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Eduardo Moreira - Maio 2008

  • Eduardo Moreira - Guto Muniz/Acervo Grupo Galpão

Criado há 25 anos, o grupo Galpão é uma companhia de teatro e pesquisa com a cara de Minas Gerais. Sediado em Belo Horizonte, o grupo encanta pela criatividade e por sua origem ligada ao teatro popular e de rua. Desde a sua formação, o Galpão se diferencia por realizar trabalhos com diversos diretores. Hoje, é um dos grupos que mais circula pelo país conseguindo levar para o exterior um "pedacinho" da cultura mineira. O portal Descubraminas conversou com o fundador do grupo, Eduardo Moreira.


Por Juliana Linhares


Portal Descubraminas - Em comemoração aos vinte anos de formação, marcado pelos mais diversos encontros e apresentações, o grupo Galpão decidiu registrar sua história em um DVD. De todos os momentos existe algum que ganha destaque nessa trajetória?
Eduardo Moreira -
As estréias de todos os espetáculos sempre são repletas de ansiedade e emoção. Mas algumas apresentações ficam gravadas na historia do grupo, como por exemplo, as peças "Romeu e Julieta" e "Um Molière imaginário". Realizadas na praça do Papa, as apresentações contaram com públicos impressionantes, mais de 4000 espectadores. Outros momentos inesquecíveis são os encontros com pessoas extraordinárias como o Diretor Paulo José, que nos ensinou muito do ofício e principalmente da arte de viver.


PD - O grupo, com sede em Belo Horizonte, viaja por diversos países e por todas as regiões do Brasil. O que da cultura mineira está incorporado no trabalho de vocês?
EM -
O simples fato de vivermos em Minas Gerais já faz com que o grupo tenha uma cara mineira. Existem espetáculos que apresentaram uma marca mais explicitamente mineira, como "Romeu e Julieta" e "A Rua da amargura". Porém o Galpão tem a característica de variar bastante suas estéticas. Eu diria até que essa é uma faceta bem mineira.


PD - Em 1982 o Grupo Galpão fez sua estréia na Praça Sete, em Belo Horizonte com a peça "E a noiva não quer casar". Qual a diferença do grupo de 1982 e do Galpão de 2008?
EM -
Muita coisa. O trabalho se diversificou, ganhamos idade e maturidade. Não tenho dúvidas de dizer que nosso trabalho hoje é muito melhor e com muito mais consistência. Se tivéssemos parado no tempo, teríamos sido esquecidos na mesma hora.


PD - O Galpão sempre buscou suas raízes no teatro popular e de rua. Que outras linhas de pesquisa são exploradas e estudadas pelo grupo?
EM -
O grupo sempre buscou a diversificação. A fonte principal continua sendo o teatro popular e de rua, mas hoje nós dedicamos também a pesquisas em outras áreas. Alguns exemplos são a música, a literatura, artes circenses, o canto lírico, e as diferentes dramaturgias.


Os componentes do grupo têm as mais distintas formações. O que sedimentou o primeiro núcleo do Galpão foi o trabalho de oficinas e montagem do espetáculo "A alma boa de Setsuan", que fizemos com os diretores do Teatro Livre de Munique. Depois disso os vários diretores, coreógrafos, artistas plásticos, iluminadores, cenógrafos, dramaturgos, figurinistas e atores com quem trabalhamos foram ensinando e colaborando com o grupo.


PD - O Galpão é patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural. Quais as maiores dificuldades e enfrentadas pelos grupos independentes?
EM -
O patrocínio é fundamental para que o grupo possa desenvolver suas atividades com segurança e tranqüilidade. O Galpão é hoje provavelmente o grupo que mais viaja pelo Brasil, cumprindo uma extensa agenda de apresentações que percorrem todas as regiões do país, e isso só é possível com um patrocínio como o da Petrobras.


PD - Vocês procuram trabalhar com diferentes diretores. Quais diretores mineiros já colaboraram com trabalhos do Grupo Galpão?
EM -
São muitos e seria realmente temerário citar nomes pelo simples fato de que eu acabaria omitindo pessoas importantes. Fico com o nome de três diretores que atuam em Minas e que foram essenciais para a formação e a história do Galpão: Fernando Linares, Paulinho Polika e Eid Ribeiro.


PD - A Campanha de Popularização do Teatro e da Dança tem sido forte instrumento para a divulgação da arte cênica. A cada ano surgem diversas peças e grupos. Qual o caminho os novos grupos devem seguir? Existe uma estratégia para acertar?
EM -
O caminho deve ser trilhado por cada um. Não existem fórmulas certas. O único conselho plausível é muita paciência, trabalho, trabalho e mais trabalho.


PD - Qual peça ou grupo mineiro você indica para nossos internautas?
EM -
Existem trabalhos interessantes na praça. Para citar alguns, indico as montagens do Eid Ribeiro e os grupos Espanca e Luna Lunera.

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