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Gorete Milagres - Maio 2016

  • Atriz mineira Gorete Milagres - Márcio Rodrigues
  • Personagem Filomena, interpretada por Gorete Milagres - Arquivo Pessoal
  • Arquivo Pessoal


Em maio, o Descubraminas bate um papo com a mineira Gorete Milagres. Criadora da personagem Filomena, a atriz e comediante fala sobre seus trabalhos na TV, teatro e cinema, além dos planos para a divertida Filó...


“Minas é esse berço da Filomena, até porque ela carrega muitas características do mineiro...”


Por Roberta Almeida

Descubraminas - Você nasceu em Conselheiro Lafaiete ou Piranga? Qual é sua melhor lembrança do interior mineiro?

Gorete Milagres -
Eu nasci em Conselheiro Lafaiete, mas por um segundo eu teria nascido em Catas Altas da Noruega, que é pertinho de Piranga, onde ficam as fazendas dos meus avós e do meu pai e onde eu cresci. Sou piranguense de alma, pois é lá que estão minhas raízes.

Tenho muitas lembranças. Ave Maria! Lembro muito de uma tia-avó, de 90 anos, virgem, que às 18h, quando tocava o sino, ela co
ntava que aquele sino havia sido colocado ali para chamar os escravos para comer... Eu tinha um tio-avô também, de 103 anos, e eu, pequenininha, perguntava como ele conseguia viver tanto tempo. Ele respondia: “Nunca comi um enlatado. Nunca botei veneno na minha horta. Eu ando a cavalo, caminho e trabalho”.

Então tem umas coisas assim, que a gente nunca esquece e leva para a vida. Inclusive, eu escrevi um livro sobre a Filomena, onde coloquei muitas dessas histórias, visto que essa personagem é nascida e criada nesse meio.


DM - Você é formada pelo Teatro Universitário da UFMG e no seu primeiro ano de TU escreveu um texto para a Filomena. Em que sentido Minas Gerais interferiu na criação dessa famosa personagem?

GM - Em todos! Como sou mineira e cresci no interior de Minas, a Filomena surgiu das minhas experiências. Inclusive, ela foi influenciada por uma senhora que ainda existe, que era cozinheira da minha avó. Eu tinha uma relação muito próxima com os empregados das fazendas do meu pai e da minha avó. A gente adorava os casos das empregadas.

Lembro como se fosse hoje de uma delas contando que já tinha trabalhado na casa de Ronnie Von, em São Paulo. Ela dizia que ele andava pelado dentro de casa, imagino que seria uma sunga, mas, tudo bem, era a visão dela. Aí aconteceu uma coisa muita engraçada, no primeiro dia de gravação da Filó, na Praça é Nossa, eu contei isso para o Ronnie. Ele ficou impressionado por não se lembrar da Maria Cecília, disse que tinha muito contato com todos os empregados, sabia de quais cidades eles vinham, mas dela ele nunca tinha ouvido falar.

Você acredita que isso tudo era fantasia da cabeça dela? (Risos) Então essa minha vivência em Minas foi fundamental para a construção da Filomena. Sempre admirei as empregadas que passaram por minha vida, além de observar muito o povo caipira. Minas é esse berço da Filomena, até porque ela carrega muitas características do mineiro. Muita gente achava que ela era goiana ou nordestina... Acho que ela tem uma identificação com todo caipira brasileiro.


DM - Além do teatro e da TV, você também deu vida a personagens no cinema. Qual filme foi o mais significativo? Como foi essa experiência com o cinema?

GM - O mais significativo foi Tapete Vermelho porque esse filme foi um divisor de águas. Eu saí do SBT, do A Praça é Nossa, querendo alçar outros voos, pois estava muito estigmatizada como uma atriz de um personagem só. Então veio esse filme, que foi maravilhoso porque eu tive que desconstruir uma caipira e construir outra. Além do mais, foi muito legal a construção desse longa.

Eu e Matheus Nachtergaele fomos fazer laboratório no meio do mato. Foi uma troca muito boa, Matheus é muito generoso. Eu tentava ensinar o corpo da Filomena pra ele, por causa daquele jeito do Mazzaropi que o personagem dele tinha e ele me ajudou a tirar um pouco da Filó de mim. Apesar de ter feito outra caipira, foi um trabalho que me rendeu prêmios e fui chamada pela Record para fazer novelas.

