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Arquitetura Civil - Século 20

© Marcelo Fonseca Belo Horizonte - Edifício Niemeyer - Praça da Liberdade - Marcelo Fonseca Edifício Niemeyer - Praça da Liberdade

A arquitetura civil no início do século 20 não trouxe novidades. A presença forte do ecletismo adentrou pelo século marcando as construções civis, religiosas, públicas, ou particulares. As construções ecléticas moderadas do fim do século 19 e principio do século 20, de bom gosto, vão, então, dando lugar a construções mais audaciosas durante as décadas de 10 e 20. Com um ecletismo opulento, as fachadas passam a ter um excesso decorativo, chegando, em muitos casos, a comprometer o bom gosto que está presente nas décadas citadas. Mas, um ecletismo tardio, da década de 40, ainda pode ser encontrado em Minas, principalmente nas cidades do interior, época em que a capital já se rendia ao gosto da arte déco.


Ecletismo Intermediário
A influência do neoclássico se esvai e o estilo passa a apresentar linhas e decoração mais rebuscada. São bons exemplos:
.Câmara Municipal - Pitangui - 1919

.Fazenda da Glória - Cataguases

.Prefeitura Municipal - Matias Barbosa - 1929

.Casarão da família Tanure - Medina - 1920

.Fórum - Aiuruoca

.Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio - Sacramento - 1920

.Santa Casa - Baependi

.Bazar Leão - Cambuí

.Casa de Bueno Brandão - Ouro Fino - 1917


Ecletismo Opulento
É o auge da miscelânea de estilos, como diz o historiador da arte, Carlos Lemos. O Ecletismo tolera tudo, é a licença para a criação. São recriações e combinações de formas elaboradas ao longo dos séculos pela arte européia. Essas construções já são encontradas na década de 20 e seguem pela década de 30. Exemplos:
.Escola Estadual Cônego João Pio - São Domingos do Prata - 1921

.Clube Biquense - Bicas - 1928

.Prefeitura Municipal - Miraí - 1928

.Fazenda Currais - Almenara - 1930

.Fórum - Carmo de Minas - 1937

.Fórum - Guaranésia - 1928

.Museu Municipal - Uberlândia


Ecletismo Tardio
Apesar da arte déco ter várias manifestações em Belo Horizonte no final dos anos 30, o Ecletismo ainda persistiu na década de 40. Destacam-se:
.Instituto Cândido Portes - Juiz de Fora - 1935

.Prefeitura Municipal - Camanducaia - 1943

.Casa Rosa - Jacutinga

.Casario da Praça Oswaldo Costa - Paraguaçu - década de 40

.Prédio da Prefeitura - Coromandel - década de 40


A Art Déco
No período compreendido entre as duas guerras mundiais, um estilo inovador se espalhou por todo o mundo - era o art déco - uma nova concepção de arquitetura que foi adotada para as mais diversas construções, prédios públicos, residências, cinemas, fábricas, arranha-céus e outros.


O novo estilo valorizava, na sua estética, a abstração, a linha, a forma, o volume e a cor, sendo fortemente influenciado pelo cubismo, futurismo e pela redescoberta da arte primitiva. O estilo se aproveitou dos benefícios e novidades da industrialização, bem como das novas técnicas construtivas como as armações de ferro e o concreto, que foram importantes para a grande predominância das linhas geométricas das fachadas déco.


Em Minas Gerais, os grandes exemplos de art déco estão em Belo Horizonte, introduzidos na cidade por arquitetos italianos. O grande destaque é para Raffaello Berti, responsável pelas principais construções do estilo, que acabou ganhando o termo regional de "pó de pedra", devido ao revestimento das paredes levarem uma grande quantidade de mica.


A influência das artes primitivas podem ser observadas nos edifícios com nomes indígenas, a exemplo das figuras indígenas na fachada do edifício Acaiaca e dos desenhos marajoaras da pavimentação da Praça Raul Soares. Existem ainda pequenos prédios na área que compreende a rua Guarani, avenida Paraná, avenida Olegário Maciel, que são de forte influência do estilo déco. Alguns destes prédios sofreram algumas descaracterizações, principalmente em decorrência dos letreiros das casas comerciais, mas resistiram ao tempo devido à especulação imobiliária não ser forte naquela região da cidade.


