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Arquitetura Religiosa - Século 18

© Danielli Vargas Ouro Preto - Igreja N. Sra. do Rosário - Danielli Vargas Igreja N. Sra. do Rosário

Nesta seção sobre arquitetura, abordaremos também a talha que, teoricamente, deveria estar inserida na escultura. Mas, devido ao caráter arquitetônico da talha barroca e rococó dos retábulos, abordaremos os dois temas juntos para melhor compreensão.


Minas há muitas. Provavelmente a Minas que mais nos fascina é a Minas do período do ouro, a Minas colonial, a Minas que nasceu sob o 'signo do urbano', a Minas barroca suntuosa, exuberante e rebuscada.


As raízes da cultura mineira se encontram nessa arte cheia de voltas e contra-voltas. A arte colonial mineira e a organização socioeconômica da Capitania se confundem. 'O nascimento das Minas' se deve, entre vários fatores, à construção de templos religiosos que serviam como elemento de urbanização e fixação do homem na terra.


O templo religioso torna-se, portanto, fundamental na estrutura urbana e social da região das minas como meio de urbanização. Por sua causa, terras eram valorizadas, surgiam novos setores e novas ruas. O templo funcionava como principal ponto de encontro do povo, pois sediava as solenidades religiosas como missas, casamentos, batizados e procissões. Pode-se dizer que o 'lazer' do homem mineiro setecentista estava no templo religioso. E, por outro lado, é importante lembrar os sepultamentos também eram realizados no interior dos templos, reforçando, assim, sua função social.


'A suntuosidade decorativa do interior das igrejas completa e acentua o aspecto monumental da arquitetura religiosa em Minas. A obra de talha dos altares e o acabamento ornamental dos primeiros templos, com a exuberância de seu revestimento em ouro, ainda denunciam o preciosismo do barroco seiscentista... A atividade artística, quase sempre anônima ou executada em equipe, cobriu toda a rota de mineração.' Affonso Ávila.


Enquanto no litoral as construções eram orientadas pelos padrões rígidos das congregações regulares, em Minas a liberdade que o povo teve de 'fundar' associações leigas causou essa propagação de templos religiosos. Esta liberdade não se expressou apenas no número de construções, mas, também e principalmente, na livre criação. A construção, a ornamentação da Igreja e a contratação de artistas eram discutidas pelos membros da irmandade. Novas soluções foram criadas, as construções se adaptaram à realidade da região.


A questão da terminologia "Barroco Mineiro"
Para melhor compreensão da arte setecentista mineira, é muito importante ressaltar a questão da terminologia 'barroco mineiro', que tem sido substituída nos últimos anos pelos pesquisadores por arte colonial mineira. A professora Myriam Oliveira explica: 'Entre as questões que nos parecem relevantes para essa reavaliação situa-se a indagação da própria significação do termo 'Barroco mineiro', aplicado à analise da arquitetura religiosa do período. Como se sabe, a expressão foi cunhada pelos autores modernistas na esteira de Mário de Andrade para salientar a originalidade da arquitetura colonial mineira, no contexto geral do barroco brasileiro de importação portuguesa. Originalidade esta, vista como marco inicial de uma 'identidade nacional' em nossa arte, ansiosamente buscada naquele momento histórico.'


Apresenta-se, aqui, uma síntese da análise elaborada pela professora Myriam para uma nova proposta de reclassificação da arte setecentista mineira:


- Não se pode classificar toda arquitetura religiosa mineira do século 18 de 'barroco mineiro'.


- 90% das igrejas mineiras seguem o 'estilo chão' ou 'estilo tradicional português' que se caracteriza por construções de linhas retangulares e volumetria simples. Assim, não podem ser classificadas dentro dos moldes da arquitetura barroca internacional, onde a planta da nave é uma elipse, a fachada é de grande importância, com sobreposição de elementos escultóricos - estátuas, colunas, pilastras - e a alternância de paredes côncavas e convexas.


-Construções de igrejas em 'estilo chão' estão presentes ao longo de todo o século 18. Incluem-se, capelas, matrizes, igrejas de irmandades, sejam construídas em taipa ou alvenaria de pedra.


-Nas igrejas coloniais mineiras, o barroco e o rococó se revelam essencialmente na decoração, 'transfigurando interiores arquitetonicamente estáticos, pela ação conjugada e complementar da talha dourada e das pinturas dos forros e painéis parietais.' (M. Oliveira)


-As linhas arquitetônicas mais 'barrocas' em Minas Gerais se revelam nas Igrejas de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto, e São Pedro dos Clérigos, em Mariana. Na planta dos dois templos, têm-se as duas elipses entrelaçadas (nave e capela-mor), fato extremamente raro na arquitetura religiosa luso-brasileira.


-As outras exceções dentro do 'estilo chão' que apresentam 'novidades' na arquitetura de suas fachadas estão:


Em Ouro Preto:
1 - São Francisco de Assis - torres redondas, fachada curvilínea - movimentada e dramática, ao gosto do tardo barroco internacional.


2 - Nossa Senhora do Carmo - torres arredondadas, fachada sinuosa com decoração delicada, dentro das linhas do rococó centro-europeu.


Em Mariana:
3 - Nossa Senhora do Carmo - torres redondas.


Em São João del-Rei:
4 - São Francisco de Assis - torres redondas, nave sinuosa.


5 - Nossa Senhora do Carmo - torres redondas.


Em Barão de Cocais:
6 - Matriz de São João Batista - torres redondas.


-É importante ressaltar que estas inovações foram apenas nas fachadas, a planta do corpo da igreja - nave e capela-mor, continuam retangulares.


Capelas - As primeiras construções

As primeiras capelas de Minas foram erguidas de 1700 a 1720.
Eram o ponto de referência do arraial e seu núcleo central.
O período é marcado pelo desenvolvimento e estabelecimento das povoações.


