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Pintura - Século 19

© Divanildo Marques Catas Altas - Santa Ceia de Athaíde - Divanildo Marques Santa Ceia de Athaíde

Até a década de 20 do século 19 temos os pintores executando os últimos trabalhos decorativos nos templos mineiros que haviam sido construídos no setecentos. A última grande obra foi a Santa Ceia, que o mestre Ataíde executou para o Santuário do Caraça.


Em 1808, a família real portuguesa se instala no Rio de Janeiro fugindo das invasões napoleônicas, o que acaba por motivar, em 1815, a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves.


A vinda de artistas franceses, fato que se denominou “Missão Artística Francesa”, estava entre as medidas inovadoras de D.João VI para com a “colônia-reino”. A chegada dos novos artistas traz novos ares culturais para o Brasil e faz com que toda a produção e artistas da colônia passem a ser menosprezados. Assim, a estética neoclássica vai sendo imposta pela Coroa Portuguesa, recebendo, em seguida, inclusive o aval do Império.


A Academia Imperial de Belas Artes, instalada no Rio de Janeiro, ignorou completamente as províncias. As pessoas interessadas no aprendizado da pintura tinham que ir para a capital do Império para poder tentar uma vaga.


Em 1818, Mestre Ataíde escreveu a D. João V pedindo a autorização para a instalação de uma escola de artes na cidade de Mariana. O pedido não foi atendido, pois todos os planos a respeito do assunto foram canalizados para o Rio de Janeiro. A primeira escola de artes em Minas só seria instalada no ano de 1886. O responsável pelo Liceu de Artes e Ofício de Ouro Preto foi o pintor mineiro Honório Esteves, que estudou na Academia Imperial de Belas Artes. Entre as obras de Honório estão várias cenas do antigo Arraial do Curral Del Rei, que foi demolido para dar lugar à construção de Belo Horizonte. Nascido na cidade do Serro, Belmiro de Almeida foi um dos mais importantes pintores do final do século 19 e início do 20. No acervo do Museu Mineiro, em Belo Horizonte, está “A má notícia”, sua notável tela.


Durante as décadas do século 19, a Capitania das Minas foi visitada por diversos pesquisadores e artistas estrangeiros, que retrataram paisagens e cenas mineiras como Rugendas. Mas, o único a deixar obras na Província foi o alemão Georg Grimm, primeiro professor da Academia Imperial de Belas-Artes a romper com a rigidez do ensino acadêmico e iniciar, no Brasil, a técnica da pintura ao ar livre. Suas pinturas que aqui estão são: o Pano de Boca para o Teatro de Sabará, com uma vista da cidade, e duas telas que estão na capela-mor da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São João del-Rei.


No final do século 19, a comissão construtora de Belo Horizonte contrata artistas para as obras decorativas dos principais prédios públicos. Frederico Steckel ficou responsável pela equipe de decoradores, formada por pintores e escultores. O francês Émile Rouéde, radicado em Ouro Preto,  lecionava no Liceu de Artes e Ofícios e foi contratado pela comissão construtora da nova capital para executar três telas com cenas do Arraial do Curral del Rei – “Rua Sabará”, “Largo da Matriz” e Alto Cruzeiro, que, hoje, pertencem ao acervo do Museu Histórico Abílio Barreto.


A nova capital motivou a vinda de artistas e deu um novo impulso às artes mineiras.

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