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Professor Helinho - Fevereiro 2016

  • Professor Helinho - Roberta Almeida
  • Professor Helinho conversa com o descubraminas.com - Roberta Almeida
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No mês de volta às aulas, o Descubraminas conversa com o divertido Professor Helinho, especialista em Língua Portuguesa, que dá dicas para evitar o sufoco na hora de estudar. Confia a entrevista!


“Se você não conhecer os fáceis da matéria, jamais vai conhecer os difíceis.”


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Como o senhor começou a carreira de professor?

Professor Helinho -
Olha, realmente a minha primeira e grande vocação não era o magistério. Minha maior vocação era o teatro. Mas, naquela época, o teatro aqui em Belo Horizonte era amadorístico demais. Eu sempre fui alucinado pelo teatro. Acho monumental, uma fonte perene de transformação, mas, por razões familiares, me vi totalmente impossibilitado de ir a São Paulo ou ao Rio de Janeiro participar de alguma escola de arte dramática.

Mas aquele desejo de representar, de ser ator, era muito forte. Então eu comecei a estudar Português freneticamente, sozinho, e comecei a dar aulas em uma escola de alfabetização de adultos no Colégio Dom Silvério, onde eu era diretor e dava aulas. Eu virei um verdadeiro cupim de livraria. Havia semana que eu estudava e estudava, para dar aulas na semana seguinte e assim por diante.

Aí, de repente, eu percebi uma coisa, minha vontade de ser ator não havia se diluído e vi que o relacionamento aluno e professor era muito mais forte que este contato da plateia com o ator. Assim, a sala de aula virou um teatro, a matéria, Português, virou a peça, eu dando aula, o ator, e os alunos, a plateia. Então, o relacionamento professor/aluno, no meu ponto de vista, é muito mais gratificante.

Mas até aproveitando, eu quero dizer o seguinte: eu estou com 70 anos, 50 de quadro e giz, mas ainda não perdi a vontade de realmente trabalhar em teatro. Eu sou um ator a procura de um diretor.


DM - Por que a Língua Portuguesa?

PH -
Em primeiro lugar porque a minha família é basicamente moldada às letras. Meu avô era poeta, meus tios professores, outros advogados. Então, para mim, o conteúdo da Língua Portuguesa era muito mais fácil, pois era uma coisa que eu já sabia. Eu falo essa língua, então foi muito mais fácil estudá-la para ensiná-la a ter que aprender alguma outra coisa para ensinar.


DM - O senhor idealizou e coordenou o Curso de Língua Portuguesa “Língua Pátria” por quase 40 anos. Hoje, qual é o foco dos cursos que o senhor ministra?

PH -
Atualmente, eu não tenho mais uma turma grande, como era no “Língua Pátria”. Estou com muita vontade de trabalhar a fundo o ensino da Língua Portuguesa e, por isso, tenho atendido individualmente, oferecendo um ensino personalizado.

Atendo no máximo dois alunos, mesmo assim com muito cuidado, pois se trabalho um tema, um às vezes entende mais que o outro e eu que fico mal. Hoje eu também atendo interessados em prestar concursos, mas meu público é aquele que deseja aprender.


DM - Suas aulas são lúdicas e bastante divertidas, o senhor acredita que o bom humor dentro da sala de aula é fundamental para o aprendizado?

PH -
Eu acredito. Ninguém aprende nada a não ser via prazer. Eu acho que o professor tem que sacar que ele não está só despejando uma matéria pela janela, ele está tentando dialogar com esse aluno, que está na frente dele, sobre a matéria.

Ele tem que cativar a curiosidade. Uma vez, me perguntaram se eu não chamava a atenção do aluno em sala. Eu disse que chamava, mas não era aquele chamar atenção de encher o saco dele, pois se a turma inteira está falando é porque não tem coisa agradável sendo dita. Então meu "chamar a atenção" é me colocar como centro de atenção para a turma.

Eu dei aula para 80 alunos, então se chegasse de roupa creme, aquela coisinha sem graça, ninguém me olhava. Houve época que eu ia de calça vermelha, camisa quadriculada, só para me tornar o centro de atenção.


DM - O senhor possui publicações ideais para quem deseja atingir um nível de comunicação escrita eficaz e correta ou necessita de uma atualização na Língua Portuguesa. Quais materiais o senhor indicaria para as pessoas que tem esse interesse?

PH -
Bom, primeiro eu indicaria o “Colocando o Português em Dia”, onde tento ensinar de uma maneira interativa, sem aquela coisa maçante de teoria, pois foca na prática para aprender.

