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02. Cinema

"Fechado o cinema Odeon, na rua da Bahia
fechado para sempre.
Não é possível, minha mocidade
fecha com ele um pouco
."
                  Carlos Drummond de Andrade


Ao encerrar o século 19, Minas Gerais recebeu uma das maiores inovações da época - o cinema. A primeira seção de cinema aconteceu em Juiz de Fora, no dia 23 de julho de 1897. No ano seguinte, em 10 de julho, Willian Mardock exibiu a novidade na recém-inaugurada capital do Estado, Belo Horizonte. Em setembro do mesmo ano, a Cia. Dramática Apolônia Pinto instalou na cidade o cinematógrafo Lumiére.


Em 1907, o Cine Central foi inaugurado na Rua da Bahia; no outro ano, foi a vez do Cinematógrafo Maciel. No ano de 1911, Belo Horizonte já possuía as salas de exibição: Pavilhão Variedades, Familiar, Colosso, Comércio, Bahia e o Parque Cinema. Nas décadas de 1920 e 1930, surgiram os grandes espaços influenciados pelos grandes cinemas americanos. Nos anos 1940 e 1950, inauguram-se novas salas. Com o surgimento e a popularização da televisão na década de 1960, aconteceu uma queda no número de espectadores.


O fascínio pelo cinema fez surgir em Belo Horizonte os cineclubes que se dedicavam à exibição, estudo e análise de filmes; os mais famosos foram:


Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC)
Fundação: 1951
Fundadores: Cyro Siqueira, Jacques do Prado Brandão e Fritz Teixeira de Salles.
O CEC marcou época em Belo Horizonte, já que era frequentado por escritores, poetas, ensaístas, artistas plásticos, músicos e estudantes universitários. Promoveu cursos de iniciação e extensão cinematográfica. Muitos críticos de cinema da cidade tiveram seus aprendizados sobre cinema assentindo e vendo filmes, discutindo e escrevendo no CEC.
O CEC continua em atividade.
Contato: 31 3291-0524 / 3291-1856 - cec_mg@yahoo.com.br


Cine Clube Belo Horizonte
Fundação: fevereiro de 1953.
Aconteciam seções todas as quintas-feiras, às 20 horas, no Salão Paroquial da Igreja São José. Promoveu cursos de cinema para educadores e para estudantes. Chegaram também a realizar cursos de cinema em escolas de Belo Horizonte. Era ligado ao movimento estudantil católico.


Cine Club Universitário
Fundação: 9 de agosto de 1966
Fundadores: alunos da Escola de Cinema da Puc


Federação de Cine Clubes de Minas Gerais
Fundação: 13 de julho 1960 - Universidade Católica de Minas Gerais
Objetivos: amparar e defender os interesses gerais dos cineclubes, promover cursos de cultura cinematográfica e promover debates e palestras.


Jornais e revistas sobre cinema
Também circulou pela cidade cinejornais, mas poucos tiveram longa duração.

Odeon Jornal - 1919.
Masotti Atualidade - 1926 (só dois números).
Cine Revista Mineira. Editor: Bonfiolo - 1927 (só um número).
Cine Jornal Mineiro - 1931 (só um número).
Cine Cruzeiro do Sul - 1935/1936. Onze edições.
Notícias de Minas - 1948
Atualidades Mineiras - 1949
Inconfidência Jornal - 1944
Minas Filme - década de 50.
Revista de Cinema - Publicada pela 1ª vez abril de 1954
Criada pelo Centro de Estudos Cinematográficos (CEC).


"Durante a surpreendente primeira fase, porém, a revista alcançou uma produção nacional, com a publicação de ensaios a respeito de uma revisão do método da crítica cinematográfica."
Cyro Siqueira.


"Intelectuais da época se uniram em torno de projetos de reflexão de pensamento, em torno da revista de Cinema, nos anos 50. Então Minas vai se mostrar importante no panorama nacional, vai se tornar uma referência, pela dimensão da intelectualidade. Nesta Revista, além de artigos sobre a realidade cinematográfica brasileira, houve uma ênfase na chamada revisão do método crítico, a partir então da realidade do neo-realismo italiano. Essa revisão do método crítico foi o ponto de partida para reflexões posteriores na área do pensamento do cinema." José Tavares de Barros


Uma Escola de Cinema


Escola Superior de Cinema - Universidade Superior de Cinema
A Escola Superior de Cinema, a primeira de Minas Gerais, foi organizada pela Universidade Católica e começou suas atividades em 1962 sob a direção do jesuíta padre Massote. Em 1966, o currículo foi aprovado pelo MEC e, em 1967, aprovou-se o regimento da escola, mas poucos anos depois o curso foi fechado.


