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05. Fotografia

© Henry Yu São Roque de Minas - Parque Nacional da Serra da Canastra - Henry Yu Parque Nacional da Serra da Canastra

"Escrevo com a luz, foi com esta luz de Minas que eu aprendi a escrever. É a luz da minha vida."
Sebastião Salgado


Por meio das mãos de Hercule Florence, a fotografia chegou ao Brasil, em 1832. As primeiras imagens do País foram realizadas na Vila de São Carlos, hoje Campinas. Mas foi na década de 1960 que a fotografia começou a se popularizar em várias cidades brasileiras com a abertura dos “estúdios de retratistas”. O motivo foi uma inovação técnica – o colódio úmido – negativo feito sobre placas de vidro sensibilizadas com uma solução química que melhorava a qualidade do negativo.


As primeiras fotos retratando paisagens mineiras foram publicadas no livro Doze horas em diligência – Guia do viajante de Petrópolis a Juiz de Fora, do fotógrafo alemão da casa imperial, Revert Henrique Klumb, que realizou com D. Pedro II a viagem inaugural da Estrada União e Indústria. Editado em 1872, é um raro exemplo de livro ilustrado com fotos no século 19 no Brasil; a obra hoje é considerada o primeiro guia de viagens brasileiro.


No início da década de 80 do século 19, Marc Ferrez, o maior nome da fotografia brasileira no período, titulado como “Photographo da Marinha Imperial”, viajou por Minas Gerais e fez registros preciosos. Ao fotografar a mina do Morro Velho em Nova Lima, Ferrez utilizou uma inovação, o flash de magnésio.


Publicado em 2008, o livro Coleção Princesa Isabel – Fotografia do século 19 traz na capa uma cena de congada em Minas Gerais, registrada por Ruy Santos em 1876.


No final do século, equipamentos fotográficos já podiam ser adquiridos em Minas Gerais. O Jornal de Minas, editado em Ouro Preto, no dia 23 de junho de 1890, trouxe o seguinte anúncio:

 

Machina moderna para photografia – Vende-se uma das mais aperfeiçoadas, própria para amador. Na mesma casa ensina-se a arte. Rua do Bobadela, nº 18. Valério & Ribeiri

 

No mesmo jornal, durante todo o mês de maio de 1891, foi publicado o anúncio:

 

Photographia União
Grande estabelecimento photographico de Valério Vieira
Rua Direita nº 12 (antiga Bobadela)

 

O artista Valério Vieira, de volta de sua viagem a Caxambu e de passagem pela Capital Federal, onde fez aquisição de novos aparelhos e excelentes materiaes para os mysteres de sua profissão, vem respeitosamente comunicar aos seus bons amigos e  freguezes que continua no seu bom e acreditado estabelecimento esperando merecer-lhes a mesma confiança que sempre lhe dispensaram, propondo a elaborar seus novos trabalhos com toda perfeição e nitidez, pelo systema ultimamente mais aperfeiçoado. Contando com sua benevolência fica eternamente agradecido.

 

A fotografia teve presença forte e útil na época da construção da nova capital do Estado, Belo Horizonte. Foi instituído pela Comissão Construtora o gabinete fotográfico, que tinha a missão de fotografar e documentar as obras de construção da cidade e a localidade escolhida para a futura capital.

 

Um dos fotógrafos responsáveis, o arquiteto português Alfredo Camarote, deixou o registro: “As fotografias, embora tornadas de grande duração pelos processos de fotogravuras, nunca darão uma idéia exata do que era a natureza aqui, já porque lhes faltam as galas do colorido; já porque nunca elas darão, com a desejada nitidez e precisão, a intensidade que oferecem todos os planos.”

 

Outro fotógrafo contratado pela Comissão Construtora era Francisco Soucassaux. No ano de 1902, quatro anos após a inauguração de Belo Horizonte, Soucassaux foi o pioneiro na produção de bilhetes-postais, ou cartões postais, que mostravam edifícios públicos e vistas da cidade. Os 25 bilhetes-postais se tornaram grande sucesso de vendas.

