Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

Senac
  • Logo Senac Minas
  •  
  • Hotel Grogotó

16. Vamos dançar uma quadrilha

Em quase todo o Brasil, a quadrilha é dançada por um número par de casais e a quantidade de participantes da dança é determinada pelo tamanho do espaço que se tem para dançar.


Toda quadrilha deve ter um marcador, uma pessoa que conheça os detalhes da dança, quais são os seus passos e correografia e, principalmente, possua uma criatividade para empregar cada um deles no momento preciso, sabendo, igualmente, mudar sua utilização caso isso seja necessário.


Prescisa, além de saber de cor e salteado cada passo, se form necessário, acrescentar o seu próprio estilo, dosando o conhecimento com a simplicidade que deve existir numa manifestação típica da cultura popular.


É importante ainda que o marcador tenha ensaiado a quadrilha com o grupo, conheça quem está participando para não correr o risco de, em suas falaas, por exemplo, causar uma ofensa a uma pessoa. E, atenção, que isso pode ocorrer.


Outro elemento importante numa quadrilha é o acordeonista ou sanfoneiro, como é mais popularmente chamado. Um bom instrumentista garante o sucesso de uma quadrilha à medida que possui um bom repertório, um ritmo constante e esteja afinado sempre com o marcador. Sugere-se mesmo que, antes de começar a ensaiar com um grupo, o marcador e o sanfoneiro já tenham encontrado e preparado o repertório, mesmo que ele seja "improvisado".


A quadrilha marcada que apresentamos é resultado de uma longa observação da história das quadrilhas e dos passos mais empregados. Os marcadores podem, se quiserem, eliminar um ou outro passo, mas dentro da tradição, ela está praticamente completa. 


A primeira coisa a fazer é dividir os participantes. De um lado os homens, de outro as mulheres, formando uma fila mas com pares se olhando frente a frente e dentro da maior distância no local da dança.


Com as filas armadas, começa o toque, com o marcador exercendo sua função e cada participante dançando no se próprio local. A partir  daí é iniciada a evolução.


Balancê
Os participantes balanceiam o corpo no ritmo da música, sem sair do lugar, sendo mesmo o passo mais utilizado pois serve de "estribilho" entre os outros, isto é, podendo ser repetido cada vez que os grupos estão em seus lugares originais. Pode até acontecer que um dos grupos esteja realizando um passo diferente e o outro esteja em seu lugar original. Enquanto estiver nele precisa estar "balanceando", ou seja, marcando ritmo, dançando sem sair do lugar. 


An Avant
As duas filas, com os pares sempre se olhando frente a frente, vão até o meio do salão, ficando os cavalheiros defronte de sua dama. Neste momento, eles se dão as mãos e as duas filas, de mãos dadas, executam uma volta pelo salão, retornando ao meio e ficando de novo frente a frente.


An arriê
As filas, sempre dançando, retornam aos seus lugares originais. Atenção que este é um passo sempre empregado quando se quer que as filas ou quaisquer participantes retornem aos seus pontos de origem.


Traversê de cavalheiros
As mulheres ficam em seus lugares enquanto a fila de homens atravessa o espaço vazio, chegando até em frente delas, fazendo um cumprimento cavalheiresco e retornando ao seu lugar original.


Traversê de damas

Agora são as mulheres que executam o mesmo passo, isto é, enquanto os homens ficam em seus lugares, elas atravessam o salão, ficando em frente deles, fazendo um cumprimento e retornando ao seu lugar original. 


Tarvesê geral
As duas filas dirigem-se ao meio do salão, de tal maneira que cada cavalheiro fique defronte de sua dama. Todos se cumprimentam, retornando, em seguida, aos seus lugares originais.


Balancê com o par em vis-à vir
Os cavalheiros se adiantam e entrelaçam seu braço direito no braço direito de sua dama, dando três voltinhas e retornando aos seus lugares.


