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Literatura século 20

Minas Gerais foi pródiga em intelectuais e escritores no século 20, tanto que proporcionou ao Brasil dois de seus maiores escritores: Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa.


O destaque, ao iniciar o século, é para o poeta simbolista Alphonsus de Guimarães (1870 - 1921), autor de Kyriale e Dona Mística. O alto teor místico de sua obra, o faz o maior do gênero no Brasil.


"Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.


No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar..."


No mesmo período, o escritor da escola realista Avelino Foscolo (1864 - 1944) escreveu as seguintes obras: O Mestiço (1903), que retrata hábitos sociais de uma fazenda e a triste realidade dos escravos; A Capital (1903), o primeiro romance ambientado em Belo Horizonte, onde denuncia as falcatruas da distribuição de lotes; O Caboclo (1902); e O Jubileu (1920). Avelino foi membro da Academia Mineira de Letras. A Academia foi fundada em Juiz de Fora, em 13 de maio de 1909. Seis anos depois, transferiu-se para Belo Horizonte. Alphonsus de Guimarães foi um dos 40 sócios fundadores.


Em 1917, Djalma Andrade lançou a obra Trovas Cívicas. Para celebrar o cinqüentenário de Belo Horizonte, começou a escrever, em 1947, uma série de crônicas intituladas - História Alegre de Belo Horizonte, que acabou se tornando um grande sucesso durante vários anos no jornal Estado de Minas.

 

OS ANOS 20


Os anos 20 trouxeram os ideais da modernidade para o país. O primeiro passo foi a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922. Em Minas Gerais, a primeira manifestação na área da literatura foi a publicação modernista A Revista . Editada em 1925 e 1926, ela teve como idealizadores: Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Francisco Martins de Almeida, Gregório Canedo e Pedro Nava, que se reuniram desde 1921 com esta finalidade. "Embora sem o característico radicalismo das vanguardas, A Revista demonstra preocupações de expressão moderna, como no texto "Poética, de Manuel Bandeira (‘Estou farto do lirismo comedido'), e nos poemas de Carlos Drummond de Andrade, em que a temática do construtivismo urbano encontra expressão numa poesia sintética bem próxima da do Pau- Brasil oswaldiano."(Jorge Schartz).


Outra publicação modernista foi a Revista Verde, idealizada por quatro jovens audaciosos de Cataguases, que, influenciados pela Semana de Arte de 1922, acabaram se tornando parte da história da literatura mineira. A revista ia além de uma simples publicação. Ela era o veículo do Grupo Literário Verde, um espaço para se discutir e divulgar as idéias modernistas. Publicaram textos e poemas de autores que nas próximas décadas se consagrariam como os maiores escritores brasileiros do século 20. O grupo era formado por: Francisco Inácio Peixoto, Guilhermino César, Ascânio Lopes e Enrique Resende. A revista teve cinco números, que foram publicados de setembro de 1927 a janeiro de 1928, e um número em 1929 em homenagem a Ascânio Lopes. Movimentos deste tipo, fora do eixo Rio - São Paulo, são chamados de vanguardas dispersas.


Ascânio Lopes
(1906 - 1929) liderou o Movimento Verde em Cataguases. Apesar dos poucos anos que viveu, foi de grande importância para o modernismo em Minas Gerais. Obras: A casa da Família, O Revoltado, Natal do Tuberculoso, Sanatório, Serão do Menino Pobre, Cataguases .


Na Revista Antropofágica, Drummond publicou em 1928, pela primeira vez, o poema No meio do caminho, que escandalizou os convencionais leitores brasileiros. Dois anos depois, publicou seu primeiro livro Alguma Poesia.


Um romance que marcou a década de 20 foi João Ternura, de Aníbal Machado, lançado em 1926. Eduardo Frieiro estreou na literatura em 1927, mas seus dois livros que se tornaram clássicos da literatura mineira, O Diabo na Livraria do Cônego e Feijão, Angu e Couve, foram editados nas décadas de 50 e 60, respectivamente.


As gerações dos anos 20 e 30 foram as responsáveis pela grande renovação da literatura mineira.


A GERAÇÃO DOS ANOS 20

Aníbal Machado (Sabará, 1894 - 1964)

Abgar Renault (Barbacena, 1901 - 1995). Eleito para Academia Brasileira de Letras em 1968, ocupou a cadeira nº 12.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902 - 1987)

Eduardo Frieiro (Matias Barbosa, 1889 - 1982)

Emílio Moura (Dores do Indaiá, 1902-1971)

Francisco Martins de Almeida

Mário Casassanta

Pedro Nava (Juiz de Fora, 1903 - 1984)

Henriqueta Lisboa (Lambari, 1904 - 1985). Primeira mulher a pertencer à Academia Mineira de Letras.