"O Curso de Cinema da Universidade Católica de Minas Gerais tem a finalidade de formar professores de cinema para o segundo ciclo, promover as vocações de críticos, roteiristas e, finalmente, dar uma visão mais profunda dos problemas cinematográficos aos orientadores de cineclubes ou de movimentos como o cinema." Edeimar Massote


Produções Cinematográficas Mineiras
Nas décadas de 10 e 20 do século 20, aconteceram experiências cinematográficas em diversas cidades brasileiras; as produções fora do eixo Rio-São Paulo são conhecidas como os ciclos regionais - Ciclo Recife, Ciclo Pelotas, Ciclo Campinas são alguns exemplos. Em Minas aconteceram os ciclos Belo Horizonte, Pouso Alegre e o mais famoso, o Ciclo Cataguases.


Em 1904, Igino Bonfioli (1886-1965) chegou a Belo Horizonte; alguns anos depois, em 1913, montou o ateliê fotográfico Photographia Art Noveau. Além de trabalhar com fotografia, Bonfiolli se dedicou também ao cinema e, a partir da década de 1920, fez vários documentários sobre a capital e outras cidades mineiras.


Em uma atividade até então pioneira no Estado, Igino foi produtor, diretor de cena, diretor de fotografia, cinegrafista, editor e laboratorista. Seu filme mais famoso, "Canção da Primavera", foi lançado em 1923 e contou com a parceria de Cyprien Ségur e roteiro do pintor Aníbal Mattos. Em 1928, foi o lançamento de "Entre as Montanhas de Minas".


Outro pioneiro do cinema mineiro foi Francisco Almeida Fleming, natural de Ouro Fino, Sul de Minas. A Almeida e Cia. dedicada às artes cinematográficas foi criada em 1918; dois anos depois, abriu-se a América Filmes em Pouso Alegre, onde Fleming filmou Paulo e Virgínia no ano de 1924. Almeida Fleming realizou mais de 300 documentários ao longo da sua produtiva carreira.


Outros filmes da sua carreira são "In hoc sig vince" e "Vale dos Martírios".


Um nome importante é o do italiano Paulo Benedetti, que percorreu o Sul de Minas como exibidor ambulante de filmes, mas foi em Barbacena que realizou o filme "Uma Transformista Original", em 1915. Pioneiro do cinema falado no Brasil, inventou um aparelho que sincronizava o som com o filme na tela; sua fita "Uma Transformista Original" foi sincronizado com um fonógrafo e uma orquestra.


Na década de 1920, transferiu-se para o Rio de Janeiro onde foi diretor, produtor e diretor de fotografia na Benedetti Filmes, que também revelava e copiava filmes de outras produtoras.


O juiz-forano João Carriço foi também um dos pioneiros do cinema mineiro; durante três décadas produziu reportagens cinematográficas da era Vargas a JK. O acervo da Carriço Film hoje se encontra na Cinemateca Brasileira na cidade de São Paulo.


O ciclo Cataguases
Sem dúvida o Ciclo Cataguases foi o mais significativo, considerado por quase todos os especialistas como o grande pioneiro do cinema brasileiro. Em 1925, Humberto Mauro e o fotógrafo italiano Pedro Comello realizaram na cidade de Cataguases o filme Valadião, o Cratera , o primeiro de uma duradoura produtividade. A seguir veio Os três irmãos, que ficou inacabado. Com um novo parceiro, Agenor Cortes, a dupla criou a produtora Phebo Sul América Film, que teve como primeira produção Na primavera da vida, filmada em 1926. Depois veio a obra preferida de Humberto, Thesouro Perdido. Em 1929, foi filmado Braza dormida e o curta-metragem Symphonia de Cataguases, e Sangue mineiro. Logo depois desses trabalhos, Humberto se transferiu para o Rio de Janeiro, dando continuidade à sua carreira de cineasta. Tornou-se funcionário do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), fundado por Edgar Roquette-Pinto, onde realizou mais de 300 filmes documentários, mas também filmes de longa-metragem.


