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Ciclo Junino

© Rubio Grazziano Belo Horizonte - Folia na rua - Rubio Grazziano Folia na rua

Animação e alegria por toda Minas Gerais !


As tradicionais Festas Juninas alegram os mineiros durante os meses de junho e julho. O Portal Descubraminas acende a fogueira para mostrar aos internautas um pouco da história dessa festa popular. Pegue seu chapéu de palha e venha conhecer o Ciclo Junino das Gerais!


Ciclo Junino
O ciclo junino ocorre de junho a julho. É o período de homenagens a Santo Antônio de Pádua.
Data de comemoração: 13 de junho.


Origem
Antônio, cujo nome de batismo é Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo, nasceu em Lisboa em 1195. Aos 15 anos, entrou no Colégio dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Estudou teologia, filosofia e ciências em Coimbra, ordenando-se padre. Nesta época, a Ordem Franciscana fundou em Portugal o primeiro convento. Admirado pelos costumes dos frades franciscanos, entrou para a Ordem em 1220, com o nome de Antônio Oliveira.


Partindo para o Marrocos, para pregar e converter os mouros, foi acometido por uma doença durante a viagem e teve frustrados seus planos de ser um missionário. Na volta do Marrocos ocorreu um acidente que arrastou sua embarcação para as costas sicilianas. Desembarcou e morou alguns meses em Messina, no convento dos franciscanos, até que seu superior o levou a Assis, onde conheceu pessoalmente Francisco de Assis.


Viveu a vida eremítica num convento perto de Forlí onde foi incumbido das funções de cozinheiro. Frei Antônio viveu na obscuridade até que, percebendo seus dons de pregador, os superiores enviaram-no à Itália e França, onde o Frei pregou em diversas cidades. Antônio passou a ter morada fixa num convento de Arcella, de onde saía para pregar, aonde quer que dele precisassem.


Percorreu toda a Europa combatendo as heresias de sua época. Morreu em Arcella, no ano de 1231. O 'santo' como era chamado em Pádua, foi canonizado um ano após sua morte, apoiado por uma crescente popularidade.


Foi um dos pregadores itinerantes mais conhecidos do século 13. São Francisco o chamava de 'meu bispo'.Santo Antônio é protetor de Portugal desde o período Imperial. Sua popularidade chegou ao Brasil pelos portugueses, mais precisamente por influência dos frades franciscanos. Foi proclamado Doutor da Igreja, pelo Papa Pio IX, em 1934.


A popularidade de Santo Antônio advém também do fato de ele ser considerado pela tradição um “santo casamenteiro”. Santo que ajuda a achar coisas perdidas e a conquistar causas impossíveis. Por isso, é tão louvado pelos fiéis católicos.


Diversos municípios mineiros fazem festas em homenagem a Santo Antônio. O “Santo Casamenteiro” é Padroeiro dos seguintes municípios:
Alvorada de Minas, Astolfo Dutra, Caetanópolis, Cajuri, Campanha, Canaã, Caparaó, Chiador, Coluna (apresentação da guarda de Marujos e Bumba-Meu-Boi), Cristiano Otoni, Curvelo, Diamantina, Ewbank da Câmara, Fortuna de Minas, Goiana, Gouveia, Governador Valadares, Grão Mogol, Ibertioga, Igarapé, Igaratinga, Inimutaba, Itabirinha de Mantena, Itacambira, Itapagipe, Itaverava, Itinga, Itutinga, Jacinto, Jampruca, Juiz de Fora, Lagoa Dourada, Mamonas, Mantena, Maravilhas, Mateus Leme (as cavalhadas se apresentam durante a festa); Mato Verde, Mesquita, Miraí, Ouro Branco, Ouro Preto - distrito de Santo Antônio do Salto, Palmópolis, Paracatu, Patos de Minas, Peçanha, Pequi, Piranguçu, Planura, Pratinha, Presidente Bernardes, Prudente Morais, Riacho dos Machados, Rio Acima, Rio Doce, Santa Bárbara, Santa Bárbara do Tugúrio, Santo Antônio do Amparo, Santo Antônio do Aventureiro, Santo Antônio do Grama, Santo Antônio do Itambé, Santo Antônio do Jacinto, Santo Antônio do Monte, Santo Antônio do Norte, Santo Antônio do Rio Abaixo, Sardoá, Sete Lagoas, Silverânia, Teixeiras, Tiradentes e Tiros, onde a festa acontece em julho.


