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Elke Maravilha - Novembro 2015

  • Descubraminas entrevista Elke Maravilha - Arquivo Pessoal / Elke Maravilha
  • Elke começou a vida artística como modelo, em Belo Horizonte - Arquivo Pessoal / Elke Maravilha
  • Elke Maravilha - Arquivo Pessoal / Elke Maravilha
  • "Elke no País das Maravilhas" - Arquivo Pessoal / Elke Maravilha
  • Arquivo Pessoal / Elke Maravilha
  • Espetáculo musical "Elke Canta e Conta" - Arquivo Pessoal / Elke Maravilha

Em novembro, o descubraminas.com entra no irreverente mundo de Elke Maravilha. Nascida na Rússia, a atriz, intérprete musical, apresentadora e modelo radicada no Brasil desde a infância, mostra que é uma verdadeira mineira de coração.


"A gente sempre esteve inserido na diversidade, isso já estava no sangue. Ao chegar em Minas Gerais, tivemos a honra de continuar assim."


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Aos seis anos de idade, você e sua família chegaram ao Brasil e vieram morar em Minas Gerais. Como foi passar parte da infância no interior mineiro?

Elke Maravilha -
Maravilhoso, minha filha. Chegar a
Itabira foi um ótimo começo para todos nós, em todos os sentidos. Principalmente porque a gente começou a vida na roça e só no meio de negros. Isso foi um privilégio.

Nós sempre vivemos uma diversidade muito grande. Minha mãe era alemã, meu pai era russo, minha avó era mongol, meu avô azerbaidjano com viking. Quer dizer, viemos da Rússia, que é o país mais diverso do mundo, para o Brasil, que fica em segundo lugar. A gente sempre esteve inserido na diversidade, isso já estava no sangue. Ao chegar em Minas Gerais, tivemos a honra de continuar assim.


DM - Você se considera uma mineira de coração, mas o que você acredita que não chegou a aprender com o mineiro?

EM -
A ficar em cima do muro (risos). Não consigo, minha filha. Em algumas situações eu falo: Minas Gerais, Minas Gerais... Tudo calmo. Aí vem o russo e berra! Aliás, uma vez em um encontro com
Carlos Drummond de Andrade, ele falou para mim: "Nossa, você vive em Itabira, mas eu não consigo entender como você é tão diferente".

Aí perguntei: por quê? Porque sou alta e loira? Ele disse: "Não. Sua alma! Nós, mineiros, principalmente itabiranos, somos taciturnos, fechados, ficamos em cima do muro. Eu nunca vi uma coisa dessas em você." Aí eu falei: Ah, Drummond, você sabe como é, o coração da gente muda, mas a genética como é que eu arranco? Fui nascer lá na Rússia. Então, na realidade, o DNA a gente não arranca, mas o coração muda, sim. Por isso eu me considero uma mineira de coração, uai.


DM - Em 1962, você foi escolhida Glamour Girl de Belo Horizonte em evento organizado pelo colunista Eduardo Couri. Quais são suas melhores lembranças da capital mineira?

EM -
Olha, meu amor, as melhores lembranças foram na realidade no Colégio Estadual (Central). Foi o lugar mais sábio que já estudei na vida. Logo depois já comecei três faculdades. Já fiz letras clássicas, grego, medicina e filosofia, mas nenhum lugar foi tão especial como o Colégio Estadual, aí de Belo Horizonte.

Sobre o concurso, foi legal ganhá-lo, mas essa não era minha principal meta. Aliás, quem me botou no concurso foi minha mãe. Na verdade, eu também nunca pensei em ser artista, me colocaram na marra. Me escolheram para ser artista e eu fui ser, mas eu acho que escolheram bem: foi e ainda está sendo muito legal viver assim.


DM - Você foi personagem do filme "A Noiva da Cidade", cujo roteiro foi criado pelo cineasta mineiro Humberto Mauro. O que esse trabalho representou para você?

EM -
Esse trabalho foi muito importante para mim porque foi o último roteiro de
Humberto Mauro e foi dirigido por um grande diretor que é o Alex Vianni. O Brasil não o conhece, mas Humberto Mauro é considerado um dos ex-maiores diretores de todos os tempos. Eu virei amiga dele, a gente tinha uma cumplicidade maravilhosa. Eu tive esse privilégio de trabalhar com ele.


DM - No espetáculo "Elke Canta e Conta", você comemora seus 70 anos. Como é compartilhar com as pessoas parte do seu irreverente universo de artista?

EM -
Eu acho que a arte da vida, meu amor, não é viver, não. Viver qualquer micróbio vive. Eu acho que a grande arte é conviver. Também no "Elke Canta e Conta" eu chamo a atenção para uma coisa que é o mais importante do ser humano, que é a tomada de consciência. O Brasil, então, precisa dessa tomada de consciência com urgência. O espetáculo tem essas possibilidades de reflexão.

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