Eduardo Frieiro (1892 - 1982)

 

OS ANOS 30


A década de 30 revelou um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos - João Guimarães Rosa. Em 1936, ganhou um prêmio da Academia Brasileira de Letras pela coletânea de poemas sob o título de Magma. Em 1930, Murilo Mendes lançou seu primeiro livro, Poemas, que recebeu o prêmio Graça Aranha. O modernismo vai se afirmando através da década, preparando caminho para as valiosas gerações que estavam por vir.


A GERAÇÃO DOS ANOS 30

Murilo Mendes (Juiz de Fora, 1901 - 1975)

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 1908 - 1967). Eleito para Academia Brasileira de Letras em 1963, ocupou a cadeira nº 2.

Aires da Mata Machado (Diamantina, 1909 - 1985)

Abílio Barreto (Diamantina, 1883 - 1959)

Lúcio Cardoso (Curvelo, 1912 - 1968)

 

OS ANOS 40


"A palavra é meu alimento". Esta frase é do escritor mais premiado no Brasil, Autran Dourado, um dos fortes nomes da geração que surgiu na década de 40. Sua obra Ópera dos Mortos foi escolhida pela Unesco para integrar a coleção de obras representativas da literatura universal. Seu primeiro livro foi lançado em 1947.


Minha Vida de Menina, de Helena Morley, lançado no ano de 1942, tornou-se um grande sucesso, sendo, hoje, reconhecido como um referencial para a compreensão do papel da mulher e dos costumes na sociedade mineira do final do século 19, não deixando de ser um documento sociológico das relações de classe, cheia dos vícios em uma sociedade escravagista. Na realidade, Helena é o pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant (Diamantina,1880 - 1970), que escreveu apenas este livro em sua vida. O cotidiano de sua vida em Diamantina, entre os anos de 1893 e 1895, é contada de maneira cativante e envolvente.


A revista Edifício, outro marco literário mineiro no período, teve apenas quatro edições, mas foi o suficiente para expressar, debater e refletir os pensamentos e angústias de uma geração do pós-guerra e pós-ditadura Vargas. Em uma produção artesanal do poeta Wilson Figueredo e Autran Dourado, contou com os seguintes redatores: Sábato Magaldi, Otto Lara Resende, Edmir Fonseca e Pedro Paulo Ernesto. O número 2, considerado o melhor das quatro edições, teve a colaboração de Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes, Augusto Frederico Schmidt, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa e Bueno Rivera. "Trata-se de uma revista de moços, è de se presumir, portanto, que tenha veleidades revolucionárias, deseje conquistar o mundo ou salvar a honra da pátria. Não ouso dizer que uns não acariciam o propósito de restaurar a dignidade humana. Mas o nosso edifício, em geral, é habitado por tristes moradores." (In: Revista Edifício, nº1 , janeiro de 1946) .


A GERAÇÃO DOS ANOS 40

Autran Dourado (Patos de Minas, 1926)

Murilo Rubião (Silvestre Ferraz, 1916 - 1991 )

 

OS ANOS 50


"A vida é esta, descer a Bahia e subir Floresta. Quem não morou em Belo Horizonte, ao ouvir o mineiro suspirar num momento de cansaço e bobice a vida é esta, descer a Bahia e subir Floresta, não há de entender, perdendo-se em noções de selva e Estado. Nada disso. A vida é descer a rua da Bahia, que tinha dois ou três quarteirões de cidade grande, de prazer; depois que se atravessava o estirão da Avenida Afonso Pena, a rua da Bahia caía em declive desagradável para o vale das estações de estrada de ferro, ficava desolada, comprida, estéril, acabando por subir sem fôlego e sem esperança o bairro da Floresta. Era a vida." (Paulo Mendes Campos).


Foi marcante para a cultura mineira o surgimento, na década de 50, de uma geração tão expressiva, tão sensível, que influenciou escritores mineiros e brasileiros nas décadas seguintes.


A GERAÇÃO DOS ANOS 50

Fernando Sabino (Belo Horizonte, 1923)

Paulo Mendes Campos (Belo Horizonte, 1922 - 1991)

Helio Pelegrino (Belo Horizonte, 1924 - 1988)

Otto Lara Resende (São João del-Rei, 1922 - 1992)

Mário Palmério (Monte Carmelo, 1916 - 1968). Eleito para Academia Brasileira de Letras em 1968, ocupou a cadeira nº 2.