Beija-flor
As filas se dirigem ao meio do salão. Quando cada casal estiver frente a frente, a dama estende sua mão direita ao cavalheiro que, respeitosamente, a "beija". Sempre dançando, que a quadrilha não pode parar.


Engenho novo
As duas filas, sempre o cavalheiro defronte de sua dama, vão até o meio do salão. Aí, cada dama pega a mão da dama que está ao seu lado e a as duas pegam as mãos de seus pares, formando um desenho semelhante a uma roda de engenho, cada um dos quatro integrantes sendo uma das hélices ou travas da roda. Sem sair do local, cada quarteto volteia sempre pelo lado direito. É um momento muito bonito porque estão formados vários quartetos dançando no salão.


Cruz de Malta
É um passo muito bonito mas que exige treinamento e ensaio. Nele, os pares ímpares não saem do local em que se encontram, continuando a dançar enquanto os conjuntos pares pegam as mãos dos que estão dançando nos lugares fixos, formando grupos de oito, procurando sempre montar duas filas entrecruzadas, uma formada por mulheres e outra por homens.


Vamos passear
Os conjuntos de oito se desfazem e cada dama dá o seu braço ao seu cavalheiro, formando-se, assim, uma grande fila, cavalheiros de um lado, damas de outro. O grupo, dois a dois, um par atrás do outro, dá uma ou mais voltas pelo salão.


Passeio de namorado
As damas desprendem-se dos braços e pegam as mãos dos seus cavalheiros e assim, de mãos dadas, todos percorrem o salão.


Damas à direita, cavalheiros à esquerda
As damas largam os seus cavalheiros e saem por sua direita, enquanto os cavalheiros saem pela esquerda, todos voltando para trás em forma de círculo, cada fila para um lado mas de tal maneira que se encontrem novamente. Quando isso acontecer, retoma-se o passeio de mãos dadas.


Caminho da roça
Forma-se uma fila indiana, com cada dama na frente do seu cavalheiro.


Olha a chuva
Todos dão um pulinho para trás, continuando a dançar, só que na diração inversa.


É mentira
Tudo volta ao normal, com a dama à frente do seu cavalheiro e no caminho anterior.


Cestinho de flor
As damas levantam os braços, todas ao memso tempo, colocando-os para trás, por cima dos ombros. Os cavalheiros seguram as mãos das damas e, assim, formando uma cestinha de mãos, todos prosseguem a dança.


A ponte caiu
Inverte-se o passo. Agora são os cavalheiros que colocam suas mãos para trás. Elas são seguras pelas damas e todos começam a dançar no sentido inverso. 


É mentira
Mais uma vez são as damas que colocam as mãos para trás. Elas ficam seguras pelas mãos dos cavalheiros e a fila volta à original. 


Caminho da roça
Largam-se as mãos e a fila indiana retorna no sentido original.


A ponte caiu
Repete-se o passo, com a fila indiana apresentando, agora, o cavalheiro na frente da dama.


Ponte nova
Tudo volta ao normal, com a dama na frente do cavalheiro.


Preparar para o caranchê
Atenção que os dois próximos passos exigem muito cuidado. Há quadrilhas que nem gostam de executá-los. Nada, porém, que bons ensaios não possam preparar. Quando o marcador disser "Preparar para o caranchê", o grupo inteiro pára por um instante. As damas ficam de frente para seus cavalheiros que, por vez, pegam em suas mãos (mão direita com mão direita). isto permite que as mãos esquerdas fiquem livres para o passo seguinte.


Caranchê
Cada cavalheiro, com a mão direita, puxa a dama para trás e, com a mão esquerda pega a mão esquerda da dama que está se aproximando dele já que todos estão dançando. Isso forma uma corrente de ziguezague, com as damas indo para um lado e os cavalheiros para outro. Num determinado momento, cada cavalheiro estará de defronte de sua dama. Nessa hora o marcador deverá pedir um novo passo, acabando com o carranchê. É um momento oportuno para um "an arriê", de tal maneira que as filas se recomponham melhor, nos seus pontos iniciais. hora também para um balancê bem organizado.    


