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Tutti Maravilha - Setembro 2015

  • Belo Horizonte - Arquivo Pessoal
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Em setembro, o Descubraminas sintoniza as ondas do rádio e pega uma carona no maravilhoso bazar do radialista, ícone do rádio mineiro, Tutti Maravilha.


            "A arte produzida em cada pedaço de terra dessa nossa Minas é única

                                    e merece ser conhecida e visitada!"



Por Roberta Almeida


Descubraminas
- Você nasceu em Belo Horizonte e passou a infância no tradicional Barro Preto. As experiências nesse bairro da capital marcaram sua vida de que maneira?

Tutti Maravilha -
O Barro Preto era um bairro muito especial em vários sentidos... Pela proximidade ao centro de consumo da cidade, a gente chamava a região central de "cidade"... "Vamos na Cidade" era ir na Avenida Afonso Pena, por exemplo.

Outro detalhe que marcou muito é que o Mercado Central era o nosso armazém ou nosso "Super-mercado". Com isso tínhamos na mesa verduras fresquinhas e o que há de melhor no Mercado Central. Era muito bom!


DM - Você se formou em jornalismo e, desde então, coleciona histórias ligadas à profissão. Qual foi o caso mais marcante de sua carreira como radialista?

TM -
Tenho muitas histórias. Histórias ligadas principalmente ao meu período de produtor de shows e no rádio, pois já são 28 anos diários na Rádio Inconfidência. Imagine, você, década de 70, poucos teatros e eu tentando trazer semanalmente um artista para a cidade, e tudo sem leis de incentivo e nem patrocinadores.

Tudo acontecia e tudo, no final, se ajeitava, dava certo! No Rádio, faço um programa ao vivo com duas horas de duração e diário. Como diz uma amiga minha, "você faz um show por dia para uma plateia de mais de 10 mil pessoas"... E tudo acontece porque tudo é ao vivo... Ou seja, tenho histórias e histórias.


DM - Admirador do "Clube da Esquina", você ajudou a alavancar a carreira de artistas que fizeram parte desse movimento e hoje são reconhecidos nacional e internacionalmente. O que o "Clube da Esquina" significou e significa hoje para a música brasileira?

TM -
O "Clube da Esquina" é um dos movimentos mais importantes que nossa música já viveu... Ele conseguiu, de uma só vez, reunir a nata de músicos e criadores que nunca mais tivemos... Pronto, falei!


DM - Você foi produtor e amigo de Elis Regina. Inclusive, apresenta diariamente em seu programa "Bazar Maravilha", na Rádio Inconfidência, o quadro "Coisa de Comadre", onde executa duas músicas interpretadas pela cantora. Qual é sua melhor lembrança da época em que conviveu com Elis?

TM -
Minha melhor lembrança daquela "Baixinha" é saber que fui um privilegiado, tive a honra, o prazer de ter convivido diariamente com ela... Acho que um tanto que sei hoje da nossa música vem dela. Agradeço todos os dias!


DM - No carnaval desse ano, você foi tema da escola de samba "Cidade Jardim", embalando pelas ruas da capital o enredo "Tutti Maravilha, nós sambamos com você". Qual foi sua reação ao saber que seria homenageado dessa maneira?

TM -
A primeira reação foi de espanto, susto! E quando a ficha caiu mesmo, veio a choradeira. Joãozinho Trinta dizia que "a maior homenagem que um homem brasileiro pode receber em vida é ser tema de uma Escola de Samba". Ele tinha toda razão... Pense? É a sua história contada numa avenida, com alegria, com cores e com o samba, nosso ritmo maior. É tudo de bom! Até hoje acho que vivi um sonho!


DM - Sempre envolvido com o meio cultural, você já conduziu o projeto "Expresso Melodia", que levava shows para bairros de Belo Horizonte e para o interior de Minas Gerais. Em sua opinião, como essas iniciativas ajudam a desenvolver as cidades mineiras como destinos culturais?

TM
-
Qualquer iniciativa cultural em qualquer parte desse país será sempre bem-vinda. Esse Brasil é imenso e cheio de extraordinários artistas. O que o artista, o criador precisa é de visibilidade, de um espaço para ele mostrar sua arte e poder também conhecer a de outros. A arte produzida em cada pedaço de terra dessa nossa Minas é única e merece ser conhecida e visitada! Era isso que o "Expresso Melodia" fazia.


DM - Para quem não sabe, seu nome é Ailton José Machado. De onde veio o divertido apelido "Tutti Maravilha"?

TM
-
O "Tutti" veio de turma de adolescente. Uma querida amiga leu um livro que tinha um gatinho chamado Tutti, começou a me chamar assim e pegou.

O "Maravilha" surgiu quando eu era produtor de shows através do jornalista Edmar Pereira, que colocou em uma matéria no caderno de cultura do extinto jornal "Diário de Minas", o título "Tutti Maravilha, traz mais um pra gente ver!".

A música "Fio Maravilha", do Jorge Bem Jor, acabava de tirar o primeiro lugar no Festival Internacional da Canção/Fase Nacional, defendida por Maria Alcina, e dizia: "Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver!".


DM - No mês de julho, o "Bazar Maravilha" completou 28 anos. Qual é o segredo dessa maravilha toda?

TM
-
Segredo? Não sei se existe segredo. Mas garanto que existe muito tesão e vontade de ver a nossa cultura cada vez mais perto de todos. E o Rádio faz isso! Eu simplesmente ajudo a remar a canoa.



Papo de Mineiro!


DM - Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?

TM -
Ichi! São tantos, em tantas áreas. Pra não ficar calado, falo de Drummond... Falo de Adélia Prado, Fernando Brant, Guignard, Tavinho Moura e tantos outros maravilhosos.


DM - Aquela música que tem a alma de Minas?

TM
-
A canção "Fazenda", do Nelson Ângelo, foi a primeira que veio. Se pensar mais, vem mais umas oitocentas... Rs.


DM - Adoro um bom prato de...

TM
-
Salada com muitas folhas e verduras e um bom azeite para temperar. Ou um bom prato de doce. Sou formiguinha... Rs.


DM - Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?

TM
-
Visitar nossa Diamantina, cidade colorida e cheia de histórias para contar, além de nossas belas cachoeiras.


DM - Em uma viagem, o que você leva na bagagem para presentear?

TM
-
Levo eu! Rsss... Pago pra não ter bagagem grande.


DM - Qual artista melhor representa Minas Gerais?

TM
-
Para essa, vamos precisar de mais umas dez páginas... São muitos!


DM - Atlético, Cruzeiro ou América?

TM
-
Galôooo! Mas o mundo é grande e você pode ser o que quiser.


DM - Fim de semana na cidade grande ou na roça?

TM
-
Na roça.


DM - Quando estou fora morro de saudades de...

TM
- Amigos e da minha cama.


DM - O que nunca sai da moda em Minas?

TM
-
Acho que é o nosso queijo com a goiabada de Ponte Nova. Hummm...


DM - Minas Gerais é...

TM
-
É onde eu nasci... Hoje se você me perguntar onde quero ficar, respondo: "Aqui em Minas". Amanhã tudo pode mudar, mas Minas ainda continua tendo um espaço macio e agradável no meu coração. Pronto, falei! Rsrs...

 

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