: Miguel Aun - Divulgação/Sinal de Fumaça

A Mostra de Cinema de Tiradentes foi "inventada" como pretexto para abrir um espaço pequeno, Centro Cultural Yves Alves, na bucólica Tiradentes. Com um público somado de aproximadamente 270 mil pessoas "o evento construído" completa 10 anos com uma série de programações culturais e uma novidade: o Lounge Digital. A Mostra acontece em diferentes espaços: o Cine Praça, o Cine Tenda, o Cine Teatro, o Tenda Bar Show, o Lounge Digital e uma cafeteria. Juntos esses locais vão abrigar exibições, seminários,discussões entre público e crítica, shows musicais e ainda funcionarão como espaços de convívio. Não perca a oportunidade de descobrir o universo lúdico da sétima arte!


Por Tatiana Pires


Portal Descubraminas - Como esse "evento construído" se solidificou, transformando uma cidade sem cinemas, em uma cidade do cinema no mês de janeiro? Qual a maior dificuldade encontrada para a sua realização?
Raquel Hallak -
A mostra é um reflexo da história do cinema nacional, à medida que o cinema brasileiro foi crescendo em produção e visibilidade, a iniciativa também foi acompanhando esta trajetória. A Mostra de Cinema de Tiradentes representa um grande desafio a cada edição; porque além de atrair cada vez mais pessoas, também está localizada em uma cidade onde não há salas de convenção, cinema e infra-estrutura necessária. Ao contrário de eventos realizados na capital, que apresentam uma infra-estrutura montada, na Mostra, esta estrutura tem que ser construída pela organização a fim de abrigar a programação cultural, dar suporte aos 400 convidados e garantir a segurança do público presente. Além de trabalhar também na logística de alteração do fluxo do trânsito, monitorado por profissionais especializados, para evitar engarrafamentos.


PD - O que diferencia a Mostra de Cinema de Tiradentes das demais mostras de produção audiovisual?
RH -
O grande diferencial da mostra está nos seguintes aspectos: valorização do cinema brasileiro, apresentação de todos os formatos de produção audiovisual, maior painel de produção - gerando intercâmbio entre os Estados - e pelo fato de ser um evento que não tem caráter competitivo. A iniciativa é realizada para falar, pensar e ver cinema. Muitas vezes, quando o evento é competitivo, a pessoa está presente apenas para competir e não para discutir o cinema enquanto patrimônio e obra. O que torna este evento completo é justamente suas várias vertentes. Além de ter um pouco do glamour de Gramado e um pouco das discussões políticas de Brasília, a Mostra apresenta, também, um caráter educativo, profissionalizante e cultural diversificado na bucólica Tiradentes.


PD - A edição desta mostra será marcada pela reflexão em torno dos últimos 10 anos da produção audiovisual brasileira. A tecnologia tem propiciado um avanço no processo de criação cinematográfica, até que ponto esta tecnologia é benéfica para a produção audiovisual?
RH -
Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança e proporciona acesso ao fazer cinematográfico, ela também o banaliza. Quando utilizada como um laboratório de aprendizado, propiciando um acesso ao fazer audiovisual, esta tecnologia é bastante útil, pois pode fomentar uma descoberta da profissão e o despertar de novos talentos. Nem sempre um vídeo é considerado cinema. Há uma diferença entre o que é cinema enquanto obra e o que é um trabalho audiovisual. A tecnologia propicia fazer imagens pelo celular, mas é preciso estar atento e classificar essas imagens enquanto obra que apresenta uma proposta de representatividade da identidade visual.


PD - Uma das novidades deste ano vai ser o Lounge Digital. Como o público poderá interagir junto à imagem através deste espaço?
RH -
O Lounge Digital vai ser um espaço aberto com 6 Tvs de plasma que vão retratar a trajetória da Mostra. Cada Tv vai dar um enfoque diferenciado para cada: homenageados, principais matérias publicadas nos veículos, depoimentos, retrospectivas com dados gerais da Mostra, dentre outros. O lounge é uma ação comemorativa ao evento e tem como objetivo mostrar os caminhos percorridos pela iniciativa, sua história e como o evento se apresenta, hoje, no cenário nacional.


PD - Qual a estimativa de público deste ano e quantas estréias estão programadas?
RH -
Estimamos receber cerca de 35 mil pessoas durante os 9 dias. Toda a programação é gratuita e além das oficinas, haverá 16 pré-estréias nacionais de longa, vídeos e curtas.


PD - Qual a importância das Oficinas de Formação, oferecidas na Mostra, no desenvolvimento da indústria cinematográfica?
RH -
Há uma preocupação de inserção das oficinas na programação da Mostra como uma alternativa de formação de mão-de-obra especializada, principalmente em Minas Gerais. As oficinas são a porta de entrada do Estado para atrair produções audiovisuais. Se não há mão-de-obra, não há interesse por parte das grandes produtoras de cinema na realização de suas obras em Minas. Atualmente uma produção de cinema gera em média 1.200 empregos. Eu consigo convencer um profissional a fazer seu filme no Estado se ele tiver todas as facilidades para que a produção seja bem sucedida e a mão-de-obra é fundamental. As oficinas são uma forma de contribuir para essa indústria em Minas Gerais, atrair essas produções, gerar empregos, aperfeiçoar estes especialistas já existente e através das oficinas infantis, despertar o interesse da nova geração para o cinema brasileiro. Nesta edição 400 pessoas participarão das oficinas.


PD - De 97 até hoje, o que , na sua opinião, merece destaque no que diz respeito às mudanças ocorridas no cenário audiovisual brasileiro?
RH -
A pesquisa realizada para descobrir o que merece esse destaque ilustra bastante o que foi a produção brasileira nos últimos 10 anos. Foram eleitos, pelos críticos convidados, três obras que representaram as três fases do cinema brasileiro: Central do Brasil, de Walter Salles, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e O Invasor, de Beto Brant. Além desses três eu destacaria também a obra do Eduardo Coutinho, uma grande referência de um cineasta que tem uma linguagem própria sobre o documentário.

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