Depois disso, também fiz um trabalho muito legal para a TV Cultura e acabo de fazer outros personagens cômicos para o Multishow. Então depois dessa minha experiência cinematográfica, eu fui estudar cinema e me graduei como roteirista. Agora, inclusive, estou escrevendo o roteiro para o longa da Filó.


DM - Por falar no canal Multishow, você estreou recentemente uma nova personagem na série Trair e Coçar é só Começar. Por ter uma experiência com o humor dos anos 90, de que forma você enxerga o humor de hoje?

GM - O Trair e Coçar foi uma exceção. Esse programa apresenta um humor novo. Acho o (Marcos) Caruso genial. Ele escolheu pessoas que sabem escrever e tive uma liberdade muito grande de criação. A Zilda aparece toda gostosona, o oposto da Filó. Então se o texto era muito bom e eu tinha a liberdade de propor, o improviso ficava muito mais fácil e acredito que é o que o público gosta.

Esse trabalho foi incrível, um elenco maravilhoso, em sintonia. Então acho que o humor desse programa é um humor diferente, fantástico, inteligente, não subestima a capacidade do público. O que me incomoda um pouco é que hoje qualquer pessoa vira artista. Então têm muitos youtubers, com uma concorrência, digamos, desleal, que postam um vídeo genial e milhões de pessoas visualizam e curtem, mas tem também muita coisa ruim, de pessoas que viram celebridade da noite para o dia.

Eu acho, sim, que hoje o humor está muito bem e tem para todo gosto, mas têm coisas que a população está consumindo que não são legais. O público popular, o povão mesmo, gosta de coisas boas. Eu até coloquei no meu canal do Youtube os programas da Filó e descobri que tenho um novo público, de crianças. Quer dizer, é um meio direcionado pelos pais, que procuram um humor mais ingênuo e não degradante.


DM - Impossível esquecer o bordão “Ô Coitado!”. A Filomena ainda leva ao Brasil o FilódaEmprego.com? Quais são as expectativas da doméstica mais famosa do País para 2016? Filó vai mesmo ganhar um filme?

GM -
Sim, leva, sim. Dia 30 de maio, Filomena vai fazer 22 anos e eu estreei o FilódaEmprego.com em Belo Horizonte. Era uma plateia linda: senhoras de 90 anos, com andador e tudo, casais, crianças, gente de todas as idades. Também sempre fazemos intervenções em empresas, adaptando as apresentações conforme a necessidade do cliente.

Agora em 2016, pretendo finalizar o roteiro do filme da Filó. Eu tenho duas produtoras já conversando sobre isso. Ultimamente estou trabalhando muito com a Filó no teatro, inclusive em Minas Gerais. Mas com o longa, todos vão matar a saudade, principalmente esse novo público, que terá a oportunidade de conhecê-la.


Papo de Mineiro

DM
- Quem é ou foi verdadeiramente mineiro?
GM -
Guimarães Rosa.

DM
- Aquela música que tem a alma de Minas?
GM -
Tudo que ouço de Milton Nascimento, Beto Guedes, o próprio Clube da Esquina, me faz lembrar de Minas Gerais.

DM
- Adoro um bom prato de...
GM -
Frango com ora-pro-nóbis e frango com quiabo.

DM
- Para quem visita Minas, o que você diz ser imperdível?
GM -
Inhotim, Praça da Liberdade, Serra do Curral...

DM
- Em uma viagem, o que você sempre leva na bagagem para presentear?
GM -
Depende. Fiquei um mês em Cuba e levei sabonete e papel higiênico.

DM
- A paisagem que te inspira...
GM -
O mar de montanhas.

DM
- Atlético, Cruzeiro ou América?
GM -
Quando pequena, dizia que era cruzeirense, mas francamente não sou uma torcedora fanática, torço sempre por Minas.

DM
- Fim de semana na cidade grande ou na roça?
GM -
Sempre precisei ir para a roça recarregar minhas energias, mas, hoje, moro em São Paulo, em uma casa que me remete muito à roça, então gosto dessa sensação da roça na cidade.

DM
- Quando estou fora morro de saudades de...
GM -
De Minas Gerais.

DM
- Minas Gerais é...
GM -
Minas Gerais é Tudibom!!! Amor eterno amor!


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