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Adélia Prado - Março 2011

  • Escritora Adélia Prado - Divulgação

No aniversário de nove anos do descubraminas.com, entrevistamos a poetisa e prosadora mineira Adélia Prado. Com vários livros publicados, sendo "Bagagem" o primeiro da lista e com a honra de ter sido incentivada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, Adélia conta que ser poetisa é um dom e que não é possível se escrever "do nada", mas a partir da experiência". Confira na íntegra a entrevista.


"A fé é vital para minha vida e sendo para minha vida, necessariamente entra para a obra, porque não se escreve "do nada", mas a partir da experiência. Como diz Guimarães Rosa: 'literatura é vida'. Concordo até os ossos."


Por Jéssica Andrade e Thiago Fernandes


Descubraminas - Você é natural de Divinópolis. Conte-nos como foi a sua infância.
Adélia Prado -
Igual a de toda família ferroviária quanto a recursos materiais que eram apenas suficientes. Mas tive muito amor e proteção de meus pais que me deixaram um legado precioso: a fé na ressurreição, na vida eterna, valores evangélicos que me nutriram e a meus irmãos para toda a vida. Era uma criança extremamente feliz. Não fui poupada de medos, fobias, tristezas. Mas houve sempre uma certeza como uma "radiação de fundo" quanto à proteção divina, um sentimento de pertença a algo maior e mais poderoso que nós, uma ligação com a Fonte da Vida.


DM - Você começou a escrever aos 14 anos, mas lançou seu primeiro livro aos 40. Porque esse longo período até o lançamento do primeiro livro?
AP -
O que escrevi nesta idade foi como um "sarampo", brotoejas juvenis como todo mundo comete. A descoberta de minha vocação veio tarde, sem sofrimento e graças a Deus me livrou de me arrepender de meus primeiros livros.


DM - Para publicar o seu primeiro livro, Bagagem, você recebeu ajuda do escritor Carlos Drummond de Andrade. Como foi esse apoio e o que significou na sua carreira?
AP -
Primeiro não vejo a coisa como carreira. Antes como um dom e uma vocação que Drummond confirmou e foi valiosa sua aprovação para que uma editora fizesse o livro.


DM - De onde vem a inspiração para escrever? Você acredita que esse ofício é um dom ou apenas um exercício?
AP -
Ninguém é escritor porque se exercita. É o contrário, só pode exercitar-se quem possui o dom. Acredito que exercício pode melhorar atletas.


DM - Existe algum(a) autor(a) que serviu de inspiração para a construção da linguagem poética utilizada em suas obras?
AP
- Sim, Drummond é um deles.


DM - "Deus é mais belo que eu. E não é jovem. Isto sim, é consolo." Parâmetro. A fé aparece constantemente em suas poesias. Qual a importância da religião no seu trabalho e na sua vida?
AP -
A fé é vital para minha vida e sendo para minha vida, necessariamente entra para a obra, porque não se escreve "do nada", mas a partir da experiência. Como diz Guimarães Rosa: "literatura é vida". Concordo até os ossos.


DM - Apesar de realizar viagens por causa do seu trabalho você sempre morou em Divinópolis. O que a cidade significa pra você?
AP -
Tenho aqui a maior parte da minha família e do meu marido. Três de nossos filhos moram aqui. Gosto de cidade pequena. O grande mundo está todo aqui a meu alcance.


DM - No seu poema Ensinamento você diz: "A coisa mais fina do mundo é o sentimento". Você acredita que as pessoas sabem valorizar a importância do sentimento com o próximo?
AP -
Muita gente sabe, mas nem todo mundo.


DM - Quais são seus livros de cabeceira, aqueles que você não dispensa em nenhum momento?
AP -
O que não sai da cabeceira são os Evangelhos, a Bíblia, as epístolas de S. Paulo, acompanhados do que estou lendo no momento, que mudam à medida que descubro novos autores.


DM - Atualmente, você está trabalhando em alguma obra? Quais são seus planos para a sequência da sua carreira?
AP -
Não penso em carreira e, portanto, não penso em sequência. Fico esperando a inspiração, que está dando alguns leves sinais.


Papo de Mineiro


DM - Quem é (ou foi) verdadeiramente mineiro.
AP -
Drummond e Guimarães Rosa são imbatíveis.


DM - Aquela música que tem a alma de Minas.
AP -
A Modinha.


DM - Adoro um bom prato de...
AP -
Feijão com arroz e ovo frito.


DM - Para quem vem a Minas o que você diz ser imperdível?
AP -
Comer, prosear e rezar.


DM - Em uma viagem o que sempre você leva na bagagem para presentear?
AP -
Queijo com doce de leite.


DM - Qual artista plástico melhor representa Minas?
AP -
Não tenho autoridade para uma opinião, mas arrisco: Guignard.


DM - A paisagem que te inspira.
AP -
O cerrado.


DM - Quando estou fora morro de saudades...
AP
- De casa.


DM - Minas Gerais é...
AP -
A vida que ainda vive nas pequenas cidades, onde ter comadre e compadre são coisas muito importantes.


DM - Museu da Inconfidência / Ouro Preto ou Inhotim / Brumadinho?
AP -
Todas.

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