Cultura

Artes

Senac
  • Logo Senac Minas
  •  
  • Hotel Grogotó

Literatura século 18

Cláudio Manoel da Costa, Tomaz Antônio Gonzaga, José Inácio de Alvarenga Peixoto, Manoel Inácio da Silva Alvarenga, Frei José de Santa Rita Durão, José Basílio da Gama foram os responsáveis pelas primeiras produções literárias em Minas Gerais.


Os três primeiros pertenceram à elite da Capitania das Minas e se envolveram diretamente no movimento da Inconfidência Mineira. Como ex-estudantes da Universidade de Coimbra, tiveram a oportunidade de uma educação formal e de estar em contato com um ambiente cultural bem diverso do da colônia, onde os livros eram proibidos de circular. No período em que viveram e conviveram na Capitania, produziram suas melhores obras. Os três últimos nasceram na Capitania, mas viveram grande parte de suas vidas fora de Minas e suas produções literárias aconteceram em Portugal e no Rio de Janeiro.


Literariamente, na segunda metade do século 18 vivia-se em Portugal o período do Arcadismo. Este estilo se originou em Roma, no final do século 17, como uma reação antibarroca que procurava uma linguagem simples, natural, clara, direta, utilizando as ordens diretas das palavras e o uso moderado de figuras de estilo. O poeta se vê como pastor que, dentro de ambiente bucólico, declara seu amor de forma elegante a sua musa inspiradora.


Seus temas preferidos foram:

- o culto a natureza;

- a vida simples no campo;

- o contato direto com a natureza;

- as virtudes; e

- a sabedoria.


O nome vem de Arcádia, uma lendária região da Grécia onde pastores devotos do deus Pã passavam o dia a tocar flauta e compor odes as suas amadas. Na imitação dos gregos, fundaram academias às quais deram o nome de Arcádias. A primeira Arcádia foi a Arcádia Romana, fundada em 1690. Arcádia Lusitana foi o nome da academia literária fundada em Portugal no ano de 1757. Segundo a tradição, em 1769, Cláudio Manoel da Costa fundou em Vila Rica a Arcádia Ultramarina, aos moldes da Arcádia Lusitana. Não existe comprovação que tenha existido na Capitania da Minas uma academia estruturada.


O marco do arcadismo mineiro foi o livro Obras Poéticas, de Cláudio Manoel da Costa, publicado em 1768. Devido à qualidade das obras produzidas em Minas Gerais e sua importância para a literatura no período colonial, o movimento acabou por ganhar no Brasil o nome de Arcadismo Mineiro ou Escola Mineira.


Musas, canoras Musas, este canto
Vós me inspirastes, vós meu tenro alento
Erguestes brandamente àquele assento.
Que tanto, Musas, prezo, adoro tanto.

Cláudio Manoel da Costa


Na década de 80, Tomaz Antônio Gonzaga, assumiu o cargo de Ouvidor em Vila Rica, no período que aí permaneceu produziu suas melhores obras: Marília de Dirceu, editada em 1792, e as Cartas Chilenas, que circularam em Vila Rica nos anos de 1788 e 89.


Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
que viva de guardar alheio gado,
de tosco trato, de expressões grosseiro,
dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
das brancas ovelhinhas tiro o leite,
e mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela.
graças à minha Estrela!

Tomáz Antônio Gonzaga


Obras de destaque escritas por mineiros foram: O Uruguay, escrito por José Basílio da Gama, editado em 1769 pela Régia Oficina Tipográfica, de Lisboa. A obra é um poema épico que conta sobre a expedição de portugueses e espanhóis contra as missões jesuíticas do Rio Grande. A obra em seu âmago é uma celebração à administração do todo poderoso primeiro ministro de Portugal, o Marques de Pombal. O crítico literário Antônio Candido diz que , "por ventura a mais bela realização poética do nosso Setecentos".


Na idade em qu'eu brincando entre os pastores
Andava pela mão e mal andava,
Uma ninfa comigo então brincava
Da mesma idade e bela como as flores
Eu com vê-la sentia mil ardores;
Ela punha-se a olhar e não falava;
Qualquer de nós podia ver que amava,
Mas quem sabia que eram amores.

Basílio da Gama


Quase treze anos depois, o Frei José de Santa Rita Durão publicou o poema épico do Descobrimento da Bahia, intitulado Caramuru. Esta obra, ao contrário do O Uruguay, trata o período pombalino como um período terrível na história de Portugal.



Árcades Mineiros


Frei José de Santa Rita Durão
(1722 - 1784)

Caramuru


Cláudio Manuel da Costa (1729 - 1789) - nome árcade: Glauceste Satúrnio

Obras Poéticas - 1768

O Parnaso Obsequioso - 1768

Vila Rica - 1773


José Basílio da Gama (1741 - 1795) - nome árcade: Termindo Sipílio

Epitlâmio da Excelentíssima Senhora D. Maria Amália - 1769

O Uruguay - 1769

Os Campos Elíseos - 1776

Lenitivo da Saudade - 1788

Quitúbia - 1791


José Inácio de Alvarenga Peixoto (1744 - 1792)

Canto Genetlíaco

Obras Poéticas (1ª edição - 1865)


Tomás Antônio Gonzaga (1744 - 1810) - nome árcade: Dirceu

Marília de Dirceu - 1792 (1ª publicação)

Cartas Chilenas


Manuel Inácio da Silva Alvarenga (1749 - 1814) - nome árcade: Alcindo Palmireno

Desertor das Letras - 1774

O Templo de Netuno - 1777

A Gruta Americana - 1779

Glaura - 1799

Às Artes - 1788

Enviar link