Festas nos Municípios
Locais de Romaria:
Sabará: bairro Roça Grande
Romaria (Turismo Religioso);
São Francisco: povoado de Santo Antônio da Serra das Araras – romarias, encontro de violeiros e repentistas, vaquejadas e rodeios;
Unaí: Romaria ao povoado de Santo Antônio do Boqueirão.


Festas Juninas em homenagem a Santo Antônio
Caratinga
Guaxupé: procissão de cavaleiro e Arraiá da Solidariedade;
Pirapora: “Forrozando com Você”;
Sabará: bairro Roça Grande (turismo religioso) - romarias;
São João del-Rei;
São Francisco: povoado de Araras;
Unaí: Comunidade do Boqueirão;
Frutal;
Pratinha: a festa acontece em abril, homenageando também São Sebastião;
Jaboticatudas: “Arraial do Jabó”;
Pouso Alegre: festa no Bairro Santo Antônio;
Nova Lima: “Festejando Santo Antônio” e “Forró Novalimense”;
Lagoa Santa: Festa de Santo Antônio e Festa no bairro Lagoinha de Fora;
Belo Vale: Festa em Roças Novas de Baixo;
Morada Nova de Minas: “Arraial da Felicidade”;
Buritizeiro: “Arraiá dos Buritis”;
Conceição do Rio Verde: Festa de Santo Antônio;
Campina Verde: “Festa do Arraial”;
Mariana: “Arraial do Carmo”;
Conselheiro Lafaiete: “Arraiá do Povão”;
Esmeraldas: “Arraiá do Povão”;
Montes Claros: Festa de Santo Antônio;
Ouro Preto, nos distritos de Cachoeira do Campo, Amarantina e Santa Rita de Ouro Preto;
Patrocínio: “Corrida da Fogueira”;
Muriaé: “Corrida da Fogueira”;
Itabira: fogueira da Ponte dos Machados, no povoado de Ponte dos Machados;
Divisa Nova: “Festa do Quentão”;
São Romão: “Forró da Vila”;
São Tomé das Letras: “Festa Junina Harmonia”, na zona rural;
São Francisco: “Forró Feliz”.


São João Batista
São João Batista era filho de Isabel e primo de Jesus.
Data de comemoração: 24 de junho


Origem
Seus pais, Zacarias e Isabel, tiveram-no já com idade avançada. Quando nasceu, seu pai se encheu pelo Espírito Santo, como lembrado em “Lucas 1, 5-23”.
João batizou Jesus e é lembrado em Marcos, capítulo 1, Lucas capítulo 3, João capítulo 1.


Foi o precursor do Messias. Cristo fazia várias referências sobre a sua pessoa, colocando-o em evidência. Foi chamado pelo próprio Jesus de “o maior entre os nascidos de mulher”.


João Batista combateu a hipocrisia e a imoralidade. Pagou com o martírio, o rigor moral que ele não só pregava, mas punha em prática, sem ceder mesmo diante da ameaça de morte.Herotíades, cunhada e amante de Herodes, mandou sua filha Salomé, dançar para Herodes. Induzida pela mãe, ela pediu de presente a cabeça de João Batista. Ele foi decapitado em Makeros, em 29 de agosto, no ano de 31.


Na história da Igreja Católica, João Batista foi o último profeta e o primeiro apóstolo. É quem precede o Messias e lhe dá testemunho. A palavra João, que significava “Deus é propício”. Chamavam-no de Batista pelo fato de ser um “batizador”.


São João é um dos poucos santos em que se homenageia no dia de seu nascimento. Os festejos comemorando a vida já existiam. Por isso, é comum que sua icnografia seja apresentada nos mastros e gravuras na figura de um menino.


História Popular

Maria e Isabel
Maria e Isabel ficaram grávidas no mesmo ano. A mãe de Jesus se propôs a ajudar Isabel, mas, para se comunicarem, combinaram que se o filho de Isabel nascesse à noite, ela deveria acender uma fogueira no alto do morro. Caso nascesse durante o dia, deveria colocar um mastro com uma bandeira branca como sinal, para que Maria soubesse e fosse para sua casa.


Quando São João nasceu, em uma noite muito bonita, Maria foi visitá-lo. Levou de presente uma capelinha, um feixe de palha, folhas de manjericão e flores perfumadas. Por isso, o povo faz a fogueira e levanta o mastro em homenagem aos santos do mês. Canta versos que falam de fogueira, noite estrelada, rosas, cravos, manjericão e capelinha.


