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07. Música

© Maria Lucia Dornas Mariana - Museu da Música - Maria Lucia Dornas Museu da Música

Música - Século 18

Os primeiros acordes da música brasileira tinham função de catequizar os indígenas. As melodias gregorianas eram as preferidas. Jesuítas também escreviam músicas indígenas com a doutrina cristã.


"Na verdade, para todos eles, a música era meio, era instrumento, porque o objetivo não era fazer música, o objetivo era fazer catequese. E neste sentido, então, a prática musical não valia por si, ela valia enquanto funcionasse dentro dos propósitos catequéticos dos padres. Mas, nas cartas e nos relatos desses missionários, pode-se encontrar um sem número de referências a acontecimentos musicais desde o primeiro momento, quando chega o primeiro grupo de missionários espanhóis e portugueses com o Primeiro Governador Geral em 1549. Eles são precisamente os padres jesuítas." (Professor José Maria Neves - Música Sacra em Minas Gerais no século 18).


Os negros começam a chegar em 1538, trazendo novos ritmos e cantos, misturando assim à música nacional sons sagrados e profanos.


Quando se formou a Capitania de Minas, todas essas influências foram assimiladas dotando a música mineira de uma característica única, pois recebeu, ao mesmo tempo, influências do classicismo europeu e do ambiente barroco que a capitania das Minas Gerais vislumbrava durante o ciclo do ouro. As canções sacras prevaleceram, dominando a cena durante o século 18, acompanhando as artes plásticas com Aleijadinho, Mestre Ataíde, Vieira Servas e outros e a poesia dos Inconfidentes. Corporações musicais profissionais executavam obras de compositores europeus e também locais. Para as festas religiosas, as igrejas encomendavam e pagavam caro por composições, executadas nas paróquias da capital Vila Rica, da cidade de Mariana e das vilas de Sabará, Serro, São João del-Rei, São José del-Rei (hoje Tiradentes), Caeté e Itabirito.


As informações musicais vindas da Europa chegavam através das músicas religiosas. Mas toda esta história e riqueza produzida durante esse período ainda não está totalmente desvendada nem se sabe a dimensão exata de quanto e o que foi produzido. Grande parte das músicas produzidas nessa ocasião sumiu, sendo recuperada anos mais tarde pelo musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange.


Ele defendia que a produção dos músicos mineiros assemelhava-se com obras produzidas por músicos europeus integrantes da Escola de Viena. Outra corrente de estudiosos, como o maestro Sérgio Magnani, aponta que a música erudita mineira estaria mais próxima da Escola Italiana. Comparações à parte, é unanimidade entre musicólogos e historiadores que a Escola Mineira é a primeira escola musical das Américas.


Graças a Curt Lange descobriu-se que o primeiro músico erudito brasileiro não era o padre carioca José Maurício Nunes Garcia. Uma geração antes, Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Neto, Inácio Parreira Neves, Manoel Dias de Oliveira, Francisco Gomes da Rocha e tantos outros músicos já faziam ecoar por entre as montanhas a genuína música clássica mineira. Além de eruditos, esses músicos eram todos mulatos pobres da região, conhecedores de filosofia, latim e da liturgia.


Os grandes músicos eruditos brasileiros eram mulatos, frutos da miscigenação da Colônia. Produziam músicas com estilo e qualidade que não deixam nada a dever a qualquer compositor europeu. O nome que desponta entre tantos autores é o de José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, que compôs mais de 300 obras. Natural do Serro, o organista, regente e compositor era filho de português com uma escrava.


"Sob o ponto de vista da criação musical, ele foi um gênio. O único elemento barroco usado na época era o baixo cifrado, o que caracteriza a antiguidade de sua música. Ele era organista e compôs, por onde passou (Arraial do Tejuco, Vila Rica e Rio de Janeiro), dentro da liturgia da igreja. Lobo de Mesquita deixou uma obra vasta, que serviu de modelo para outros compositores", disse a especialista em música colonial e organizadora dos museus de música de Mariana e Diamantina, Conceição Rezende, em entrevista ao jornal Hoje em Dia.


A música fazia parte do cotidiano das cidades mineiras. As festas sociais, cívicas e religiosas não dispensavam música. Conjuntos, trios, quartetos ou quintetos faziam serenatas pelas ruas ou nos ricos sobrados.


Pequenas orquestras e conjuntos corais foram organizados. Outro registro cita que havia 250 músicos em Ouro Preto, 150 em Diamantina. No final do século 18, eram mais de mil. A partir de toda essa produção religiosa, surgem também compositores e intérpretes de outros gêneros musicais, como dramas, comédias e óperas, que lotavam as casas de óperas. Mas "aparentemente havia uma separação entre os músicos dos teatros e os das irmandades". Nesses ambientes encontravam-se os músicos eruditos que produziam essencialmente músicas sacras, como Lobo de Mesquita. Esses músicos viam nas irmandades uma possibilidade de ascensão social, uma vez que não podiam exercer atividades como a medicina, a advocacia e a carreira religiosa.


Mas, com o declínio da atividade mineradora e o conseqüente empobrecimento da população, as produções artísticas em Minas Gerais diminuem. Muitos compositores e instrumentistas partiram para o Rio de Janeiro, pouco antes da chegada da Família Real ao Brasil. Um censo que Regis Duprat realizou sobre a Capitania de Minas Gerais em 1804 contava 42 músicos ativos para uma população de nove mil habitantes, sendo 6.097 livres.

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