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Chico Maia - Maio 2010

  • Chico Maia - Divulgação/Jornal Sete Dias

O jornalista Francisco Maia Duarte Barbosa, mais conhecido como “Chico Maia”, também ostenta o diploma de direito e criou seu próprio jornal, além de ter participado da cobertura de seis Copas do Mundo.


“Num belo dia, no centro da cidade, aguardando o ônibus para voltar para casa, deparei-me com a placa do “Jornal do Centro de Minas”, que era o único de Sete Lagoas naquela época, e um dos que o meu pai lia toda semana. Atravessei a rua e fui lá conhecer. Conversa vai, conversa vem, eu estava falando com o dono, e dizendo que um dia eu ainda escreveria naquele jornal. Poucas semanas depois saía a minha primeira coluna “Pílulas Esportivas”, que faz parte do acervo do Museu Municipal da cidade “.


Por: Daniel Souza e Gabriela Sthefânia


Descubraminas: O Senhor nasceu em Sete Lagoas, terra do atleta Franck Caldeira e do Zacarias, ex-integrante do quarteto do programa “Os Trapalhões”. Poderia nos contar como foi sua infância nessa cidade?
Chico Maia: Foi a melhor infância que alguém pode almejar. Até os 11 anos morei na Estação Experimental, hoje EMBRAPA, do Ministério da Agricultura, que fica entre Sete Lagoas e Prudente de Morais, onde meu pai foi almoxarife até se aposentar. Aí nos mudamos para Sete Lagoas, para o bairro Boa Vista, que oferecia a mesma tranquilidade e opções de lazer que uma criança precisa ter.


DM: Aos 11 anos de idade, o senhor escrevia como colunista do Jornal do Centro de Minas. Qual era o teor ou os temas dessas informações? Foi daí que tomou gostou pela profissão de jornalista?
CM: Meu sonho era ser goleiro do Democrata-SL e depois do Atlético, mas via meu pai lendo jornais todos os dias e ficava curioso com aquela prática diária. Comecei a ler também e perguntar sobre tudo que lia a ele. Num belo dia, no centro da cidade, aguardando o ônibus para voltar para casa, deparei-me com a placa do “Jornal do Centro de Minas”, que era o único de Sete Lagoas naquela época, e um dos que o meu pai lia toda semana. Atravessei a rua e fui lá conhecer. Conversa vai, conversa vem, eu estava falando com o dono, e dizendo que um dia eu ainda escreveria naquele jornal. Poucas semanas depois saía a minha primeira coluna “Pílulas Esportivas”, que faz parte do acervo do Museu Municipal da cidade.


DM: No ano de 1991, em parceria com outro jornalista, o senhor criou o jornal Sete Dias e, em 2005 o jornal Turismo de Minas. Poderia falar um pouco sobre a experiência de atuar nesses jornais?
CM: A ideia de empreender surgiu em funções de duas realidades: a profissão de jornalista, que era e é pessimamente remunerada; e naquela época havia dois jornais em Sete Lagoas: um do prefeito e outro contra o prefeito. Eu e o Júlio de Assis, ambos de lá, mas trabalhando em veículos em Belo Horizonte, resolvemos implantar um jornal profissional e sem vinculação a qualquer grupo político. Deu certo e continuamos até hoje nessa luta.


O Turismo de Minas nasceu em função da oportunidade que o mercado oferecia em Belo Horizonte em 2005, e pela empolgação que tenho com o setor do Turismo. Iniciativa minha e do Marden da Mota Couto, que era meu colega na Belotur, onde trabalhei por cinco anos.


DM: O senhor foi o responsável por criar uma das primeiras assessorias e imprensa de um clube de futebol no Brasil. Como foi a concepção da ideia?
CM: Na verdade a ideia foi do Afonso Paulino, eleito de forma surpreende para a presidência do Atlético, em fins de 1988. Ele foi empresário da comunicação, dono do Jornal de Minas e entendia que um clube grande como o ‘Galo’ tinha que ter uma assessoria de imprensa, assim como os governos e as grandes empresas. A ideia era facilitar o trabalho da imprensa, fornecendo informações, agendando entrevistas, tanto em Belo Horizonte quanto fora. E, um fato que só bastante tempo depois a imprensa percebeu: com isso a diretoria controlava as informações que saíam do clube. Em menos de dois anos, quase todos os grandes clubes do país estruturaram assessorias, seguindo o modelo desenvolvido pelo Atlético.


DM: Jornal impresso, rádio, televisão e internet, os seus textos já foram e são discutidos em todos os meios. O senhor tem alguma preferência por algum meio de comunicação?
CM: Minha paixão é o rádio, mas infelizmente é o veículo que oferece os piores salários. Gosto demais de escrever, nos jornais onde atuo e no meu site e blog - www.chicomaia.com.br. Pretendo chegar a uma situação na qual eu possa viver apenas dos meus textos, inclusive publicando livros. A TV dá ao profissional uma superexposição que é legal no início, mas depois se torna difícil de tolerar. Ainda mais quando o assunto é futebol. Todo mundo quer te falar as mesmas coisas de sempre e fazer as mesmas perguntas.


