Cultura

Entrevistas

Senac
  • Logo Senac Minas
  •  
  • Hotel Grogotó

Henry Yu - Dezembro 2007

  • Henry Yu - Henry Yu

O fotógrafo Henry Yu destaca Sopa, Biribiri e Itapanhoacanga como localidades mineiras que oferecem ótimas imagens. Henry Yu possui fotos das diversas cidades do estado, parques estaduais, nacionais e patrimônios histórico-culturais que integram um arquivo de 70 mil imagens.


Por Junia Teixeira


Portal Descubraminas - Jornalista e fotógrafo, com passagens por vários veículos. Como aconteceu a escolha da profissão?
Henry Yu -
A surgiu a partir de uma necessidade. Eu estava no último ano de Medicina e um colega me pediu para fazer uma foto do grupo. Eu não sabia como fazer, onde mexer. Pedi ajuda e ele me mostrou. A partir daí surgiu a curiosidade. Li um livro, e outro. Participei de concursos de bairro, de cidades, do estado e nacionais.


Em 1986, fui classificado para a final do prêmio Internacional Ballantines de fotografia, no qual fiquei em segundo lugar, concorrendo com fotos do mundo todo. Um editor da revista Manchete viu minhas fotos, gostou e perguntou se eu gostaria de trabalhar com eles. Liguei para o hospital e disse para arrumarem alguém para ficar no meu plantão, para nunca mais voltar. Depois disso passei a me dedicar somente à fotografia.


PD - Dos lugares de Minas que você fotografou qual deles você mais gostou ou considera mais interessante? Por quê?
HY -
Difícil dizer, pois Minas é um continente. É muito mais que um estado ou um país. Temos muitos lugares maravilhosos e cada lugar tem uma beleza de característica específica. Temos picos altos, como o da Bandeira, lugares profundos, como as cavernas. Reservas de mata Atlântica que mais parecem um pedaço da Amazônia. Lugarejos esquecidos no tempo, como Guinda,Sopa, Biribiri, Itapanhoacanga. Cachoeiras de tamanhos variados. As represas de Três Marias, Furnas, mais parecem um mar. Arte barroca de grandes mestres. Cidades que são patrimônio histórico e cultural. Minas tem beleza em todo canto, o importante é saber garimpar.


PD - Você é considerado como detentor do maior banco de imagens de Minas Gerais. Quantas fotos este arquivo possui?
HY -
São 70.000 cromos. Tenho fotografada toda a arte barroca, todo o trabalho de Aleijadinho, todas as pinturas do mestre Athaíde, todos os Parques Nacionais, todos os Parques Estaduais, toda Fauna e Flora, toda a industria mineira e etc. O cliente liga, quer uma foto, em como tenho um arquivo amplo consigo providenciar, rapidamente, a imagem solicitada.


PD - Em suas viagens fotográficas você já enfrentou alguma dificuldade, algum risco ou uma situação embaraçosa, para realizar uma foto?
HY -
Muitas. Nem sempre o lugar mais bonito é o que tem acesso mais fácil. A dificuldade está na produção de cada foto. Já levei alguns tombos, como numa cachoeira em que caí com o equipamento e tudo.


PD - Hoje, com a tecnologia digital, as pessoas fotografam mais, seja através das câmeras ou dos celulares. Quais as transformações que essa tecnologia trouxe para a fotografia e para sociedade? A fotografia analógica está em desuso?
HY -
A tecnologia digital não veio para substituir a analógica. O equipamento digital ainda é muito caro. Com um terço do valor de uma câmera digital, amadora ou profissional, é possível comprar uma analógica (de filme). Para os profissionais, a qualidade do digital que tem se aproximado do analógico contribui para que eles venham trocando de equipamento. Para a sociedade é mais complicado ainda. Digital requer computador, domínio de informática, o que significa mais gastos. A impressão de uma foto digital é o dobro da analógica. Um filme, você compra em qualquer loja da esquina por um preço baixo. No Brasil, para cada 10 pessoas, existe apenas um computador. Antes das câmeras digitais ganharem o mercado brasileiro, será preciso investir em inclusão digital.


Sempre haverá espaço para os dois. Muitos clientes ainda exigem trabalhos em cromo, que tem mais contraste, mais cor, mais profundidade. Outros, pela necessidade da agilidade, como o fotojornalismo, utilizam o equipamento digital. Estive no Japão, no início do ano. Lá é o país que mais investe em tecnologia. É o lugar da fotografia. O hobbie das pessoas é fotografar. Fui até uma montanha para fazer uma foto e estava na hora do pôr-do-sol. Os telhados das casas com a luz do fim da tarde seriam os motivos da fotografia. Enquanto esperava o momento, do meu lado, várias pessoas se posicionavam com seus tripés e desenrolavam dos panos, com todo cuidado, o equipamento. Não estava sozinho e o que mais me impressionou é que, num país tão dedicado à tecnologia, a maioria das pessoas estava com câmeras analógicas. Nas lojas é possível encontrar cromos de todos os ISO's e formatos.