Arquitetura
"Estilo Chão"
- De pequena proporção.
- Fachada plana
- Planta retangular
- Divisão em nave, capela-mor e sacristia colocada lateralmente.
- Sineira pode estar ao lado da igreja ou inserida no corpo central da fachada.


Decoração
- Muito ornamentada com talhas, pinturas e douramento.
- Estilo dos Retábulos: Nacional Português.
- O Nacional Português começou a ser executado em Portugal a partir do século 17. Linhas barrocas dentro de um estilo tradicional e austero.


Características do Retábulo Nacional Português:
- Colunas torsas ou salomônicas com sulcos preenchidos de ornatos profusos.
- Coroamento ou remate em arcos concêntricos ou arquivoltas concêntricas.
- Revestimento inteiramente em talha dourada e com ocorrência de policromia em azul e vermelho.
- Presença predominante de ornatos fitomorfos (cachos de uvas, folhas de parreiras, folha de acanto) e zoomorfos (aves, geralmente o fênix ou pelicano eucarístico).
- Trono em forma de cântaro .
- Em exemplos mais evoluídos, surge a presença ainda discreta de anjos, e a adoção, no altar-mor, de nichos laterais.


A era das matrizes
As matrizes mineiras foram erguidas de 1720 a 1750. Esse período se caracteriza por:
- Desenvolvimento e estabilização das povoações.
- Vários povoados elevados à condição de vila.


Arquitetura
- Divisão interna em: nave, capela-mor e sacristia, com corredores longos.
- Presença de um segundo andar com coro, tribunas e consistório (sala para reuniões da
irmandade ou ordem 3ª) acima da sacristia.
- Fachada: ampliação do 'tipo das capelas'. Corpo central - frontão triangular e duas torres laterais de base quadrada, cobertas com telhados encurvados nas pontas, à moda chinesa.


Decoração
- Joanino
- Período da chamada 'talha gorda'. É a decoração levada ao auge do rebuscamento.
- Estilo dos retábulos: Joanino. Foi desenvolvido no período de D. João V, no início do século 18, quando a arte portuguesa sofreu influências de outros países. Foi a internacionalização do barroco português.


Características do retábulo Joanino:
- Coroamento ou remate em dossel.
- Coluna salomônica (primeiro terço com estrias diagonais).
- Uso de pilastras com quartelões de grande ressalto.
- Policromia predominante: douramento.
- Presença de anjos, especialmente na pilastra e no coroamento ou remate, junto ao dossel .
- Maior tendência é para o caráter escultórico da ornamentação.


Igrejas de irmandades e ordens terceiras
Erguidas de 1750 a 1800. O período é caracterizado por:
- Propagação das Irmandades e Ordens Terceiras (Associações de Leigos).
- Desenvolvimento social e econômico da região, que tem caráter tipicamente urbano, marcando diferenciação e rivalidade entre os diversos grupos sociais.
- Crise econômica na Capitânia devido à diminuição da produção aurífera.
- Inconfidência Mineira.
- A falta do ouro é compensada pelo aprimoramento da arquitetura, pintura e escultura.
- Época dos grandes mestres: Aleijadinho, Ataíde, Vieira Servas, João Nepomuceno Correia Castro e Francisco Lima Cerqueira.
- Ordens Terceiras em Minas Gerais (brancos com poder aquisitivo): São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo.
- Irmandades leigas (escravos, negros forros, irmandades, brancos pobres): Irmandades de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Mercês, Santa Ifigênia, São Francisco de Paula, são alguns exemplos de irmandades leigas.


Arquitetura
- Construção em alvenaria.
- Nas igrejas que fogem ao 'estilo chão': torres recuadas e arredondadas; frontispício com linhas sinuosas ou curvilíneas.
- Plantas retangulares dividas em: nave, capela-mor e sacristia. No segundo andar: coro,
consistório e tribunas.
- Portada e frontão decorados com altos-relevos em pedra sabão.


Decoração
- Estilo dos retábulos: Rococó ou D. José I


Hoje, há uma tendência de nomeá-lo barroco-rococó.


Características do Retábulo Rococó:
- Maior dignidade arquitetônica do que escultórica ou simplesmente ornamental.
- Abandono da coluna torsa em favor da coluna direita (reta).
- Em vez do antigo douramento integral, uso de uma policromia com ornamentos de ouro em leves cinzeladuras sobre um fundo branco ou azul e vermelho.
- Abandono praticamente geral de toda a decoração antropomorfa, zoomorfa ou fitomorfa dos retábulos das fases anteriores
- Ornamentação de gosto rococó - rocalhas ou conchas estilizadas em desenhos esgarçados, laços, flores, guirlandas, folhagens, etc.
- Composição assimétrica dos desenhos ornamentais.

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© Sérgio Freitas Tiradentes - Altar-mor - Matriz de Santo Antônio - Sérgio Freitas Altar-mor - Matriz de Santo Antônio
© Sérgio Freitas Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário
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© Sérgio Freitas Ouro Preto - Anjo Atlante ( Matriz do Pilar ) - Sérgio Freitas Anjo Atlante ( Matriz do Pilar )
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© Sérgio Freitas Ouro Preto - Altar lateral da Matriz de N.S Conceição - Sérgio Freitas Altar lateral da Matriz de N.S Conceição
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© Maria Lucia Dornas Caeté - Morro Vermelho - Ig. Nossa Senhora de Nazaré - Maria Lucia Dornas Morro Vermelho - Ig. Nossa Senhora de Nazaré
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© Maria Lucia Dornas Santa Luzia - Det. do retábulo de S. Antônio da cap. do hospital - Maria Lucia Dornas Det. do retábulo de S. Antônio da cap. do hospital