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A festa do Serro

© Divanildo Marques Serro - Chegada da procissão - Divanildo Marques Chegada da procissão

1728 - Fundação da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Serro.

Dias principais da festa: 1º sábado e domingo de julho. Mas, os festejos têm início nove dias antes, com novenas, terços e missas.


Manifestações folclóricas que ocorrem nesta festa:
No primeiro sábado de julho, às 5 horas da manhã, um grupo de devotos toca os pífanos - ou pífaros - e as caixas de couro. Por isso o grupo é conhecido como Caixa de Assovios. O som desses instrumentos representa o gemido dos negros no cativeiro. Os participantes não têm um uniforme certo. Não é permitida a participação de pessoas do sexo feminino.


Depois do toque da Caixa de Assovios, orações são feitas às portas da igreja ainda fechadas. Quando as portas são abertas, as pessoas entram cantando:


“Entraremos nesta casa com prazer e alegria,
pois lá dentro dela mora a Santa Virgem Maria...”


Quando a Caixa de Assovios está no meio da igreja, acendem-se as luzes, soltam-se foguetes e o povo canta e reza em homenagem a N. Sra do Rosário. Este momento é conhecido como “as matinas”, ocasião em que todos cantam o hino a Nossa Senhora do Rosário, criado na comunidade.


Hino a Nossa Senhora do Rosário da Irmandade do Serro
Senhora do Rosário, Virgem Santa milagrosa,
Livrai-nos das ciladas / de ter vida pecaminosa.
Mãe de Jesus / dai-nos a “graça” de sofrer
Mesmo carregando a minha cruz / desejo viver.
E vivendo a orar / contrito pedindo a salvação
Para os pobres pecadores / que caírem em tentação.
Senhora do Rosário / Virgem Santa milagrosa,
Livrai-nos das ciladas / de ter vida pecaminosa.
Mãe de Jesus / dai-nos a “graça” de sofrer
Mesmo carregando a minha cruz / desejo viver.


Quando terminam as orações, todos saem em direção à casa dos festeiros - que são os reis e juízes - para tomar o rico café. Além das quitandas para todos os gostos, servem também caldos de mandioca, galinha, costela, e a cachaça do Rosário. Esta caminhada vai até às 9:00 horas.


No sábado, à noite, em cortejo, os membros de todos os folguedos, inclusive os da Caixa de Assovios e os demais devotos, vão buscar a bandeira de Nossa Senhora do Rosário na casa do mordomo. Ela é erguida no mastro, no adro da igreja, quando ocorre o espetáculo pirotécnico. Neste momento, é notória a participação das Guardas de Catopês do Serro e de Milho Verde, os Caboclos e os Cavalinhos de Jacá, que saem fazendo as suas respectivas coreografias, acompanhando o cortejo da bandeira.


E, finalmente, para brincadeira da meninada, sai o Boi do Rosário acompanhando o cortejo até o alto da Igreja do Rosário, com versos criativos e cantorias bem típicas e originais.


No domingo, bem cedo, a incumbência da Guarda de Catopés é tirar os reis e juízes de casa e levá-los em cortejo até a Igreja para assistir a missa. Quem vai a frente do cortejo é a Marujada seguida dos Caboclos com sua coreografia típica. Os participantes da Caixa de Assovios desfilam a frente das Guardas de Catopês do Serro e do Distrito de Milho Verde, razão pela qual são obrigados a acompanhar o Reinado.


Antes da entrada do Cortejo do Reinado na Igreja para assistir a missa principal do domingo, ocorre a Embaixada, isto é, um diálogo entre os dois grupos da Guarda de Caboclos, dramatizando a história da conversão de uma Tribo de índios.

“- Olá da Fragata!
- Olá da Fortaleza!
- Donde viestes?
- De Montes Claros.
- Que trouxeste?
- Tornem.
- Quantos dias de viagem?
- Vinte e cinco e meio.
- Grande sultão monarca Augusto Florêncio, dessa mata soberana!
- Dizei caboclo, de peito a peito, face a face, que fazes com esses anais todos de arco e flecha na mão?
- Sou um dos fiéis caboclos permanentes, que vem visitar a Virgem Santa Maria e ser devoto para sempre.
- Sim caboclo; se vens com fama, título de ouro e galardão, seguirá com os seus, todos de arco e flecha na mão.
- Para me purificar, nessa praça sem perigo, trago a Virgem Santa Maria para livrar-me dos inimigos Tupã e Tupã, São Pedro e São Paulo. Apóstolos de Jesus Cristo que não me deixastes morrer sem a água do batismo, boa saudação de caboclo. Velho, bons dias vou lhe dar, e no final dessa embaixada, só pretendo lhe abraçar.”


Há, então, o encontro dos dois grupos - os da fragata e os da fortaleza - e o cortejo entra finalmente na Igreja para a Solene Missa.


Na saída da missa, o cortejo se dirige para os locais escolhidos e determinados pelos festeiros para o almoço comunitário. Normalmente, a mesa do Reinado é composta de leitão assado, frango cheio, tutu com lingüiça, carne de todo o tipo, macarrão, maionese, arroz, quitandas para quaisquer gostos e dezessete tipos de doces, dentre eles, o de leite, cidra, mamão, batata doce e laranja.


