Cultura

Entrevistas

Senac
  • Logo Senac Minas
  • Hotel Grogotó
  •  

Geraldo Pimenta - Abril 2015

  • Geraldo Pimenta, Secretário de Turismo e Esportes de MG - Renata Silva – Acervo SETUR/MG

Secretário de Estado de Turismo e Esportes de Minas Gerais fala ao Descubraminas sobre os projetos do setor turístico, procura pelos destinos mineiros, tipos de turismo em ascensão no Estado, entre outros temas. Confira!


"Vamos buscar novas parcerias com empresas privadas e municípios, de modo a incrementar e fortalecer o turismo nos seus diversos segmentos em Minas Gerais."


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Em janeiro de 2015, o senhor assumiu a Secretaria de Estado de Turismo e Esportes de Minas Gerais. Quais são os macroprojetos da nova gestão para o turismo mineiro?

Geraldo Pimenta -
Dentre as prioridades, podemos destacar o fortalecimento da Política de Regionalização do Turismo, através dos Circuitos Turísticos (CTs). No último dia 23/03, realizamos um grande evento, onde renovamos os certificados dos 46 CTs, e reafirmamos o nosso compromisso em consolidarmos e desenvolvermos a economia regional.

No último dia 19 de março, demos posse ao novo Conselho Estadual de Turismo. Queremos fortalecer a entidade e contar com ela para fazer do turismo um fator de desenvolvimento de Minas Gerais. Aprimoraremos também o Caminho Religioso da Estrada Real, assim como a Rota Lund.

Vamos buscar novas parcerias com empresas privadas e municípios de modo a incrementar e fortalecer o turismo nos seus diversos segmentos em Minas Gerais. Vamos rediscutir o modelo de PPP vigente, para implantar e operar o novo centro de convenções e modernizar o Expominas 2.


DM - De acordo com o Ministério do Turismo, mais de 700 mil viagens terão como destino cidades mineiras durante os feriados prolongados de 2015. Qual será o impacto econômico desses feriados nacionais para o turismo em Minas Gerais? Quais destinos devem ser mais procurados?

GP -
O impacto econômico dos feriados nacionais para o turismo de Minas Gerais será de R$ 816,2 milhões, de acordo com projeção do Ministério do Turismo. Juntos, os seis períodos de folgas prolongadas vão motivar 734,3 mil viagens para o estado, com destaque para o feriado de 12 de outubro, que deverá registrar a maior movimentação financeira (R$ 150,8 milhões) e de viagens (135,7 mil) para destinos mineiros. Acreditamos que as cidades históricas sejam os destinos mais procurados, além da região do Circuito da Canastra.


DM - Na pauta de constantes reuniões, o Turismo de Negócios e Eventos em Belo Horizonte e interior de Minas vem ganhando força. De que forma o Estado dará sustentabilidade a esse tipo de turismo?

GP -
É um grande desafio consolidarmos o Turismo de Negócios e Eventos em Minas Gerais. Apesar de o estado apresentar um grande potencial para este segmento, uma pesquisa de demanda turística realizada pela Setes em 2014 retrata que apenas 22% dos turistas vem à Minas motivados pelos negócios.

Para o êxito desta política, faz-se necessária uma gestão articulada entre a Secretaria de Estado de Turismo e a PROMINAS, de forma a fortalecermos os investimentos em captação de eventos, na modernização dos espaços existentes e construção de novos espaços, assim como na atração de feiras, festivais, shows e eventos de grande porte para a região metropolitana de Belo Horizonte, bem como para o interior do Estado.


DM- Seguindo a ideia dos salões nacionais de turismo, há alguma previsão para a promoção de salões voltados para as demandas turísticas em Minas Gerais?

GP -
Sim. Faremos o Salão Mineiro do Turismo, como acontece todos os anos. Estamos estudando um novo formato para o evento, e a previsão é de que seja realizado em outubro deste ano. Estamos discutindo também a realização da 1ª Feira Internacional do Turismo em Minas Gerais, com previsão para o ano que vem.


DM - Nos últimos anos, Belo Horizonte se destacou no cenário cultural, sendo palco de grandes eventos nacionais e internacionais. É possível dizer que possuímos um circuito cultural solidificado? Quais melhorias devem ser feitas para que este setor se mantenha em crescimento?

GP -
Belo Horizonte é palco de diversos eventos nacionais e internacionais, tais como o FIT - Festival Internacional de Teatro, o FID - de Dança, Festival Internacional de Curtas, o de Teatro de Bonecos, a Campanha de Popularização do Teatro, festivais literários, enfim, uma gama de opções para todo tipo de público. Além disso, podemos citar os vários espaços culturais e museus como o Inhotim, o Circuito Cultural da Praça da Liberdade, o Mercado Central, assim como os Parques Municipal e das Mangabeiras, cenários de grandes eventos. Ainda podemos falar aqui do Carnaval de Belo Horizonte, que vem se transformando em um grande evento e se torna cada vez mais conhecido.

Mas muito ainda há que ser feito. Como já disse na pergunta anterior, sobre turismo de negócios e eventos, faz-se necessária uma gestão articulada entre a Secretaria de Estado de Turismo e a PROMINAS, para captação de eventos culturais. Vamos buscar novas parcerias com empresas privadas e municípios, de modo a incrementar e fortalecer o turismo nos seus diversos segmentos em Minas Gerais. Vamos buscar parcerias com empresas privadas para construção e modernização de novos espaços para shows e eventos também. Estamos também discutindo com a Academia Mineira de Letras a construção de um Circuito Turístico Literário.


DM - Outra grande representante de Minas Gerais, dentro e fora do Brasil, é a gastronomia. Existe algum projeto voltado para a consolidação de eventos gastronômicos no Estado como chamariz para os turistas? Como o senhor avalia o posicionamento de BH como capital da gastronomia mineira?