O cinema mineiro na segunda metade do século 20

Centro Mineiro de Cinema Experimental (CEMICE)
Criação: 1965
Produções:
"O Padre e a Moça". Direção: Joaquim Pedro de Andrade
"A hora e a vez de Augusto Matraga". Direção: Roberto Santos


"O CEMICE veio a morrer pelo final de 67, por força da própria dinâmica que desencadeara. Fizeram-se filmes, criou-se uma prática de cinema, mas a cidade provou ser incapaz de fornecer sustento econômico a uma indústria do cinema mineiro, nome mesmo do curta-metragem". Ronaldo Noronha.


Sobre a produção de filmes em Belo Horizonte, José Américo Ribeiro diz: "Todos os filmes foram, pois, realizados por cineclubistas - do CEC e/ou do Cine Club Universitário (ligado à Escola Superior de Cinema); em sua maioria, eram estudantes universitários, discutindo problemas típicos de classe média urbana, diferentemente do cinema novo brasileiro, que estava preocupado em resolver problemas do proletariado e a questão da exploração do homem pelo homem. Os cineastas de Belo Horizonte não estavam interessados com o destino do povo de uma forma em geral, mas, sim, com o destino de sua classe".


Na década de 1960, aconteceu em Minas Gerais um surto de filmes curta-metragem, hoje, na primeira década do século 21, muitos cineastas mineiros continuam se dedicando à produção do formato. "Já é reconhecido em todo o país a existência de um mercado de produção de curtas-metragens em ascensão no Estado de Minas Gerais. Pensando nisso, a Associação Curta Minas vem, há mais de um ano, organizando o Programa Curta Circuito, abrindo, dessa maneira, mais um espaço para os cineastas mineiros mostrarem seus trabalhos; e também para o público da capital conferir em primeira mão os novos curtas realizados não só em Minas, como em todo o país." (Associação Curta Minas)


Na década de 1980, dois filmes marcaram a produção cinematográfica mineira - "A Dança dos Bonecos", dirigido por Helvécio Ratton, obteve elogios da crítica especializada, e "Noites do Sertão", de Carlos Alberto Prates Correa, foi premiado com vários Kikitos em Gramado e Candangos de melhor atriz - Débora Bloch - e de fotografia para José Tadeu Ribeiro, em Brasília.


Na década de 1990, novos nomes surgiram produzindo curtas e documentários. São destaques, Cão Guimarães, Éder Santos, Conrado Almado, e o grupo Teia, formado por Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr., Leonardo Barcelos, Marília Rocha, Pablo Lobato e Sérgio Borges.


Na categoria longa-metragem, são destaques na década de 1990, "Menino Maluquinho" (1994) de Helvécio Ratton e "Amor & Cia" (1999), inspirado em obra de Eça de Queiroz e filmado em São João del-Rei e Tiradentes, do mesmo diretor.


No século 21 Helvécio Ratton lançou "Uma onda no ar" (2002), e "Batismo de Sangue" (2007), vencedor dos prêmios de melhor diretor e fotografia no Festival de Brasília.


A Secretaria de Estado de Cultura promove desde 2004 "Filme em Minas", com o objetivo de aquecer a produção audiovisual no Estado, estimulando pesquisas e a adoção de novas linguagens e formatos que revelem a pluralidade e a diversidade da cultura mineira. O programa possibilita a participação tanto de diretores já consagrados quanto de realizadores iniciantes, alavancando produções mineiras da capital e do interior.


Festivais

CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto
- www.cineop.com.br
Tem como objetivo se tornar uma plataforma de lançamento da nova safra de filmes brasileiros, além de contribuir para o debate em torno de questões cruciais que impactam o setor no País.


Curta Minas
- www.curtaminas.com.br
A produção recente do cinema de curta e média-metragem.
Periodicidade: bienal / Belo Horizonte / 2º semestre.


Festival Internacional de Curtas de BH
- www.festivaldecurtasbh.com.br
Divulga os curtas-metragens selecionados para as mostras competitivas brasileiras e internacionais.


Forumdoc.bh
- www.filmesdequintal.com.br
Inclui a exibição de filmes e vídeos, sessões comentadas por realizadores e especialistas, debates, oficinas, workshops, conferências e lançamentos de publicações sobre o tema. Todas as atividades da programação, realizadas gratuitamente e abertas ao público em geral, visam ao fomento e à qualificação da produção na sua área.