À tarde, realiza-se a procissão com toda a Corte do Reinado e os folguedos presentes. Eles rezam o terço pelas ruas e cantam o hino de N. S. do Rosário composto pela própria comunidade, acompanhados de banda de música. Depois, param em frente ao adro da igreja de N. S. do Carmo e fazem a coroação solene de N. S. do Rosário. Logo após, continuam a caminhada até à Capela do Rosário. Lá, os reis e juízes sorteados para os festejos do ano seguinte recebem, respectivamente, a coroa e a vara cinzelada em prata. A Irmandade de N. S. do Rosário do Serro é uma das poucas que admite, no ato do sorteio dos reis e juízes para o ano seguinte, que os mesmos sejam pessoas de pouco poder aquisitivo, pois tanto a irmandade quanto a comunidade serrana se dispõem a ajudá-los a levantar os recursos necessários aos festejos.


Depois das cerimônias de transferência, o cortejo segue para as casas dos eleitos, que servem variados tipos de doces. Segue-se, finalmente, um momento de muita emoção, pois começam a partir os vários ônibus com familiares que moram em outras localidades. Mas, na 2ª feira, a emoção é maior com a descida dos mastros, os agradecimentos em música e a partida dos últimos ônibus especiais. Os dançantes que moram na cidade levam os reis do próximo ano para casa. Os barraqueiros desmontam suas barracas e retornam para suas cidades de origem. Não há quem não chore.


A seguir,
“Quem despede, chora.
Por isso, não vou despedir.
Adeus, adeus, amigos,
Adeus senhora do Rosário”.


A partir daí, vai-se um ano inteiro com os festeiros se organizando com bingos, jantares e rifas para juntar dinheiro para a realização de uma festa ainda mais bonita do que a do ano que passou.


Guarda de Marujos ou Marujada
É um folguedo no qual os participantes representam a luta entre mouros e cristãos nos mares. Com seus uniformes de marinheiro, eles lembram também os históricos navegadores portugueses. Em sua coreografia e ritmo peculiar, tocam violas, violões, cavaquinhos, bandolins, banjos, pandeiros, caixas de couro, xique-xiques e pífanos. Os personagens que se destacam como comandantes-chefes são o Patrão, o Contra-Mestre, o Madigueira e o Piloto. Os de escalão mais baixo são o calafatinho e o Mane-Massimbaque, além dos dançantes. Constituem uma das marujadas mineiras que mantêm o uniforme de marinheiro mais elegante com todos adereços de acordo com os postos que ocupam. De acordo com o cronograma da festa organizado pelos presidentes da Irmandade e da Associação, apresentam-se junto com a Guarda de Caboclos, a Resinga e a Luta contra os Caboclos.


Guarda de Caboclos
Trata-se de um folguedo alusivo à conversão dos indígenas. Os membros se vestem com cocar, adornos de penas nos braços e tornozelos, camisa, calção, saiote e colete inteiro com bordados de lantejoulas, miçangas, pedrarias e fitas coloridas, se adornam de rouge, baton e outros adereços. Utilizam caixas de couro, sanfona e arco e flecha como instrumentos musicais. A flecha é presa no arco. Quando se estica o arco, a flecha bate em uma pequena tábua e produz o som característico. Os personagens principais são o Caboclo Mestre, o Pantalão, o Zé Freitas e o Doutor. Fazem parte do cortejo, também, o caciquinho, o papai-vovô e a mamãe-vovó. Dançam a Dança do Pau de Fitas, da Trança de Lenços ou Cipós, da Resinga, da Embaixada e da Luta Contra os Marujos. Os horários das apresentações devem ser consultados com os presidentes da Irmandade, pois são eles que determinam os horários destes teatros populares durante os festejos e rituais religiosos de domingo.


Guarda de Catopê
É a guarda mais importante da festa, pois é a que mantém viva a lenda da vinda da imagem de  Nossa Senhora do Rosário para o Brasil. Por isso, protegem a imagem na procissão e têm o direito de tirar os reis e juízes de suas casas através de um lindo ritual, cantado e dançado. A Guarda de Catopês tem o mesmo significado de proteção do reinado que a Guarda de Moçambique tem na Região da Mineração. Neste folguedo, os participantes usam o mesmo sistema do colete adornado de miçangas, pedrarias e bijuterias, adornos de penas na cabeça, calça escura, camisa clara e capa de chitão. Tocam reco-reco, tamborins, adufe e caixas de couro, instrumentos bem artesanais. Os principais personagens do grupo são o Mestre e o Contra-Mestre, além dos dançantes. Uma das guardas mais antigas da região é a do Distrito de Milho Verde.


Barraquinhas
As barraquinhas funcionam durante todos os dias de festa. Nelas, o povo dança forró e vira a noite, pois encontra à venda deliciosas comidas típicas e os mais diversos utensílios e adereços pessoais.


Estúdios Fotográficos
Algo que chama a atenção dos turistas nesses eventos populares é a presença dos estúdios fotográficos a céu aberto. Ali, os fotógrafos dispõem de curiosos cenários e recursos que vão desde o retrato pintado da Basílica de Nossa Senhora Aparecida até jumentos pintados como zebras, roupas de cow-boy, motocicletas, etc.

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© Divanildo Marques Serro - Chegada da procissão - Divanildo Marques Chegada da procissão
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© Divanildo Marques Serro - Marujada - Divanildo Marques Marujada
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© Divanildo Marques Serro - Rei e Rainha - Festa do Rosário - Divanildo Marques Rei e Rainha - Festa do Rosário
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© Divanildo Marques Serro - Chamada das Guardas de Congado - Divanildo Marques Chamada das Guardas de Congado