Já nesse outro que chama “Na Ponta da Língua. Como escapar das pegadinhas do português”, o aluno pode resolver questões de linguagem. Depois de 10 exercícios, vem um comentário explicando como deveria ser resolvida determinada questão.

Eu também sou revisor e colunista do jornal “Hoje em Dia”. Nessa coluna, também chamada “Colocando o Português em Dia”, que é publicada aos domingos no caderno "Almanaque", eu dou dicas sobre Língua Portuguesa utilizando brincadeiras e jogos.


DM - “Estudou demais, mas não foi aprovado.” Essa frase adversativa é muito comum nos cursinhos preparatórios para concurso. Qual o segredo para quem deseja começar o ano empenhado em obter a aprovação?

PH -
Em primeiro lugar, o aluno precisa entender que o milagre não existe. Existem cursos preparatórios com excelentes professores, não tenho dúvida disso, mas aí serão dois meses de intensivo, prometendo o estudo de tudo que estiver em um edital. No entanto, não há tempo para a real absorção da matéria.

Eu gosto de ser muito honesto com meu aluno e digo que esse tempo de preparo também depende da dificuldade de cada um. Existem alunos que vem aqui totalmente machucados e, às vezes, eu tenho que ficar apagando conceitos. Então é preciso que cada um conheça sua dificuldade, para que possa aprender no seu próprio tempo e estipular o tempo necessário para aprender e obter a aprovação.


DM - No mês de volta às aulas, quais dicas o senhor daria para os estudantes aproveitarem melhor o tempo de estudo e evitar o sufoco no fim do ano?

PH -
Até que eu estou tendo aqui alunos com uma mudança de hábito, de comportamento, mas a dica é não deixar matéria acumular. Não é estudar 20h, tomar café para não dormir, pegar aula particular. É ir fazendo tudo com tranquilidade.

Há um ditado italiano que diz: “Piano, piano si va lontano. / Devagar se vai ao longe”. Quer dizer, desde o começo do ano, se aluno estipular duas horas de estudo por dia, ele não terá problema algum com as matérias. O aluno precisa entender que o estudo é uma atividade diária.

Ela não precisa ser uma atividade excessiva, precisa ser constante. Se você não conhecer os “fáceis” da matéria, jamais vai conhecer os “difíceis”. A palavra base é muito importante, sem base, nada tem base.


DM - Existe algum erro de Português que o senhor considera imperdoável?

PH -
Não são poucos. A gente pode observar como a Língua é trabalhada na própria cidade. Você vai à Rua Goitacazes e no poste o nome da rua está escrito com Z, olha para o prédio e está com S; aqui mesmo na Rua Estêvão Pinto não tem uma plaquinha da Prefeitura que esteja corretamente grafada. Escrevem “Estevão”, como oxítona, “Estévão”, como paroxítona. Pelo Português, o correto é “Estêvão”, com acento circunflexo.

Quem mora na Rua Estêvão Pinto jamais vai conseguir falar correto, pois a própria placa da rua ensina de forma errada. Quer dizer, quem mandou fazê-la não tinha conhecimento e não procurou saber. Não há uma preocupação com a linguagem e o coitado do aluno sofre com isso, visto que as referências dentro da própria cidade não contribuem para o aprendizado.



Papo de Mineiro

DM
- Qual o sinônimo para mineiro?
PH -
Curioso / Desconfiado.

DM
- Qual escritor melhor representa Minas Gerais?
PH -
Carlos Drummond de Andrade.

DM
- Um livro imperdível...
PH -
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Sem dúvida alguma o maior gênio literário que o Brasil já conheceu.

DM
- Qual o melhor adjetivo para Minas?
PH -
Hospitaleira.



Fica a dica!

1. às custas ou à custa?
R:
à custa / Não se pluraliza a citada locução.

2. autoconfiança ou auto-confiança?
R:
autoconfiança / O prefixo AUTO somente exige o hífen se a palavra seguinte iniciar por H ou O.

3. se maqueia ou se maquia?
R:
se maquia / O verbo é MAQUIAR.

4. em mão ou em mãos?
R:
EM MÃO é a correta expressão portuguesa.

5. a domicílio ou em domicílio?
R:
em domicílio / Entrega-se algo em domicílio (= em casa).


*Dicas retiradas do livro "Na Ponta da Língua. Como escapar das pegadinhas do português", de autoria do professor Helinho.

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