Festas em: Manhuaçu, Pedra Dourada, Raul Soares, Campos Altos, Lagoa Formosa, Ibiá, Carlos Chagas, Itaobim, Cristiano Otoni, Pará de Minas


São João é padroeiro nos seguintes municípios:
Almenara, Arapuá, Arceburgo, Barão de Cocais, Bertópolis, Cachoeira de Minas, Cachoeira Dourada, Caiana, Galiléia, Itamonji, Itueta, Itamarandiba, Itacarambi: na comunidade de São João das Missões; Ouro Verde de Minas, Padre Paraíso, São João Batista do Glória, São João do Oriente, São João da Mata.


Festas Juninas em homenagem a Santo João:
Abadia dos Dourados
Abaeté
Araxá
Campos Altos
Caratinga: “Arraial de São João”
Carlos Chagas
Cristiano Otoni
Guaxupé
Ibiá
Inimutaba
Itaobim
Jaboticatubas - Comunidade do Matição
Lagoa Formosa
Monjolos
Manhuaçu
Montes Claros
Morro do Pilar
Ouro Preto: “Morro de São João”
Pará de Minas
Pedra Dourada
Perdizes
Pouso Alegre
Raul Soares
São Sebastião do Paraíso


São Pedro e São Paulo
Data de comemoração: 29 de junho


Origem
São Pedro e São Paulo foram as colunas basilares da Igreja Católica primitiva.

A solenidade dos Santos Pedro e Paulo é uma das mais antigas do ano litúrgico e foi introduzida muito antes da festa do Natal.


São Pedro
Seu verdadeiro nome era Simão, mas Cristo lhe mudou o nome e o chamou “pedra”, para nele, realizar o tema da pedra fundamental da Igreja. Simão Pedro é um dos primeiros a testemunhar a Ressurreição, ao encontrar o sepulcro vazio. Quando foi a Roma, Pedro cumpriu sua missão de “pedra angular” e “ratifica” esta vocação com seu sangue.


São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, em respeito a Jesus, em Roma, em 29 de junho, no ano 67, no local onde hoje está a Basílica de São Pedro, no Vaticano.


Devoção Popular
São Pedro é protetor dos pescadores e das viúvas. Várias procissões fluviais são realizadas em diversas cidades de Minas. Os fiéis enfeitam seus barcos e saem em procissão. A procissão fluvial em homenagem a São Pedro é comum nas cidades ribeirinhas, com concentração de pescadores.


São Paulo
Também chamado “O Apóstolo dos Gentios” converteu-se ao Cristianismo na  entrada da Porta de Damasco. Tornou-se o grande missionário do Cristianismo. Percorreu a Ásia Menor e atravessou todo o Mediterrâneo em várias viagens. Elaborou uma teologia cristã e ao lado dos Evangelhos, suas epístolas perpetuam suas atividades apostólicas.Paulo foi decapitado no ano de 67, fora dos muros de Roma, por que era cidadão romano. No local de sua morte está a Basílica de São Paulo.


São Paulo é protetor da Ação Católica, Apostolado Leigo. Também é protetor da Ilha de Malta e da Grécia.


Histórico das Festas Juninas
As manifestações culturais típicas nas Festas Juninas têm suas origens antes do nascimento de Cristo. Desde a Pré-História, época em que o homem começou a plantar e a pastorear, também começou a fazer preces e rituais de agradecimento, pedidos e invocações, para terem fartura de alimentos.


Eram oferecidos à Divindade um pouco da colheita ou um animal. Aquela sociedade necessitava da fertilidade da terra e dos animais; dependiam de condições benéficas do clima e da natureza. Por isso, realizavam gestos que simbolizavam os agradecimentos como a dança gestual ou coreográfica e cantorias; acendiam fogueira para espantar os maus espíritos. Ao redor da fogueira faziam sons, danças, cantorias e enfeitavam árvores para afugentar tudo que fosse de ruim.


No Egito, na Grécia e na Pérsia, no período que corresponde ao mês de junho, a população fazia rituais de fertilidade, pedindo aos seus Deuses para chover na terra e terem boas colheitas. Na Europa os rituais eram acrescidos de danças ao redor das fogueiras para espantar os maus espíritos. No hemisfério norte, durante o mês de junho – o solstício de verão – é tempo de colheita.


