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Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade


Cronologia

Nasceu: 31 de outubro de 1902
Faleceu: 17 de agosto de 1987
Filiação: Carlos de Paula Andrade e D. Julieta Augusta Drummond de Andrade
Natural de Itabira /MG


Formação

Curso primário no Grupo Escolar Dr. Carvalho Brito - Belo Horizonte/MG - 1910
Colégio Arnaldo - Belo Horizonte/MG - 1916
Colégio Anchieta - Nova Friburgo/RJ - 1918
Curso de Odontologia e Farmácia de Belo Horizonte/MG - 1925


Atividades
Escritor
Poeta
Contista
Cronista
Professor de geografia e português no Ginásio Sul-Americano em Itabira/MG - 1925-26
Redator-chefe do jornal Diário de Minas - 1926
Auxiliar de redação da Revista do Ensino da Secretaria de Educação de Minas Gerais - 1928
Redator do jornal Minas Gerais -1929
Chefe de gabinete do Ministro de Educação e Saúde Pública Gustavo Capanema - 1934
Redator dos jornais Estado de Minas e Diário da Tarde -1934
Co-editor do jornal comunista Tribuna Popular - 1945
Chefe da Seção de História, na Divisão de Estudos e Tombamentos, do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - DPHAN - 1946
Cronista do Correio da Manhã - 1954
Cronista do Jornal do Brasil - 1969


Trajetória de vida
Drummond foi aluno em regime de internato dos colégios Arnaldo e Anchieta, sendo que no Colégio Anchieta ele foi expulso sob a alegação de "insubordinação mental". Seus primeiros trabalhos foram publicados no jornal Diário de Minas, em 1921. Em 1925, em parceria com Emílio Moura e Gregoriano Canedo, Drummond fundou A Revista, publicando idéias modernistas.


Apesar de concluir o curso de Farmácia não exerceu a profissão, afirmando que queria "preservar a saúde dos outros". O poema "No Meio do Caminho" foi um dos maiores escândalos literários do Brasil em 1928.


Aposentou-se em 1962, mas continuou a escrever suas obras e as crônicas para os jornais. Colaborou nos programas Vozes da Cidade, na Rádio Roquete Pinto e Cadeira de Balanço, na Rádio Ministério da Educação.


Várias obras de Drummond foram traduzidas para o inglês, espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, dentre outros idiomas. Para comemorar o 80º aniversário de Drummond, foram realizadas exposições na Biblioteca Nacional e na Casa de Rui Barbosa.


A escola de samba Estação Primeira de Mangueira homenageou Drummond com o samba enredo "No reino das palavras" e foi campeã do carnaval de 1987.


O escritor morreu devido a problemas cardíacos e foi enterrado no mesmo túmulo de sua adorada filha Maria Julieta.

 

Principais obras

No meio do Caminho (1928)

Alguma poesia (1930)

Brejo das almas (1934)

Sentimento do mundo (1940)

José (1941)

Poesias (1942)

A rosa do povo (1945)

Claro enigma (1951)

Fala, Amendoeira (1957)

A vida passada a limpo (1959)

Lição de coisas (1962)

Cadeira de balanço (1970)

A paixão medida (1980)

Boca de luar (1984)

Amar se aprende amando (1985)

Tempo vida poesia (1986)

Farewell (1987)

O amor natural (1992)

 

Homenagem / Título / Prêmio
1922: Prêmio de 50 mil-réis pelo conto "Joaquim do Telhado" no concurso Novela Mineira

1962: Prêmio Padre Ventura, pela encenação de sua tradução "Les fouberies de Scapin" no Teatro Tablado do Rio de Janeiro.

1963: Prêmios Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores e Luísa Cláudio de Souza, do PEN Clube do Brasil pela obra "Lição de coisas".

1974: Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários.

1975: Prêmio Nacional Walmap de Literatura, pela obra "Amor, Amores".

1980: Prêmios Estácio de Sá, de jornalismo e Morgado Mateus, de poesia (de Portugal).

1995: Homenagem a Drummond através de selo postal lançado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

1995: Homenagem da World Wide Web, utilizando os recursos da multimídia, publicando em 5 idiomas a antologia "Alguma Poesia" em CD-ROM.

Organizado em sua homenagem o Museu de Território Caminhos Drummondianos em Itabira


Poemas

José

'E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?


Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?


E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?


Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?


Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!


Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?'

 

No meio do caminho

'No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra'.

 

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