Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

Senac
  • Logo Senac Minas
  •  
  • Hotel Grogotó

Costumes Típicos

Visitando determinado município ou região, é comum se deparar com hábitos, atitudes e falas dos habitantes que, muitas vezes, não coincidem com os hábitos, atitudes e modos de vida considerados normais por pessoas que frequentaram as salas de aula. Às vezes, por não ter sido preparado para conhecer e vivenciar outros hábitos durante seus passeios turísticos, o visitante chega, errônea e desagradavelmente, a criticar e satirizar o grupo social visitado. Esse comportamento pode e deve ser evitado. Basta que se tenha consciência de que o Turismo pressupõe diferenças culturais. São elas que motivam as pessoas, muitas vezes, a visitarem um determinado lugar.


Daí, a importância de se conhecer o processo histórico-cultural que leva uma comunidade a tomar esta ou aquela atitude, e de perceber que esses hábitos e atitudes é que influenciam os processos de sociabilização e identidade cultural de um grupo, com profunda interferência em seus processos de criatividade.


Convém, inclusive, ressaltar que, em boa parte do território mineiro, a massificação da cultura gerada pela globalização e por equívocos da mídia vem deteriorando a autenticidade e o espírito de fraternidade de muitas comunidades culturalmente interessantes. Isto pode, inclusive, acabar com a diversidade cultural das regiões de Minas, fator que diferencia o Estado no cenário nacional. Além disso, essa situação já vem provocando mal-estar, stress, enfartos e outras conseqüências drásticas para a saúde dos integrantes das comunidades atingidas e, sobretudo, em seus relacionamentos.


São exemplos marcantes dos usos e costumes das comunidades mineiras:

- fazer mutirão para o cozimento de salgados e doces para festas religiosas e casamentos, ou então para bater uma laje, ou para realizar a colheita de um produto;

- o gosto de participar de festejos religiosos de época como: receber a Folia de Reis em casa, oferecendo comida para todos os presentes, ou receber em casa a imagem da Santa Visitadora para rezar juntamente com os vizinhos, encontro sempre regado a um bom café;

- o modo de se expressar abreviadamente - como "sá, sô, acá oh, qué vê?, que nem - ou o linguajar diferenciado entre o povo do nordeste mineiro - principalmente o do Vale do São Francisco - e o povo do sul de Minas, onde o som do "r" é bastante acentuado.


Ao visitar Minas Gerais, o turista poderá perceber, ainda, outros usos e costumes bastante característicos, principalmente no campo das crendices e superstições, no uso da medicina popular e de curiosos instrumentos de trabalho. Quando vier a Minas, aguce o seu senso de observação para apurar a riqueza cultural deste maravilhoso estado e torne sua viagem muito mais proveitosa e saudável.


Medicina Popular
Tradicionalmente, a saúde sempre foi um problema no País. No período colonial, enquanto as irmandades mais ricas, nas áreas urbanas, mantinham médicos, as mais pobres resolviam seus problemas de saúde com os chamados boticários.


Mas, foi com os indígenas e com a experiência dos negros - sobretudo das mulheres - que as soluções de saúde se tornaram eficazes para as classes mais carentes, principalmente na decadência da produção do ouro. Este conhecimento das plantas medicinais da colônia dominado pela cabocla e pela mulata, unido ao das plantas medicinais trazidas pelos portugueses das mais variadas partes do mundo, foi sendo repassado de geração em geração, originando o costume de sanar doenças por meio de recursos naturais.


Hoje, em Minas, os raizeiros e as benzedeiras ainda são muito procurados para fazer chás, simpatias, banhos e benzeções com a finalidade de solucionar problemas de saúde. Além do uso das plantas medicinais, essas pessoas ainda sugerem determinadas restrições à alimentação remosa em determinados tratamentos.


Atualmente, homeopatas pesquisam e estudam esse receituário, buscando confirmar a eficácia dos remédios caseiros como forma de medicina alternativa, contribuindo com a ciência na busca de soluções mais econômicas e de menores efeitos colaterais para a saúde humana.


Exemplo:
Não deixar as roupas pelo avesso. Acredita-se que esta atitude causa "atrasos à Vida".