A grande revolução na arquitetura mineira se deu com os projetos de Oscar Niemeyer para a Pampulha. Nunca mais a arquitetura brasileira seria a mesma. Partidário da arquitetura funcionalista, que alia questões utilitárias às necessidades psicológicas do homem, enfim a criação de formas simples e úteis, no princípio da carreira, Niemeyer, em seus projetos para a Pampulha, abandona as linhas totalmente retas para ganhar liberdade plástica, desenhando notáveis linhas curvas que podem ser apreciadas nas obras do Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino; da Casa do Baile, atualmente um espaço destinado à temática arquitetônica, urbanística e ao design; do Iate Tênis Clube e da Igreja de São Francisco de Assis, a primeira igreja de arquitetura moderna do país. Essas obras foram executas entre os anos de 1942 e 1945, durante a gestão do prefeito Juscelino Kubitschek.


Nas décadas de 50 e 60, o talento de Niemeyer continuou a brilhar em Belo Horizonte. Suas obras nesse período são:
.Edifício Niemeyer, Praça da Liberdade, nº 153 - 1954 / 1960.

.Palácio das Mangabeiras, Bairro Mangabeiras, década de 50.

.Colégio Estadual Governador Milton Campos, Rua Rio de Janeiro, 2458 - 1956.

.Casa do Presidente Juscelino Kubitschek, Avenida Otacílio Negrão, 4188.

.Conjunto JK, Rua Timbiras com Avenida Olegário Maciel - 1951.


Em 1946, a Praça Sete de Setembro, a principal de Belo Horizonte, ganhava um arranha-céu de legítima arquitetura moderna, a sede do Banco da Lavoura, hoje, conhecido como Ed. Clemente Faria, projetado pelo arquiteto Álvaro Vital Brazil. A arquitetura em Belo Horizonte começava, então, a ser contagiada pelo Estilo Internacional.


Após a primeira guerra, surge, na Europa e nos Estados Unidos, uma geração de arquitetos com novas propostas que revolucionaram a arquitetura mundial. Os mentores dessa nova proposta eram: Walter Groupios, Mies von der Rohe, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier. A nova estética ficou conhecida como arquitetura moderna e acabou por se dividir em duas correntes: a racionalista e a organicista. O arquiteto Álcio Mota explica as diferenças entre as duas.


A arquitetura moderna racionalista defendia:
- não obrigatoriedade da simetria

- eliminação do decorativismo;

- eliminação do simbolismo;

- os elementos arquitetônicos deveriam ter uma razão para existir;

- "planta livre", paredes e fechamentos mais leves e flexíveis;

- áreas envidraçadas - realizáveis devido aos progressos tecnológicos de estruturas;

- volumes suspensos sobre os chamados "pilotis", térreos livres para circulação de ar e integração com a paisagem;

- uso de elementos curvilíneos isolados;

- reservatório de água em forma circular;

- paredes em forma de "S";

- elementos padronizados e repetitivos, como esquadrias metálicas por exemplo;

- relação direta - Forma e Função;

- unificação da composição das formas: o todo de um edifício deveria ser compreendido de maneira única, mesmo que composto de vários volumes; e

- tentativa da adoção de um estilo único, independente da região ou país em que o edifício esteja implantado, daí o termo "Estilo Internacional".


A proposta da arquitetura moderna orgânica era:
- procurava nas linhas da natureza as formas para composição dos volumes e imagens;

- tentativa de integrar, ao máximo possível, o edifício à paisagem sem agredi-la ou contrapô-la;

- simetria não era aceita, já que não existia na natureza;

- linhas retas deveriam ser evitadas;

- repetições também deveriam ser evitadas; e

- composição dos volumes em planos independentes.


