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Festas e Rituais Religiosos

© Simone Thiesen Ouro Preto - Irmandade - Simone Thiesen Irmandade

Ao se observar um calendário de eventos, percebe-se que as festas e rituais com manifestações folclóricas são de caráter religioso ou profano.


As festas e rituais religiosos são realizados nos municípios em homenagem aos seus santos padroeiros e aos santos de devoção tradicional com origens históricas, como é o caso das festas realizadas em cidades mineiras com origem nas irmandades surgidas no século 18. Nessas festas, a comunidade faz suas homenagens aos santos com levantamento de mastros, pagamento de promessas e outras manifestações culturais típicas regionais, que incluem a ornamentação, a mesa farta para os convidados, jogos e artesanatos comercializados nas barraquinhas, leilões, danças, apresentações musicais, espetáculos pirotécnicos, etc. São exemplos dessas festas as de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Abadia, do Divino Espírito Santo, Santo Antônio e outros, que acontecem em diversos municípios mineiros.


As festas e rituais profanos são festas de descontração e lazer. Podem envolver encontros sociais - como os do habitante ausente -, encontros comunitários e os comemorativos - como as festas de colheita e carnaval. Nessas festas, cada comunidade exalta sua memória histórica, seus valores, suas características e usa modos peculiares de se manifestar e de receber os visitantes. Barbacena, por exemplo, realiza a Festa das Rosas; Ibertioga, o Festival do Carro de Boi; Alpercata, a Festa do Quiabo; Sabará, o Festival da Jabuticaba; Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei e Diamantina, o Carnaval com seus blocos típicos. Os calendários de eventos de Minas ainda incluem entre suas festas profanas as feiras de artesanato e culinária típica, festas da Cumeeira (quando se termina de construir a casa), festivais de música e exposições agropecuárias.


A literatura sobre este assunto, entretanto, muitas vezes comete equívocos quando a festa e o ritual são religiosos. Além disso, foca nos aspectos mais exóticos dos festejos, deixando de abordar com propriedade a sua origem, ou seja, o processo histórico da região e o aspecto devocional ao santo que a inspirou. Por isso, é preciso, primeiramente, entender que não há festas folclóricas e sim festas com manifestações folclóricas. Por exemplo, não existe a festa de Folia de Reis e sim a Festa dos Santos Reis, durante a qual a Folia de Reis é uma manifestação folclórica. Não existe a festa de Congado, mas sim a Festa de Nossa Senhora do Rosário ou a de São Benedito, durante as quais as Guardas de Congado, autênticas manifestações folclóricas, têm constante atuação.


Convém lembrar, ainda, que as festas e rituais religiosos do Candomblé e da Umbanda, por discriminação, preconceito, ou até por ignorância, são consideradas pelos expectadores simples manifestações folclóricas. Na verdade, são festas com rituais ensinados por essas religiões de origem negra e que são tão importantes quanto às realizadas pela Igreja Católica ou por outras filosofias orientais. Ao considerá-las folclóricas, o público demonstra desconhecimento e um grande desrespeito em relação a essas religiões.


Assim, as festas e rituais com manifestações folclóricas são normalmente organizados ou induzidos pelo Estado, pela Escola ou pela Igreja. Essas festas e rituais obedecem a um planejamento com previsão de gastos e seguem os critérios de uma programação convencional. Acrescidas a essa programação é que aparecem, então, as manifestações populares e folclóricas típicas de cada região. Essas manifestações poderão ter, então, caráter religioso ou profano. Mas, na maioria das vezes, haverá entre elas uma forte inter-relação. Devido a essa inter-relação, o internauta encontrará este mesmo texto também em Festas e Rituais Profanos.

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