DM: “Procuro analisar futebol da forma mais fria possível, porque a profissão exige, e os anos de estrada nos ensinam a ser cada vez mais críticos e realistas. Sempre há opiniões parecidas e discordantes sobre tudo que escrevo ou falo, e respeito a todas, pois ninguém é dono da verdade. Quando erro não penso duas vezes em me desculpar[...]. (Frase retirada do texto “Tomara que o delegado esteja certo”, publicada no site www.chicomaia.com.br, no dia 04/11/2009). Como jornalista em busca da imparcialidade, ainda mais na área que se dedica, qual seu ponto de vista sobre a atual conjuntura do jornalismo esportivo no país?
CM:
Coincidentemente escrevi no último dia 28 de abril, sobre este assunto no meu blog: “... Outro detalhe importante desse jogo: as transmissões pela TV. Revezei no ESPN e Band. Que show de informações de qualidade, tanto dos locutores quanto dos comentaristas. Falaram da origem e detalhes da vida de cada jogador, treinadores, das cidades e países envolvidos, regulamento, do trio de arbitragem, tática, enfim, tudo aquilo que um telespectador interessado no jogo gostaria de saber. Com destaque para os comentaristas Mauro Beting e Paulo Vinícius Coelho, bons demais da conta. Nossos colegas bem que poderiam seguir este exemplo, tanto nas rádios quanto nas TVs.”


Referia-me à transmissão de Barcelona 1 x 0 Inter de Milão pela Copa dos Campeões da Europa. Os jornalistas esportivos do país pecam, em sua maioria, pela falta de informação. O público quer ser informado, mas a turma quer é comentar e dar opinião, que deveria ficar restrita àqueles especialistas do assunto. Mas locutores e repórteres querem opinar e palpitar. Uns por vaidade, outros por preguiça de ir atrás das informações que realmente interessam.


Quando nos deparamos com profissionais como estes que citei no Barcelona x Inter, sentimos a diferença, na hora. Nem me lembrei que a Globo também transmitiu esse jogo, porque o Galvão Bueno assume todas as funções e comenta o tempo todo.


DM: Como repórter esportivo o senhor participou da cobertura de seis Copas do Mundo – México em 1986, Itália - 1990, Estados Unidos - 1994, França - 1998, Coréia/Japão - 2002 e na Alemanha em 2006. Descreva um pouco sobre essas coberturas, curiosidades, momentos importantes destas experiências.
CM: Cada uma tem histórias sensacionais e eu levaria um tempo enorme para falar aqui, porém, o que mais chama a atenção é a evolução tecnológica e do marketing, de quatro em quatro anos. Em 1986, o computador entrava em cena e causava um enorme espanto com as impressoras matriciais “cuspindo” informações sobre todas as seleções. Em 1990, na Itália, me senti num desenho dos Jetsons, aquela família futurista dos anos 1970, que andava em discos voador e falava em telefones sem fio: vi o primeiro telefone celular, em Turim, sendo usado pelo Jorge Kajuru. Em 1994, a internet dava seus primeiros passos e “ameaçava” tornar o então moderníssimo fax, obsoleto. E as primeiras câmeras fotográficas digitais eram testadas. Em 1998, vivemos um paraíso de novidades tecnológicas, com notebooks, câmeras digitais e internet operando em velocidade e qualidade inimagináveis até então, além do show de turismo receptivo dado pelo Comitê Organizador da França, não só a turistas, mas principalmente aos jornalistas credenciados para a Copa. Em 2002, a Coréia do Sul deixou o Japão para trás em simpatia e facilidades para os visitantes. Desenvolveu sistema de conversação em serviços como táxi, ônibus e comércio, que dava ao estrangeiro até cinco opções de idiomas, para que ele escolhesse um e falasse simultaneamente com um tradutor e com quem o atendia. Em 2006, foi o auge: os alemães pegaram tudo de positivo que os antecessores realizaram, principalmente os franceses, e evitaram as suas falhas, em todos os aspectos. Para atletas, dirigentes, imprensa, torcedores e turistas. Uma Copa impecável e receptividade inesquecível, difícil de se igualar.


DM: Qual a expectativa do senhor para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, acredita que o Brasil será hexa?
CM: Fora das quatro linhas torço muito que os sul-africanos realizem uma grande Copa, mas eles têm deficiências delicadas, como na infraestrutura e principalmente segurança. Estive lá ano passado, na Copa das Confederações e me assustei com o comércio fechando às 17, 18 horas devido ao risco de assaltos. Já dentro de campo, creio que será uma das melhores, e o Brasil sempre está entre os favoritos.


DM: Como o senhor avalia a participação de Belo Horizonte como uma das cidades sede da Copa do Mundo 2014, além de estar no páreo para sediar a abertura do evento?
CM: Será a nossa grande chance de colocar Belo Horizonte no mapa do turismo mundial. Temos potencial de atrativos, localização geográfica e humano para isso. Além do mais, o governo do estado, a prefeitura e entidades como o Senac, estão bem adiantados nos preparativos em relação às demais cidades sedes.


DM: Para o “técnico” Chico Maia qual seria o time titular, constituído apenas por integrantes de times mineiros, que traria o hexa para o Brasil da Copa da África (2010)?
CM: Essa é difícil de responder, não é!? Mas, vamos lá:
Do América Futebol Clube (AFC) entraria na escalação: Danilo e Rodrigo.
Do Clube Atlético Mineiro (CAM): Werley, Fabiano e Tardelli.
Do Cruzeiro Esporte Clube (CEC): Fábio, Jonathan, Leonardo Silva, Fabrício, Thiago Ribeiro e Kleber.

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