Lúcia Machado de Almeida (1920, Santa Luzia)

Rui Mourão (Bambuí, 1929)

Laís Corrêa de Araújo (Campo Belo, 1928)

 

OS ANOS 60


As inquietudes de uma geração que vê o país passar por transformações sociais, políticas e econômicas extravasaram seus sentimentos através de poesias, contos e romances. O conto foi o gênero preferido, tanto que a época é conhecida como "geração suplemento". Em 1966, começou a circular o suplemento literário do "Minas Gerais", que foi uma grande oportunidade para a nova geração. Assim, o suplemento reuniu os escritores já consagrados pelo público e crítica e os estreantes, era um ponto de encontro de gerações e estilos. O suplemento literário foi uma ótima contribuição para divulgação da cultura mineira. Foram importantes colabores: Eduardo Frieiro, Emílio Moura, Cyro dos Anjos, Moacir Andrade, José Guimarães Alves, Murilo Rubião, Mário Matos e Vivaldi Moreira.


A GERAÇÃO DOS ANOS 60

Affonso Romano de Sant'Anna (Belo Horizonte, 1937)

Rubem Fonseca (Juiz de Fora, 1925)

Oswaldo França Junior (Serro, 1936 - 1989)

Ziraldo (Caratinga, 1932)

Ivan Ângelo (Barbacena, 1937)

Affonso Ávila (Belo Horizonte, 1928)

Frederico de Morais (Belo Horizonte, 1936)

Luís Vilela (Ituitaba, 1943)

Márcio Sampaio (Itabira, 1941)

Silviano Santiago (Formiga, 1936)

 

OS ANOS 70


Apesar das dificuldades devido a forte censura e controle dos anos 70, a indústria cultural brasileira demonstrou um grande crescimento. Novas publicações chegaram ao mercado, tanto quanto livros, revistas e jornais. A saída para driblar a censura foi a metáfora. "Era a linguagem retórica, metafórica, fantástica, habituando os leitores a ler nas entrelinhas." (Norma Couri). Mas, também, foi o período da "poesia marginal" e da "geração mimeógrafo", que publicava seus textos mimeografados e os vendia em locais de grande concentração de pessoas, principalmente na entrada de eventos culturais. Foi comum, também, o sistema de varal. Para divulgar as obras, dependuravam-nas em varais, como nas entradas das Universidades. No final da década de 70, foram comuns os relatos dos que participaram da luta armada.


Foi também a época do conto. "Entra na moda um novo e carinhoso retrato de escritor, o "contista mineiro", descendente legítimo das gerações de Carlos Drummond, Fernando Sabino e Otto Lara Resende." (Ítalo Moriconi)


A GERAÇÃO DOS ANOS 70

Adélia Prado (Divinópolis, 1935)

Roberto Drummond (Ferros, 1939 - 2002)

Antônio Barreto (Passos, 1954)

Wander Piroli (Belo Horizonte, 1931)

Rubem Alves (Boa Esperança, 1933)

Henfil (Ribeirão das Neves, 1944 - 1988)

Mário Prata (Uberaba, 1946)

Brasil Borges (Formiga, 1923)

Vivina de Assis Viana (Oliveira, 1940)

Luiz Fernando Emediato (Belo Vale, 1951)

Júlio Borges Gomide (Pedra Azul)

Jeferson de Andrade (Paraguaçu, 1947)

Branca Maria de Paula (Aimorés, 1946)

Rachel Jardim (Juiz de Fora)

 

OS ANOS 80


Na década de 80, aconteceu um interessante movimento em Juiz de Fora. Um grupo com o nome de "Abre Alas" reunia poetas que recitavam poesias e faziam discursos pela rua Hafeld, a principal da cidade, usando um megafone. Esse movimento acabou por dar origem à revista de literatura D'Lira. "A literatura era feita como uma reação contra a política recessiva da época e íamos à rua buscar um espaço livre para mostrá-la." (Lacyr Anderson)


Geração dos anos 80

Bartolomeu Campos de Queiroz (Pará de Minas, 1944)

Lacyr Anderson

Carlos Ávila 

 

AS ÚLTIMAS GERAÇÕES

São as gerações da heterogeneidade. Poetas, contistas e romancistas premiados como Luís Giffoni fazem o panorama da literatura mineira nessas últimas décadas.


A partir de março de 2003, organizados por Murilo Rubião, voltam a circular os suplementos literários do jornal Minas Gerais, tendo como inspiração os suplementos da década de 60. "O Suplemento Literário passa, também, a divulgar e a privilegiar, prioritariamente, a produção intelectual mineira." (Luiz Roberto Nascimento e Silva). Promovendo não apenas os escritores, mas, também, os artistas plásticos de Minas, o suplemento circula na última semana de cada mês e cada edição traz ilustrações de um artísta mineiro.


Luís Giffoni

Luiz Ruffato (Cataguases, 1961)

Donizete Galvão (Borda da Mata, 1955)

Ronald Polito (Juiz de Fora, 1961)

Fabrício Marques (Manhuaçu, 1965)

Ricardo Aleixo (Belo Horizonte, 1960)

Ésio Macedo Ribeiro

 

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