 

O jornal Minas Gerais de 31 de dezembro de 1902 publicou a nota: “Da conhecida livraria, papelaria e tipografia dos Srs. Joviano e Comp. recebemos uma coleção de cartões postais, ornados de finas gravuras representando trechos da cidade e edifícios públicos. Esses cartões, que foram impressos no Rio de Janeiro por ordem do nosso infatigável conterrâneo Sr. Francisco Soucasaux, têm tido uma procura extraordinária, calculando-se as vendas em mais de oito mil.”

 

Em 1904, chegou a Belo Horizonte Igino Bonfioli, que se tornou um dos pioneiros da fotografia da capital. Em 1913, instalou um ateliê fotográfico chamado Photographia Art Noveau, onde, além da fotografia, Bonfioli iniciou experiências na área do cinema.

 

A partir da década de 1920, ele se dedicou ao cinema. Realizou documentários sobre a capital e outras localidades do Estado. Seu filme mais importante foi Canção da Primavera, rodado em 1922, com roteiro do pintor Aníbal Mattos.

 

Francisco Augusto Alkimim (1886-1978), conhecido como Chichico Alkimim, é um dos fotógrafos mineiros mais importantes da primeira metade do século 20. Mineiro de Bocaiúva, Chichico interessou-se pela fotografia quando passou a viver em Diamantina. Em um breve período em que morou em Belo Horizonte, trabalhou com Igino Bonfioli. Na prática, foi um autodidata, porque, além da própria experiência acumulada, estudou por meio de manuais.

 

Nos livros de impostos da Câmara Municipal de Diamantina, existe o registro datado de 1913 de um estúdio de fotografia de propriedade do Sr. Francisco Augusto Alkimim. Profissional competente e bem-sucedido durante um bom tempo, Chichico foi o único fotógrafo de Diamantina. Casamentos, batizados, funerais, formaturas, festas populares e religiosas, fotos de família e personalidades foram registradas por suas lentes. Hoje suas fotos são um precioso acervo iconográfico do Norte de Minas.

 

“Há um elemento na arte de Chichico Alkimim que a torna única. No momento em que a fotografia ganhava expressão, tornando-se ponta de lança da modernidade, com grande produção de trabalhos sobre as cidades e os novos cenários urbanos, o fotógrafo mineiro aprofunda o veio do documento íntimo, da crônica da sociedade interiorana, da codificação dos comportamentos através das cenas cuidadosamente preparadas, com força teatral peculiar e dramática.” (João Paulo, Caderno Pensar, Estado de Minas, 10 de setembro de 2005)

 

Em setembro de 2005, foi lançado em Diamantina o livro O Olhar eterno de Chichico Alkimim, cuja obra traz 70 fotos que foram selecionadas de um arquivo de quase 5.000.

 

Outro nome da primeira metade do século 20 é o do arquiteto, desenhista, pintor e fotógrafo Olindo Belém, que retratou personalidades políticas e da sociedade. Foi um dos participantes da 1ª Exposição Geral de Belas Artes em Belo Horizonte, em 1917.

 

Muitos postais de Belo Horizonte foram produzidos com fotos de Estevão Lunardi, que importou uma câmera fotográfica da Suíça que foi dada de presente a Igino Bonfioli na década de 1920.

 

No livro Bello Horizonte – Bilhete Postal –, Otávio Dias Filho nomes de profissionais que tiveram suas fotos impressas em postais – C. Nunes, J. Monteiro, Herculano de Souza.

 

A fotografia também era uma atividade constante no interior; famílias inteiras pousavam para lentes de fotógrafos que percorriam cidades e fazendas. As crianças bem arrumadas para a ocasião eram também objeto de fotografias. É clássica a foto de Carlos Drummond de Andrade, provavelmente datada de 1904, na qual o poeta aparece de boina, cabelos cacheados, ao lado de um triciclo. Brás Martins da Costa, fotógrafo atuante no princípio do século 20, em Itabira, foi o responsável pela poética foto. O registro fotográfico pode ser visto no site http://www.memoriaviva.com.br/drummond/.

 

Assim como Chichico Alkimim em Diamantina, Brás registrou durante décadas os itabiranos em diversos momentos da vida social; um dia Drummond escreveu: “O Brás revelou-se excelente amador, com sensibilidade e certo apuro artístico.”