Os romanos deram o nome a esta festa da fertilidade de “junônias”, em homenagem à deusa Juno, no mês a ela dedicado, ou seja, junho. Quando o Cristianismo foi implantado na Europa, tentou-se acabar com essas tradições milenares oriundas do paganismo.


Mais tarde, o Cristianismo apropriou-se de alguns rituais das festas junônias como fogueiras, barulhos em torno de mastros enfeitados e danças ao redor da fogueira. Dessa maneira era possível representar a força revitalizadora e transformadora da natureza no reino vegetal e animal – tudo em homenagem ao nascimento de São João, no dia 24 de junho.


Lembrando a fertilidade de plantas e animais, neste período, surgiram as simpatias, as adivinhações, costumes e rituais que se referem ao amor e ao casamento. Por isso, há nas festas juninas, a encenação do ritual do casamento: a noiva, sempre aparece grávida, trazendo dentro de si, os sinais da vida.


Foram os povos franceses, espanhóis, italianos e portugueses que começaram a fazer as festas juninas.Quando Tomé de Souza, em 1549, trouxe os Jesuítas para o Brasil, estes introduziram os festejos juninos. Acendiam fogueiras para festejar os santos do mês, fazendo a trilogia de Santo Antônio, São João e São Pedro.


Nesta época, os índios brasileiros já faziam rituais para seus deuses, utilizando a dança, a música e fogueiras para espantar os maus espíritos. Tudo isso para conseguir boas colheitas de milho, amendoim e mandioca.


Os portugueses trouxeram novas formas de preparar os alimentos e temperos utilizando os produtos alimentícios indígenas. Nesta mistura, surgem inúmeras receitas, consumidas especialmente, nesta época como a pamonha, o pé-de-moleque, canjica, bolos e cuscuz.


A antropóloga Lúcia Helena Vitalli Rangel comenta, em sua obra, que os índios brasileiros admiravam as festas juninas pela semelhança dos rituais aos seus Deuses, para terem “boas colheitas e o preparo da terra para novos plantios”.


Elementos que compõem as Festas Juninas
Apesar do caráter religioso, as festas juninas sempre têm manifestações de cunho profano. Os festejos juninos são preparados com antecedência, em espaços públicos ou privados.


Ornamentação
Em todos os lugares há produção de ornamentação típica feita com papel de seda ou crepon – bandeirolas, correntes, balões, lanternas, flores e outros adereços – herdados das colônias portuguesas do Oriente, Macau e Goa.


Todos esses ornamentos coloridos são agregados aos bambus, bananeiras e outros ramos verdes. Vasos de bambu ornados com folhas de papel e arranjos de folhas de bananeira são exemplos da criatividade popular.


Barraquinhas
São montadas barraquinhas de jogos como pescaria, bola ou argola na garrafa, boca de palhaço, rabo no burro, correio elegante, prisão do amor; comidas e bebidas típicas como quentão, vinho quente, caldos, canjica, cocada, pé-de-moleque, pipoca, amendoim torrado, maçã do amor, além de barracas de adivinhações e simpatias.


Indumentária
A indumentária é indispensável – vestidos floridos de chita enfeitados com fitas e rendas, laçarotes de fitas para enfeitar os cabelos em tranças.


Os homens com calças escuras, camisas xadrezes coloridas, botas, chapéus e lenço no pescoço. Nunca se usa remendo, pois, o homem do campo nunca vai para festas com roupas rasgadas ou remendadas. Deve-se valorizar o homem do campo, que prepara a terra, planta e colhe os alimentos, cuida do gado que fornece a carne e o leite.


Dança Típica
Nos “arraiás” juninos são comuns o forró, a quadrilha, a cana-verde e o batuque.


A quadrilha chega ao Brasil com a Família Real em 1808. É uma dança adaptada à dança inglesa que chegou à França. Da França foi para Portugal e daí veio para o Brasil.


Esta dança de salão, que era dançada aos pares nos saraus no início do século 19, foi recriada e adaptada às diversas regiões do país, principalmente depois da vinda da Missão Francesa. As quadrilhas têm as mais diversas marcações. Várias expressões francesas e portuguesas são utilizadas para o comando da coreografia, de acordo com a criatividade do marcador.


Atualmente a quadrilha sofreu várias adaptações nas mais variadas regiões brasileiras. A Secretaria de Turismo de Belo Horizonte organiza o Festival de Quadrilhas há mais de vinte anos. O Festival conta com a participação de quadrilhas de vários bairros da capital mineira, do interior do Estado e do Brasil. Junto ao festival, barraquinhas e inúmeras atrações musicais juninas, de expressão nacional, animam os convidados.