Origem: antigamente não havia luz elétrica e a iluminação a óleo de mamona nas candeias era muito precária; animais peçonhentos eram comuns nas regiões tropicais; não existiam inseticidas e nem soros contra as picadas venenosas. Por outro lado, as roupas femininas, sobretudo, eram muito volumosas. Se essas roupas não fossem bem colocadas em seus devidos lugares, atrairiam facilmente insetos e répteis, que se esconderiam em suas dobras. Ao se vestirem, as pessoas corriam o risco de serem picadas e de ficarem inválidas ou de morrer. Daí, a verdadeira razão da crendice de não deixar as roupas pelo avesso ou emboladas e jogadas em qualquer lugar, pois estas atitudes poderiam causar atrasos à vida.


Instrumentos de Trabalho

São os diversos instrumentos confeccionados pelo povo mineiro para atender suas próprias necessidades de trabalho, na maioria das vezes, em cidades pequenas e áreas rurais. Mesmo com todas as facilidades oferecidas pela modernidade, esses instrumentos são feitos de madeira, ferro batido, taquara, couro, barro, pedra sabão e outros materiais. Em geral, recebem toques pessoais que os tornam ainda mais adequados.


Hoje, no que diz respeito à culinária, muitos instrumentos de trabalho estão sendo retomados e revalorizados. Isso se deve à busca por uma melhor qualidade na produção de alimentos, pela preservação do sabor autêntico e por um maior aproveitamento dos valores nutritivos de cada alimento, teoria preconizada pelos homeopatas e naturalistas.


Assim, hoje estão de volta os pilões de madeira usados para descascar o arroz, as gamelas para sovar as massas e as colheres de pau para mexer os doces. Para as tradicionais doceiras de Minas, quando se utiliza a colher de pau, o doce tem mais durabilidade e o sabor da fruta torna-se mais intenso. As boas cozinheiras acreditam também que:

*o organismo absorve melhor o ferro do feijão e das verduras refogados nas panelas de ferro batido (ferreiros), evitando e curando a anemia;

*o alho e outros condimentos socados no pilão de madeira são mais saudáveis;

*os doces de frutas feitos em tachos de cobre preservam mais a cor da fruta que está sendo adocicada e são mais saudáveis quando comparados aos doces feitos nos tachos de alumínio;

*os fornos feitos com barro de cupim assam por igual quitandas e carnes, mantendo os valores nutritivos do alimento e dando-lhes melhor sabor.


Aliás, é muito bom lembrar o quanto a comida feita em panelas de pedra e em fogões a lenha apresenta-se muito mais apetitosa às exigências do paladar. Nesse contexto, a comida mineira é uma atração à parte, com sabores e cores das mais variadas.


Ainda que a tecnologia seja imprescindível a determinadas áreas de trabalho no campo, a atual situação socioeconômica força determinados trabalhadores a continuarem utilizando todo esse instrumental. Por outro lado, encontram-se em Minas Gerais inúmeros fazendeiros que, por mero saudosismo, ainda fazem questão de preservar a memória histórica e cultural de suas respectivas propriedades. Eles adotam vários tipos de instrumentos de trabalho, não só como utilidade, mas como meio de difundir o antigo dia-a-dia da fazenda e atrair visitantes, sobretudo aqueles adeptos de produtos mais naturais.


Como lazer e diversão, já ocorrem encontros sociais daqueles que preservam a memória dos diversos instrumentos e também dos que os produzem. Eles fazem desses encontros verdadeiros atrativos turísticos e transformam esses instrumentos em produtos artesanais para decoração a serem adquiridos pelos milhares de turistas que hoje vêem o campo como um grande atrativo. É o caso do Encontro de Carros de Boi, que hoje já ocorre em sete cidades mineiras e dos Encontros de Artesãos que, nas áreas rurais, ainda fazem monjolos e moinhos d'água, barcos e remos, arreatas, arreios, berrantes e chicotes, peneiras, cestas e balaios para colheitas diversas, pás para secagem de café, bateias para garimpos, teares, tornos para esculpir panelas de barro e de pedra etc. Tudo isso, sem se esquecer dos instrumentos peculiares das bordadeiras como navetes, bastidores, almofadas para a renda de bilro, os bilros, agulhas de osso, etc.

 

Enviar link