 

Na década de 1910, tem-se registros fotográficos da cidade de Itajubá feitos pelo engenheiro Luiz de Lima Viana e pelo fotógrafo profissional Pedro Rebello.

 

Os moradores das fazendas também deixavam se fotografar por esses profissionais e, quando eles não chegavam às fazendas, as famílias em suas visitas às cidades eram fotografadas em estúdios.

 

Fotógrafo amador, o libanês Elias Aun estabeleceu-se na década de 1930, em Belo Horizonte. Seu estúdio fotográfico se tornou um dos mais tradicionais do Estado; o Foto Elias, além de tirar os clássicos 3x4 para documentos, vendia material fotográfico. O Sr. Elias Aun também foi responsável pela instalação da Fototécnica Brasileira, que fabricava material fotográfico.

 

O “fotógrafo de rua” foi uma figura muito popular nas décadas de 1940 e 1950, em Belo Horizonte. Concentravam-se principalmente em quatro quarteirões, dois anteriores e dois posteriores à Praça Sete de Setembro. Eram fotos instantâneas das pessoas que circulavam pelo local. Os fotografados recebiam um talão numerado e, caso se interessassem, iam ao estúdio para comprar a foto.

 

Na segunda metade do século 20, a fotografia se torna popular, câmeras de todos os tipos estavam disponíveis no mercado. Os estúdios de fotografia se popularizaram em todo o Estado, e a fotografia se tornou um hobby para centenas de pessoas.

 

Nesse universo, não se pode esquecer o ofício, hoje, quase extinto do lambe-lambe. Em Belo Horizonte, o local tradicional desses profissionais era a Praça Rui Barbosa – popularmente conhecida como Praça da Estação – e o Parque Municipal. A Prefeitura de Belo Horizonte decidiu, no segundo semestre de 2008, abrir um processo para registrar a atividade dos fotógrafos ambulantes como patrimônio imaterial. “O mérito da proteção não está na materialidade, mas no fazer do fotógrafo ambulante. O ofício, seja pelo uso das máquinas antigas ou contemporâneas, deve ser objeto de estudo, por ser uma característica marcante da cidade.” (Michele Arroyo)

 

Nas últimas décadas do século 20 e início do 21, vários profissionais de alto nível técnico revelam a nova fotografia mineira. Selecionamos alguns fotógrafos contemporâneos que atestam a excelência dos profissionais mineiros.

 

Ana Regina Nogueira
Natural de Belo Horizonte/MG

Fotos no acervo da Coleção Pirelli/MASP de fotografias.

Possui fotos de Minas Gerais no site www.hillerphoto.com.br/brazil do fotógrafo americano Geofrey Hiller.

Minas Gerais pela lente de Ana Regina Nogueira
Série – Funil, uma paisagem perdida
Série – Carnaval Barroco Digital – São João del-Rei

www.anareginanogueira.com.br

 

Cao Guimarães
Natural de Belo Horizonte/MG

Cineasta e fotógrafo.

Formação acadêmica na Master of Arts in Photografia Studies da Westminster University of London.
Prêmio Marc Ferrez de Fotografia – 1993
Longa metragem – Andarilho – selecionado para o 64º Festival de Filmes de Veneza.

www.caoguimaraes.com.br

 

Cristiano Quintino – Cristiano Quintino Gomes
Natural de Belo Horizonte/MG

Um dos fundadores da Associação dos Fotógrafos Profissionais de Propaganda de Minas Gerais.

1ª lugar no Primeiro Concurso de Fotografia do Banco do Brasil, RJ, 1978.
Fotógrafo convidado da Fundação Bienal de São Paulo.

 

Eustáquio Neves
Natural de Juatuba/MG

Fotógrafo autodidata. Pesquisa e desenvolve técnicas alternativas e multidisciplinares, manipulando negativos e cópias, sobrepondo camadas e imagens, transformando a interpretação da imagem.

7º. Prêmio Marc Ferrez de Fotografias, Funarte – 1994
Prêmio Nacional de Fotografia, Funarte – 1997
Grande Prêmio J. P. Morgan de Fotografia – 1997
Contemplado com o programa de residência da Gasworks Studios and Triangle Arts Trust com suporte da Autograph de Londres – 1999
Dedica-se a pesquisas de caráter etnográfico junto às comunidades negras.

