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Thiago Reis - Setembro 2013

  • Belo Horizonte / Cipotânea - Jornalista Thiago Reis - Arquivo Pessoal

Para entender melhor a vida dos fascinados pelo futebol, o Descubraminas entrevistou o jornalista Thiago Reis, repórter da Rádio Itatiaia e do programa Bola na Área, da TV Alterosa. Conhecido pelo bordão “Seu Nome, Seu Bairro!”, Thiago dá voz aos torcedores nos estádios de Minas Gerais e comprova que tem mesmo um jeitinho mineiro para desenvolver seu trabalho.

“Minas Gerais é o melhor lugar do mundo para se viver!”

Por Roberta Almeida

Descubraminas - Famoso pelo bordão “Seu Nome, Seu Bairro!”, você oferece aos torcedores alguns minutos de fama durante as partidas de futebol que acontecem em Minas Gerais. Explique-nos melhor como surgiu essa marca.

Thiago Reis - Na verdade, o bordão nasceu por acaso. O ‘entrevistar torcedor’ não era novidade, mas eu sentia que era algo marginalizado pelos colegas de profissão. Então estagiário na Rádio Itatiaia, percebi a possibilidade de participar das transmissões dos jogos, que era meu grande sonho, entrevistando os torcedores.

Na sequência, percebi a necessidade de identificar o torcedor com algo além do nome, cheguei a perguntar a profissão, mas foi perguntando “Seu Nome, Seu Bairro” que o torcedor ficou mais à vontade.


DM - Você é natural de Belo Horizonte, mas passou a infância e a adolescência em Cipotânea, pequena cidade da Zona da Mata. De que forma os costumes mineiros interferem no seu trabalho?

TR - “Nuuussa”, interferem demais – risos. A começar pelo falar. Converso com o torcedor na rádio exatamente como se estivesse em um bar com os amigos ou na cozinha de casa.

Isso aprendi com minha avó, Dona Lia, lá em Cipotânea, e sei que ajudou demais nas entrevistas, pois os torcedores desabafam no microfone comigo como se estivessem “proseando” com alguém da família. Minha avó sempre fez questão de frisar que devemos tratar a todos da mesma maneira, e lido com o torcedor mineiro como um cliente.


DM - No começo da sua carreira, você entrevistava poucas pessoas no hall do Mineirão, hoje já são quase 50 por partida. É isso mesmo? Como funciona essa interação com o torcedor?

TR - É exatamente isso! O quadro não tinha muito espaço nas transmissões e aos poucos foi cativando os ouvintes e a diretoria da rádio. Hoje, após os jogos, entrevisto, em média, 50 pessoas. É algo que me dá muito prazer porque, como disse, me sinto em um bate-papo com amigos. É verdade que tem momentos mais delicados, como quando algum time da casa perde, mas sempre relevo o emocional da galera.


DM - Você faz coberturas esportivas para a Rádio Itatiaia e participa do programa Bola da Área, da TV Alterosa. Devido às participações ao vivo, qual é a estratégia para lidar com os torcedores mais exaltados, visto que uma das equipes sempre vai sair insatisfeita do estádio?

TR - Este é um ponto fundamental para lidar com os torcedores. Acho que as pessoas entenderam a figura do “Seu Nome, Seu Bairro”, que está ali só para lhe proporcionar o espaço para um desabafo.

A maior conquista da minha carreira é o respeito de todas as torcidas. Sempre começo os trabalhos dizendo: “Não importa a cor da sua camisa, o microfone da Itatiaia sempre estará à disposição da galera no 'Seu Nome, Seu Bairro', jogando para cima...


DM - Por desenvolver esse trabalho diretamente com as torcidas, você consegue perceber qual é a importância do futebol na vida dos mineiros? Acredita ser um exagero ou uma paixão?

TR - Acho que é um pouco de cada. Como toda paixão, às vezes há exageros mesmo. Mas o que seria da vida sem as paixões e os exageros? Para os mineiros, América, Atlético e Cruzeiro são como as praias para o povo carioca. Momento de lazer, descontração e reunião de família!!!


DM
- H
á pouco tempo, você recebeu o título de cidadão honorário e as chaves da cidade de Cipotânea. Com menos de 30 anos, como é saber que seu trabalho é reconhecido e que para muitos você representa o povo mineiro?

TR - Puxa, é até difícil pensar assim. Faço meu trabalho com muita simplicidade sem esperar grandes reconhecimentos, mas quando isso acontece, como foi em Cipotânea, fico muito feliz.


DM - Em junho passado, BH sediou um grande evento esportivo, a Copa das Confederações. Com a experiência advinda desse torneio, você acredita que estamos preparados para receber o Mundial de 2014? Em sua opinião, quais foram os pontos negativos e positivos?

TR - Foi uma grande experiência para toda população. Acho que temos profissionais capazes de preparar uma grande Copa do Mundo no ano que vem. O grande pecado, na minha opinião, são os atrasos nas obras estruturais das cidades, como as de mobilidade urbana. Infelizmente, acho que neste quesito ainda estaremos deficientes para o Mundial.


DM - Todo menino já teve o sonho de ser jogador de futebol e com você não foi diferente. Por que decidiu deixar os campos para se dedicar ao jornalismo?

TR - Não fui eu quem deixou o futebol, foi ele quem me deixou. Tive experiências em vários clubes, mas, infelizmente, não tive sequência. Como sempre fui apaixonado pelo jogo, queria estar próximo ao meio e tive a oportunidade de entrar na Itatiaia, ainda adolescente, e ali me apaixonei pelo jornalismo.


DM
- Você teria alguma história embaraçosa envolvendo algum torcedor?

TR - Quase todo jogo aparece uma história embaraçosa, mas a que deixou mais constrangido foi quando uma torcedora disse, no ar, que o sonho dela era que eu perguntasse bem pertinho do ouvido “Seu Nome, Seu Bairro”?

Fiquei bem sem graça!

 

Papo de Mineiro


DM - Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?

TR - Milton Nascimento. Sucesso mundial sem abandonar a terrinha.

DM - Aquela música que tem a alma de Minas?

TR - Gosto daquela música do César Menotti e Fabiano, “é aqui que eu amoooo, é aqui que eu quero ficar, pois não há lugar melhor que BH...”

DM - Adoro um bom prato de...

TR - Feijão Tropeiro

DM - Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?

TR - A nossa culinária. Em cada parte do Estado temos uma característica na cozinha, o que nos torna inigualável.

DM - Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?

TR - Gosto das coisas do Mercado Central de BH. Sempre tem um bom presente.

DM - Qual cantor melhor representa Minas?

TR - Milton Nascimento

DM - A paisagem que te inspira...

TR - A estrada de terra entre as montanhas

DM - Atlético, Cruzeiro ou América?

TR - América... Coelhooooooooo!!!!

DM - Fim de semana na cidade grande ou na roça?

TR - No Mineirão ou Independência, trabalhando.

DM - Quando estou fora, morro de saudades de...

TR - Da minha família

DM - Minas Gerais é...

TR - O melhor lugar do mundo para se viver!

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