PD - Mesmo com a alta tecnologia, câmeras com mais de 16 megapixels, formato full-frame (sensor com o mesmo tamanho de um filme), compatibilidade das objetivas analógicas nas câmeras digitais, você ainda utiliza o cromo para fotografar. Por quê? Pretende utilizar equipamento digital? Qual equipamento você utiliza?
HY -
Meu material já foi 100% cromo. Como a tecnologia digital melhorou a qualidade e baixou os preços, fui transformando meu trabalho em 90% filme e 10% digital, 80% filme e 20% digital, 70% filme e 30% digital e hoje está praticamente equilibrado. Em alguns meses chega a ser o contrário: 60%digital e 40% filme. Vai depender do trabalho.


Utilizo Canon e Nikon para os trabalhos em cromo. Hasselblad para médio formato e Canon para trabalhos digitais.


PD - Quais os nomes da fotografia nacional e internacional que você admira? Já trabalhou com algum deles?
HY -
Ansel Adams, Gary Perweiler, Brian Dorsey, Frans Lanting, Stephen Dalton, Dean Collins e etc.Todos os fotógrafos da National Geographic, que tem uma linha de trabalho mais parecida com a minha: fotografia de viagens.


No Brasil, Bob Wolfenson, J.R. Duran, Araquém Alcântara e etc.


PD - O que é, para você, um bom material de divulgação turístico? Os folders, brochuras, cartazes de Minas e suas cidades são bons?
HY -
Um material de divulgação precisa ser visto como um investimento e não como um gasto. A imagem vende a cidade, atrai os turistas. Em Minas ainda há a mentalidade é de que qualquer fotografia uma serve. É preciso mostrar para o cliente, o tempo todo, que uma campanha publicitária num bom veículo de comunicação, na TV ou nos jornais, não valerá a pena se não tiver uma boa foto que faça valer a pena. Não adianta investir em papeis de boa qualidade se, na maioria das vezes, o material está apenas sujo de tinta.


No Nordeste as pessoas parecem ter entendido que o turismo é importante, que precisa ser valorizado e que o investimento na qualidade da imagem atrai turistas e garante mais divisas. O material deles é muito bom. Em Minas ainda é preciso trabalhar para que isso aconteça. Há fotos que parecem ser feitas por pessoas que não têm nenhum preparo profissional. Não só as fotos são ruins, mas os textos são cheio de erros e imprecisões.


Fotografia é um trabalho que precisa de compreensão cultural e artística. Não é apenas uma imagem, mas uma leitura de mundo, do que está dentro de você e do que você consegue transpor para a foto.


PD - O uso de flash é proibido em museus e igrejas. Você acredita que a quantidade de flash disparado pelas câmeras dos turistas é suficiente para estragar as pinturas e o douramento?
HY -
A proibição do uso de flashes não tem nada a ver com danos em pinturas. Fotografei para o patrimônio histórico e artístico de Minas e foi necessário o flash. Flash é uma luz fria e de duração infinitesimal, que não interfere nas pinturas, isso é um mito.


O flash foi proibido por questões comerciais. Alguns museus sobrevivem da venda de souvenirs (bonés, camisetas) e fotos. Eles contratam profissionais para produzirem fotos bonitas e o valor da venda das fotos é revertido para cobrir os custos do museu.


Alguém inventou esta história, que o flash estraga as pinturas, e saiu espalhando por aí. Todo mundo acreditou e ninguém questionou.


Uma outra situação que deu origem a este mito foi o grande número de obras roubadas do interior das igrejas. Algumas pessoas, mal intencionadas, fotografavam as obras e usavam as imagens para conseguir compradores. Porém, o que deve ser feito não é a proibição das fotos, mas investir em segurança. Quando as pessoas fotografam e mostram essas fotos para o seu ciclo de relacionamento, mais turistas serão atraídos para estes locais.


PD - As férias estão chegando e todos querem garantir o registro deste momento especial. Dê dicas aos nossos internautas de como fazer boas fotos. Quais são seus critérios para produzir uma fotografia? O que você leva em consideração?
HY -
Primeiro, se a pessoa não sabe fotografar, deve comprar um livro ou uma revista, estudar um pouquinho e treinar, antes de sair de viagem. Se as fotos não ficarem boas é melhor treinar mais um pouco, do contrário a fotos da viagem terão um resultado duvidoso.


Depois de treinar, é só sair por aí e procurar um lugar que interesse. Se quiser uma imagem de amplidão, vai ter que subir algum pico e passar um pouco de frio. Se quiser uma caverna, Minas têm várias. Cachoeiras, cidades históricas como Tiradentes e Diamantina. Motivos é o que não faltam.


Outro mito da fotografia é que "as melhores fotos devem ser feitas antes das 9 da manhã e depois das 3 da tarde". Não é nada disso. Tem foto que fica boa exatamente ao meio dia. O que vale é estudar o local; ver, durante todo o dia, qual o melhor horário para fotografar e, independente da luz, o mais importante é não deixar de fotografar, mesmo que não seja a condição de luz ideal. O importante é registrar o momento.

 

Enviar link

Outras entrevistas