 

Gustavo Marx
Natural de Belo Horizonte /MG

Fotógrafo de moda
1º lugar no PX3 – Prix de La Fotographie Paris 2007 com a foto “Bruna”

 

Henry Yu

Editor de fotografia da Revista Sagarana
2º colocado mundial do Prêmio Ballantine’s Photo Award por duas vezes sucessivas.
Finalista do London Advertising Publicity.

Minas Gerais pela lente de Henry Yu
Possui o mais atualizado arquivo fotográfico de Minas Gerais. Seu acervo abrange mais de 50.000 fotos de todos os tipos e de todas as regiões do Estado.

 

José Israel Abrantes
Natural de Malacacheta/MG

Minas Gerais pela lente de José Israel Abrantes
Série – Cidades Mineiras
Série – Festas Folclóricas
Série – Artesanato Mineiro
Série – Parques Mineiros – Rola Moça, Serra do Cipó, Itatiaia/Mantiqueira, Canastra
Livros: Ibitipoca – a beleza mora na serra; Belo Horizonte, o fértil solo humano; Rios de Minas; Momento de Minas.

Prêmio Abigraf 2006 – Livro: Rio São Francisco Rio Abaixo
Prêmio Jabuti 200 – Livro: Os Caminhos do Ouro e a Estrada Real

www.joseisraelabrantes.com.br


Miguel Aun
Natural de Belo Horizonte/MG

Possui um acervo de 30.000 imagens. Suas fotos estão nos acervos do MASP e do Itaú Cultural.

Minas Gerais pela lente de Miguel Aun
Livro: Minas Gerais – Cores e Sentimentos. Seleção de 80 fotos do Estado.
BH. A cidade de cada um – Mercado Central – Fernando Brant

www.miguelaun.com.br


Paulo Laborne – Paulo Alves de Souza Laborne
Natural de Abaeté/MG

Por cinco anos consecutivos, seu trabalho ficou entre as cem melhores fotos de publicidade selecionadas pela Fundação Corrado Wessel.

Minas Gerais pela lente de Paulo Laborne
Série – Art Déco em Belo Horizonte
Série – Estrada Real

www.paulolaborne.com.br


Pedro Davi – Pedro David de Oliveira Castello Branco
Natural de Santos Dumont/MG

Minas Gerais pela lente de Pedro David
Faz parte do projeto Paisagem Submersa com os fotógrafos João Castilho e Pedro Motta sobre a transformação de sete municípios no Vale do Jequitinhonha, Norte do Estado de Minas Gerais, com a construção da usina de Irapé. Este trabalho coletivo foi premiado no 5º. Prêmio Porto Seguro de Fotografia, São Paulo, 2005.


Sebastião Salgado
Natural de Aimorés/MG

Embaixador da UNICEF
10 prêmios internacionais
Consagrado como um dos mais importantes fotógrafos do mundo
Diretor do Instituto Terra – Educação Ambiental – Aimorés

Minas Gerais na lente de Sebastião Salgado
Série In Princípio – fotos de lavouras de café em Manhuaçu e Patrocínio


Valter França
Natural de Belo Horizonte

Professor universitário de Fotografia

Nos últimos anos, concentra suas pesquisas na execução de gravuras digitais renderizadas em 3D, tendo como suporte fotos convencionais digitalizadas e trabalhadas em computação gráfica.

Minas Gerais pela lente de Valter França
Exposições
Sabará: Fragmentos Digitais, Museu do Ouro, Sabará/MG
Close-ups digitais, Cine Caeté, Caeté/MG
100 anos de Belo Horizonte

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© Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins Belo Horizonte - Exemplo de foto instantânea na av. Afonso Pena - Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins Exemplo de foto instantânea na av. Afonso Pena
© Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins Belo Horizonte - Exemplo de foto instantânea na av. Afonso Pena - Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins Exemplo de foto instantânea na av. Afonso Pena
© Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins São João Nepomuceno - Exemplo de foto de estúdio - princípio século 20 - Arquivo Pessoal/Therezinha Dornas Martins Exemplo de foto de estúdio - princípio século 20