Roda gigante

Os pares, de mãos dadas, formam uma grande roda, como se fosse uma ciranda infantil.


Damas no centro
Os cavalheiros continuam dançando em roda, mãos dadas entre si, enquanto as damas formam uma roda menor dentro da roda maior.


Arco-íris
As damas rodam para a esquerda e os cavalheiros mantendo a linha para a direita.


Coroa de flores
Os cavalheiros aproximam-se das damas que estiverem à sua frente, de tal maneira que as duas rodas se entrelacem. Para isso os cavalheiros continuam de maõs.


Roda gigante
Forma-se de novo a grande roda como se fosse uma ciranda infantil.


Damas na roda, cavalheiros ao centro
Os cavalheiros formam uma roda interna, dentro da roda maior formada pelas damas.

Roda gigante
Forma-se de novo a grande roda como se fosse uma ciranda infantil.


Caminho da roça
Forma-se, novamente, a fila indiana, dama à frente do seu cavalheiro.


Preparar para a Serra Grande
Todos param e os cavalheiros se colocam diante de suas damas. Eles se dão as mãos, mas abrindo o máximo de espaço entre si e entre cada par.


Serra Grande
Um passo que exige um bom sincronismo. O primeiro par conhecido como par guia, dançando em autêntico marcha ré, entra no intervalo existente entre os pares parados. Cada par da frente executa a mesma coreografia, de tal maneira que, num determinado momento, o par guia se encontre novamente em seu lugar inicial. Hora do marcador comandar um novo passo.


Caminho da roça
Novamente a fila indiana, dama à frente, cavalheiro atrás.


Balancê geral
Cada par sai dançando pelo salão. À vontade mas com ritmo do sanfoneiro.


Troca-troca
Os cavalheiros trocam de dama. O marcador tem que ficar de olho nesse momento, para sentir quantas trocas vai comandar.


Changê de dama

O cavalheiro escolhe a dama com quem quer dançar.


Changê de cavalheiro
A dama escolhe o cavalheiro com quem quer dançar.


Balancê com seus pares
O cavalheiro volta a dançar com sua dama.


Caminho da roça

Fila indiana tradicional.


Preparar para o caracol
A fila indiana se dissolve e cada cavalheiro dica defronte da sua dama.


Caracol
As damas colocam seus braços direitos nos braços direitos dos cavalheiros, executando uma meia volta para a direita e outra para a esquerda, mudando de braço. O cavalheiro, em seguida, executa os mesmos passos com a dama seguinte, até que todos os pares tenham feito o caracol.


Caminho da roça
O passo é comandado para recompor o grupo.


Passeio
Cada cavalheiro procura sua dama.


Preparar o túnel
Formam-se, novamente, as filas, cavalheiros de um lado, damas do outro. Os cavalheiros pegam as mãos das damas, levantando-as ao alto.


Túnel
O par guia começa a passar por baixo do túnel armado pelos braços levantados, passando a ocupar a última posição da fila. Sucessivamente, o par que estiver à frente vai executando o mesmo passo. de tal maneira que todos os pares tenham passado pelo túnel.


Serpentina
Quando os pares tiverem retornado à posição original do início do túnel, o par guia começa a formar uma roda como se fosse a roda gigante mas, logo em seguida, o mesmo par desfaz a roda, entrando pelo meio e formando uma linha em estilo de bloco de carnaval.


Olha a cobra
Quando a marcação for dada todo mundo grita e se espalha. É alegria geral! Acabou a quadrilha. 



In: Quadrilha: teatro, poema e dança. Carlos Felipe. Sesc Minas Gerais

 

 

 

 


Enviar link

© Rubio Grazziano Belo Horizonte - Erupção de Folia - Rubio Grazziano Erupção de Folia
© Rubio Grazziano Belo Horizonte - Folia na rua - Rubio Grazziano Folia na rua