GP -
Já temos diversos festivais de gastronomia consolidados no estado, já famosos e conhecidos dos turistas. Podemos citar, dentre eles, o famoso Festival de Gastronomia de Tiradentes, Festival da Jabuticaba de Sabará, o Comida di Buteco, em Belo Horizonte. Este ano, nossa gastronomia foi exaltada pela escola de samba GRES Acadêmicos do Salgueiro, tornando-a ainda mais conhecida. Teremos também, no dia 18 de abril, o evento "O Maior Feijão Tropeiro do Mundo", na Praça Duque de Caxias, no Santa Tereza, que será registrado e homologado por representantes do Guinness Book.

Apoiamos estes eventos, principalmente através da Superintendência de Gastronomia, que faz parte da estrutura da SETUR. Estamos presentes também na Frente em Defesa da Gastronomia Mineira, composta por entidades representativas, sindicatos e indústrias, dentre outras, unidas na ideia de reforçar a marca de Minas no país e internacionalmente, articulando ações conjuntas para ampliar iniciativas e diretrizes para o setor.

Vamos retomar o projeto "Gastronomia no Morro", cujo objetivo é mostrar que gastronomia é mais do que restaurantes chiques, pratos requintados e caros. Através dele, apresentamos a culinária local e valorizamos e preservamos os conhecimentos, identificamos as formas de expressão da gastronomia das comunidades, bem como os principais ingredientes utilizados, modos de fazer, saberes e oportunidades de negócios que a envolvem.

Pretendemos, ainda, inaugurar a Casa da Gastronomia, que irá fazer parte do Circuito Cultural da Praça da Liberdade, e será um espaço de promoção da Cultura Gastronômica Mineira em toda sua diversidade enquanto setor de desenvolvimento econômico e diferencial turístico para o Estado de Minas Gerais, através de atividades vinculadas à criação, produção, preservação, promoção e comercialização da gastronomia mineira.


DM - Em 2016, Belo Horizonte e Juiz de Fora vão abrigar atletas olímpicos canadenses e britânicos. Quais medidas ainda precisam ser tomadas para que Minas receba bem os turistas durante as Olimpíadas?

GP -
Os mineiros já são conhecidos pela característica que nos é intrínseca: a hospitalidade. Isso pode ser constatado na Copa do Mundo, quando recebemos turistas de diversos países. Uma pesquisa realizada pela secretaria demonstrou que a hospitalidade destacou-se como o item mais bem apreciado no universo consultado, seguido pela gastronomia, serviços de bares e restaurantes e serviços de hospedagem. Em relação às outras sedes da Copa do Mundo, Belo Horizonte se destacou pela hospitalidade, pelo povo mineiro e pelo estádio.

Nós vamos constituir um grupo de trabalho composto pela Setur e órgãos das prefeituras das cidades que receberão os jogos e o trade para consolidarmos as ações de promoção e recepção dos turistas. Vamos também investir na promoção de Minas, através do projeto "Goal to Brasil", em conjunto com a Embratur e o Ministério do Turismo.


DM - O Santuário Nossa Senhora da Piedade vai completar 250 anos de peregrinação em 2017. Qual é a expectativa de aumento do fluxo de adeptos ao Turismo Religioso em Minas Gerais?

GP -
O turismo religioso é o que mais cresce no mundo. Para se ter uma ideia, em todo o ano de 2010, o Santuário recebeu 30 mil visitantes. Este ano, somente em janeiro, ou seja, em um mês, 35 mil pessoas visitaram o local. Aliado a isso, estamos trabalhando no CRER - Caminho Religioso da Estrada Real, cujo marco zero é o Santuário. O outro extremo é Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida/SP.

O peregrino pode percorrer o caminho a pé, a cavalo ou de bicicleta, em uma única viagem ou por etapas, conforme a sua disponibilidade. Ao todo, são 1.032 km que perpassam 39 municípios, sendo 33 em Minas Gerais e seis em São Paulo. É importante ressaltar que o movimento fortalece o desenvolvimento da economia do turismo, gerando empregos, renda e a consequente melhoria da qualidade de vida das comunidades ao longo do Caminho.

Em 2017, quando o Santuário Nossa Senhora da Piedade completa 250 anos de peregrinação, e comemoramos também os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, esperamos a visita do Papa Francisco, que já foi convidado por D. Walmor e virá abençoar o nosso Caminho. A vinda do Papa, sem dúvida, trará muitos turistas movidos pela fé, e tornará o CRER e o Santuário conhecidos no mundo inteiro.


DM - Turisticamente falando, quais países mais "absorvem" o que Minas Gerais possui de melhor?

GP -
Bom, pesquisas da Secretaria, realizadas pelo Observatório do Turismo, apontam que 41% dos estrangeiros que vem a Minas Gerais são originários dos Estados Unidos; 40% vêm da Europa, principalmente de Portugal e da Itália; 14% vêm da América do Sul, principalmente da Argentina e o restante é originário da Ásia, África e Oceania.

Com a Copa do Mundo, constatamos que a nossa hospitalidade encantou o turista estrangeiro, principalmente os da América do Sul, tais como colombianos, argentinos e chilenos. Uma das ideias, que estamos discutindo no Conselho Estadual de Turismo, é elaborar um Plano de Marketing Turístico voltado para a América do Sul, para atrair esses visitantes que já tiveram uma experiência anterior em BH e divulgar outros destinos mineiros.

Além disso, com os voos diretos da American Airlines, TAP, TAM e Aerolineas Argentinas, facilitamos o acesso dos turistas e internacionalizamos o destino Minas Gerais.



Estagiária:
Júlia Savassi

 

Enviar link

Outras entrevistas