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O Mercado de Trabalho

Atraídos pelas grandes chances de trabalho e pela ilusão de enriquecimento rápido por causa do ouro, dezenas de profissionais chegaram  à região das minas logo no início do povoamento. Na primeira metade do século 18, os profissionais eram renóis ou brasileiros oriundos do litoral. Na segunda metade já se tinha uma geração de mineiros demonstrando talento e habilidade.


Na isolada e distante Capitania da Minas Gerais, não houve a divisão de trabalho como nas corporações de ofícios européias. O aprendizado não foi rígido e formal, não aconteceram ritos de passagem de um nível profissional para outro. Inclusive, em raríssimos documentos aparece a palavra mestre.  Aqui, o mercado se mostrou mais aberto sem rigidez hierárquica. Muitas vezes, os aprendizes eram os escravos dos artífices. Aleijadinho possuiu dois escravos que foram colaboradores no seu ofício – Agostinho exerceu a função de entalhador e  Agostinho que foi seu meeiro.  Francisco Vieira Servas contou com a ajuda de seu escravo, José Angola.


Aconteceu também o aprendizado por hereditariedade. Aqui, tem-se novamente o Aleijadinho como exemplo. Seu pai foi um dos grandes construtores da Capitania e seu tio foi entalhador. Assim, Antônio Francisco foi criado em um ambiente propício para desenvolver seu talento.


Os mulatos, que representaram uma parcela significativa da população devido à miscigenação ocorrida por falta de mulheres brancas na região, acabaram conquistando um grande espaço na prática de atividades artesanais, já que não se enquadravam no trabalho das lavras destinado aos negros, nem no trabalho burocrático destinado aos brancos. Revelaram grande aptidão para o trabalho artístico, transformando-se em excelentes artistas. O caso mais notável foi Antônio Francisco Lisboa - o Aleijadinho, maior revelação das artes brasileiras no período colonial.


A prestação de serviço era feita através de contratos ou termos de ajuste entre artífice e irmandade e poderia ser pelo sistema de jornal ou por empreitada. As atividades artesanais e ofícios mecânicos estiveram sob a regulamentação e controle dos Senados da Câmara.


Ao final da obra, era feita a louvação, ou seja, uma espécie de inspeção geral. Uma pessoa de credibilidade era chamada para examinar as obras e verificar se tinham sido executadas satisfatoriamente dentro dos termos do contrato.

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