Fogueira

No interior é comum guardar as cinzas da fogueira de São João. Na quarta-feira de Cinzas, a dona da casa reúne a família e amigos: rezam e passam a cinza na testa, lembrando a frase bíblica “Tu és pó e em pó hás de tornar”.


Os fiéis aprendem essa expressão durante os ofícios religiosos na Igreja Matriz da cidade e também, quando Missionários passaram por diversas regiões.


O uso da madeira de imbaúba para a fogueira é proibido. Afinal, foi nesta árvore que São José escondeu, durante a noite, Nossa Senhora e o Menino Jesus, quando estava em fuga para o Egito.


Paus de videira também são proibidos pois, a videira produz o vinho que se transforma no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo no momentoo da Consagração, durante a missa.


Costumes Populares
Várias comunidades ainda pagam suas promessas a São João, atravessando descalças, as brasas da fogueira. A fé é tão grande que os pés não queimam. A Comunidade do Matição, em Jaboticatubas, realiza o ritual.


O tição da fogueira de junho é guardado. Nas noites escuras de trovoadas e tempestades ele é acesso.


Em locais em que o padre aparece algumas vezes no ano, os pais levam a criança para perto da fogueira e pedem a
benção de São João. Os padrinhos prometem, em juramento, proteger a criança. Rezando, pulam a fogueira três vezes, de um lado para o outro, em forma de cruz.


Para se tornar “compadre de fogueira” os interessados dão-se as mãos e gritam:
 - Viva São João!
Pulam de um lado para o outro, trocando de lugar, três vezes, em uma linha imaginária em forma de cruz. Depois dizem:
“São João dormiu,
São Pedro acordou,
Vamo sê, cumpadre,
Que Jesus Cristo mandou!”


Outra expressão:
“Boa noite amigo,
Pulemos a fogueira,
Com muita devoção.
Vamo sê, cumpadre,
Com as bênçãos de São João”


No vale do Rio São Francisco e no Vale do Jequitinhonha as comunidades mantêm a fogueira acesa em frente as suas casas até o amanhecer, para quando São João passar, visitando os locais, deixar a sua benção, pois, afinal, ali ele está sendo homenageado.


Um outro costume popular diz que a “vida se atrasa” caso a fogueira seja arrumada com os pés, alguém faça xixi na fogueira ou cuspa no fogo. Isto explica porque desde as mais remotas gerações o fogo ilumina, aquece, purifica o ambiente, é luz, assa e coze os alimentos.


Uma dica:
Para produzir as brasas, as madeiras mais duras são as indicadas.


Mastro
Há todo um ritual sagrado para o mastro. A árvore é desgalhada no local em que a pessoa indica para a retirada do mastro. Esta tarefa é feita numa sexta feira de lua minguante, por três pessoas que antes de cortar a árvore, devem tirar o chapéu e rezar o Pai Nosso. No local não se cospe. Dali parte a procissão.


Há devotos que amarram seus pedidos no mastro, produtos agrícolas, retratos e ajudam a carregá-lo até o local onde será suspenso. Ali, ele é preparado com muito entusiasmo. Os fiéis pintam ou colam franjas de papel de seda colorido em duas cores: azul e vermelho, ou de uma só cor, a gosto do devoto. Estas cores lembram a luta entre mouros e cristãos.


Preparam a ponta, pois, a bandeira não pode ser pregada, tem de ser encaixada. Se utilizar prego, seria como “pregar” Jesus na cruz novamente. A bandeira sempre tem uma madrinha que enfeita a armação ao redor da estampa do santo homenageado.


Durante a subida do mastro observa-se o respeito e orações – todos querem tocar o mastro e fazer seus pedidos e colocar velas, após a sua subida, no chão.


Em algumas comunidades é realizada a batida do Candombe durante as orações Quando o mastro é colocado no buraco e a bandeira fixa no alto, os fiéis batem palmas, dão vivas e soltam fogos ao santo homenageado.


Reza
Apesar de toda evolução dos meios de comunicação e tecnologias, ainda encontramos em Minas, várias localidades que mantêm a tradição de rezar o terço e a Ladainha de São João, de vela acesa, no altar da casa do devoto. Altar este que mantém uma fita ligada ao santo para ser beijada e, ao lado, está a bandeira que subirá no mastro.com a estampa do santo que será homenageado.