O estilo internacional acabou enfrentando problemas por não respeitarem o nosso clima, a nossa cultura, a topografia e os materiais de construção.


A partir dos anos 70, Belo Horizonte começa a crescer vertiginosamente. Os bairros sofreram o processo da verticalização e o tráfego urbano se tornou intenso. Esse crescimento não se deu de forma ordenada; foi um processo, aliás, pelo qual passaram todas as grandes capitais brasileiras. Da segunda metade da década de 60 até o início os anos 80, com poucas exceções, a cidade não ganhou projetos que demonstrassem qualidade ou uma "filosofia arquitetônica".


A arquitetura contemporânea mineira possui, hoje, uma geração de competentes e criativos arquitetos, que, com domínio perfeito das novas tecnologias do século 21, tem marcado o cenário urbano mineiro, como é o caso das estruturas metálicas. "Em Minas Gerais, a intimidade com o aço é quase visceral, uma vez que nossas montanhas são ricas produtoras de minério de ferro. Também se pode falar de uma" semelhança" conceitual entre as estruturas em madeira de nossa tradicional arquitetura colonial, onde os pilares e vigas funcionam como elementos estruturadores independentes; e das possibilidades da arquitetura feita em aço." (João Diniz)


Os arquitetos que se destacam nesse período são: Sylvio Emerich Podestá, Álvaro Hardy (Veveco), Éolo Maia, Gustavo Penna, Maria Josefina Vasconcelos, João Diniz, Mariza Coelho, Flávio Almada, Joel Campolina, Júlio Teixeira, Carlos Alberto Viotti, Fernando Ramos e Vinicius Meyer.


"Precisamos trabalhar o espaço entre o construído e o não construído, na dimensão imaterial do encontro das pessoas. Para que elas saiam do casulo e possam exercer a cidade. Criar vazios que serão preenchidos pelo cidadão. Buscar uma cidade onde nossos olhos possam respirar." (Gustavo Penna).

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© Sérgio Freitas Belo Horizonte - Museu de Arte da Pampulha - Sérgio Freitas Museu de Arte da Pampulha
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Fachada E. E. D. Pedro II-Arq. Neocolonial - Maria Lucia Dornas Fachada E. E. D. Pedro II-Arq. Neocolonial
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Det. fachada Conservatório UFMG-Arq. Eclética - Maria Lucia Dornas Det. fachada Conservatório UFMG-Arq. Eclética
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Det.da fachada Palácio da Justiça-Arq.Eclética - Maria Lucia Dornas Det.da fachada Palácio da Justiça-Arq.Eclética
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Calçada da Praça Raul Soares - Maria Lucia Dornas Calçada da Praça Raul Soares
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Calçada da Praça Raul Soares - Maria Lucia Dornas Calçada da Praça Raul Soares
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© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Edifício Parc Royal - Maria Lucia Dornas Edifício Parc Royal
© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - Edifício Niemeyer - Pça da Liberdade - Maria Lucia Dornas Edifício Niemeyer - Pça da Liberdade
© Marcos Tulio Barreto Belo Horizonte - Trecho da rua da Bahia com Ed. Sulacap ao fundo - Marcos Tulio Barreto Trecho da rua da Bahia com Ed. Sulacap ao fundo
© Marcos Tulio Barreto Belo Horizonte - Centro de Cultura Belo Horizonte - Marcos Tulio Barreto Centro de Cultura Belo Horizonte
© Marcos Tulio Barreto Belo Horizonte - Exemplo de arquitetura eclética - Marcos Tulio Barreto Exemplo de arquitetura eclética
© Marcos Tulio Barreto Belo Horizonte - Det. Edifício Niemeyer - Marcos Tulio Barreto Det. Edifício Niemeyer
© Marcos Tulio Barreto Belo Horizonte - Detalhe da fachada do Edifício Parc Royal - Marcos Tulio Barreto Detalhe da fachada do Edifício Parc Royal
© Danielli Vargas Belo Horizonte - Viaduto Santa Teresa - Danielli Vargas Viaduto Santa Teresa
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