Mostra de Cinema de Tiradentes
- www.mostratiradentes.com.br
Abre oficialmente o calendário anual de eventos audiovisuais do Brasil na segunda quinzena de janeiro. Trabalhos audiovisuais de longa, média e curta-metragem em película (35 mm e 16 mm) e vídeo digital.


Programa de ensino, pesquisa e extensão

"A tela e o texto"
"O Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão A tela e o texto começou em 1988 como um pequeno grupo de estudos (Iniciação Científica) da Faculdade de Letras da UFMG. Tratava-se de um projeto de pesquisa intitulado "A tela e o texto - trocas culturais entre Brasil e Argentina", coordenado pela Profa. Maria Antonieta Pereira e desenvolvido por três estudantes de Graduação. Durante três anos consecutivos, participantes deste projeto obtiverem o 1o. lugar da área de Literatura, na Semana de Iniciação Científica da UFMG. Além disso, eles realizaram pesquisas, participaram de congressos regionais e nacionais, publicaram textos e ofereceram oficinas sobre Literatura e Cinema, em instituições como COLTEC, Senac, SESC/LACES, Festival de Verão de Pedro Leopoldo, VI Semana de Eventos da FALE, Festival de Cinema de Tiradentes, Festival de Inverno/UFMG, colégios e faculdades das redes pública e privada.

O principal objetivo do Programa A tela e o texto - ampliar e aprofundar os níveis de leitura dos educadores (professores das redes de ensino público e privado, líderes comunitários, agentes sociais, produtores culturais, bibliotecários, agentes culturais etc.), associando os recursos da mídia contemporânea ao suporte do texto impresso.

Esses objetivos se baseiam em pesquisas que, desde 1998, analisam as relações entre telas e textos e cujos resultados mostraram a urgência de se explorar, de forma conjunta:
a revolução mundial da informática;
as propostas educacionais transdisciplinares;
a forte cultura televisiva do Brasil;
a tradição cinematográfica da população de Belo Horizonte
as experiências de jovens videomakers mineiros." (www.letras.ufmg.br/atelaeotexto)


Cineastas mineiros
Aluísio Sales Junior
André Hauk
Armando Mendez
Cao Guimarães
Carlos Alberto Prates Correa
Chico de Paula
Denis Curi
Elza Cataldo
Ernane Alves
Flávio Henrique Citton
Helvécio Marins
Helvécio Ratton
José Sete Barros
Leo Ayres
Paula Moram
Paulo Augusto Gomes
Paulo Laborne
Paulo Lobato
Rafael Conde
Ricardo Gomes Leite
Tarcisio Vidigal


Algumas longas metragens mineiras das últimas décadas

A dança dos bonecos - 1986
Direção: Helvécio Ratton

Amor & Cia - 1998
Direção: Helvécio Ratton

Batismo de Sangue - 2007
Direção: Helvécio Ratton

Cabaret Mineiro - 1980
Direção: Carlos Alberto Prates Correa

Idolatrada - 1983
Direção: Paulo Augusto Gomes

Menino Maluquinho - 1995
Direção: Helvécio Ratton

Menino Maluquinho II - A Aventura - 1998
Direção: Helvécio Ratton

Noites do Sertão - 1984
Direção: Carlos Alberto Prates Correa

Perdida - 1975
Direção: Carlos Alberto Prates Correa

Uma onda no ar - 2002
Direção: Helvécio Ratton

Vinho de Rosas - 2005
Direção: Elza Cataldo

Pequenas Histórias - 2008
Direção: Helvécio Ratton


Bibliografia
1. O cinema em Belo Horizonte. Do cineclubismo à produção cinematográfica na década de 60. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1977.

2. Minas Gerais Ensaios de Filmografia. Márcio da Rocha Galdino. Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Belo Horizonte, 1984.

3. Circuito Minas de Festivais: Fórum de Festivais Culturais de Minas Gerais. Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. 2002. Sérgio Stocler.

4. COUTINHO, Mário Alves; GOMES, Paulo Augusto (Org.). Presença do CEC - 50 anos de cinema em Belo Horizonte. Belo Horizonte: Crisélida, 2001.

 


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