Concentrados, fazem o levantamento do mastro e atravessam nas brasas da fogueira.


A bandeira só é retirada depois do mês de junho. Há outros locais em que os devotos esperam a fogueira se apagar com o tempo. Só o mastro é guardado.


Reza-se o “Responsório para Santo Antônio”, para achar coisas perdidas e em momentos de muita aflição.


Superstições
Na noite de homenagem, os fiéis fazem muito barulho para que São João não saiba que é o seu dia. Se ele acordar, o mundo acaba. O barulho é necessário para espantar as coisas ruins que podem acontecer na comunidade.


Simpatias
Para arrumar casamento, basta esconder o Menino Jesus de Santo Antônio ou amarrá-lo de cabeça para baixo, perto de sua cama.


Outra para casamento: Enfiar uma faca que nunca foi usada na bananeira. No outro dia você tira a faca e observa. Estará a letra do início do nome do rapaz com o qual você se casará


Ver a sorte: fazer as simpatias na noite de 23 para 24 de junho à meia noite.


Pretendente: Escrever o nome de três rapazes que você gosta. Dobre bem dobrado os três papéis. Jogar um atrás da porta, um no fogo e outro na bacia com água. No dia 24, olhar na bacia, se o papelzinho abrir, é este com quem vai se casar.


Destino: Pegue um copo com água e uma clara de ovo. Jogue dentro do copo com água a clara. No dia 24 de junho, olhe qual figura apareceu: se for uma igreja é casamento; se for um navio, você fará uma viagem; se for um caixão é morte na certa!


Destino: Pegue uma bacia com água fria. Acenda uma vela e pingue a cera aos poucos na água. Dia 24, faça a interpretação que os pingos da vela formou.


Nome do futuro marido: No dia 24 de junho, o primeiro pobre para o qual der uma esmola, pergunte o seu nome. Este será o primeiro nome de seu futuro marido.


Pedido: Plantar sementes de mostarda e fazer um pedido, na noite de 23 para 24. Se as sementes brotarem é sinal de que vai acontecer o que você pediu.


Fartura: Para ter fartura em casa distribua, no dia 13 de junho, pãezinhos em porta de igreja ou em um asilo.


Bibliografia
1. ALMEIDA, Renato. Manual de Coleta Folclórica: Rio de Janeiro; Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro;1965

2. ARAÚJO,Alceu Maynard. Folclore Nacional volume I ( Festas e Bailados;Mitos e Lendas) 3ª ediçãoSão Paulo, Melhoramentos; 1967

3. Cadernos  editados pelo SESC/MG das cidades: Paracatu, Almenara, Januária, Bom Despacho.

4. Calendários de Eventos da Secretaria Estadual de Turismo

5. CANCLINI,Nestor Garcia. As culturas populares no Capitalismo; São Paulo –Brasiliense; 1983DIEGUES JUNIOR, Manuel – Etnias e Culturas no Brasil; 6ª edição, RJ; Civilização Brasileira,1977

6. DORNAS FILHO,João. Achegas de Etnografia e Folclore Belo Horizonte; Imprensa /Publicações; 1972
7. Folders de informações turísticas das cidades mineiras

8. MORAES FILHO,Melo. Festas e Tradições Populares do Brasil – Publicação feita pelo Senado Federal, Conselho Editorial,2002     (Coleção Biblioteca básica brasileira)

9. MARTINS, Saul. Panorama Folclórico ;SESC/MG Belo Horizonte,MG; 2004.

10. MARTINS, Saul. Folclore de Minas Gerais Editora da UFMG/BH; 1991

11. Números anuais publicados do Boletim da Comissão Mineira de Folclore. BH.

12. SOUZA, Maria José. Texto Festa Junina , Centro de Cultura Afro brasileira – Poços de Caldas , 1977

13. TRIGUEIRO, Edilberto. A língua e o Folclore da Bacia do Rio São Francisco, Edição elaborada pela FUNART;RJ;Campanha em Defesa do Folclore Brasileiro, 1977.

14. Notícias da Folha de Turismo e outros artigos do jornal Estado de Minas e Hoje em dia

15. Documentário – Festa de São João – Coleção da Opará Vídeos

16. Documentário em vídeos do Programa Terra de Minas – TV Globo

17. Pesquisa de Campo da Professora Deolinda Alice dos Santos

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