Cultura

Patrimônio Cultural

Senac
  • Logo Senac Minas
  • Hotel Grogotó
  •  

06. Carta de Washington - 1987

Carta sobre a Conservação das Cidades Históricas e das Áreas Urbanas Históricas


Preâmbulo e definições


Todas as comunidades urbanas, quer se tenham desenvolvido gradualmente ao longo do tempo, quer tenham sido deliberadamente criadas, são uma expressão da diversidade das sociedades através da História.


Esta carta diz respeito às áreas urbanas históricas, grandes ou pequenas, incluindo cidades, vilas e centros ou bairros históricos, em conjunto com os seus ambientes naturais ou feitos pelo homem. Para além do seu papel como documentos históricos, essas áreas incorporam os valores das culturas urbanas tradicionais. Atualmente, muitas delas estão ameaçadas, fisicamente degradadas, danificadas ou mesmo destruídas pelo impacto do desenvolvimento urbano que seguiu a industrialização das sociedades, em toda a parte.


Confrontado com essa dramática situação, que conduz frequentemente a pedras culturais, sociais e mesmo econômicas irreversíveis, o International Council on Monumentsand Sites (ICOMS) entendeu ser necessário preparar uma carta internacional sobre as cidades históricas e as áreas urbanas históricas que complementasse a International Charte for the Conservation and Restoration of Monumentsand Sites, geralmente referida como Carta de Veneza. Este novo texto define os princípios, os objetivos e os métodos necessários para a conservação das cidades históricas e das áreas urbanas históricas. Ele também pretende promover a harmonia entre a vida privada e a vida comunitária nessas áreas e encorajar a preservação dessas propriedades culturais que constituem a memória da humanidade, mesmo que modestas em escala.


Conforme foi estabelecido no documento da UNESCO "Recommendation Concerning the Safeguarding and Contemporary Role of Historic Areas" (Varsóvia - Nairobi, 1976), e também em diversos outros instrumentos internacionais, "a conservação das cidades históricas e das áreas urbanas históricas" é compreendida como significando os passos necessários para a proteção, conservação e restauro dessas cidades e áreas, assim como o seu desenvolvimento e a sua adaptação harmoniosa à vida contemporânea.


Princípios e objetivos
1. Para ser mais eficaz, a conservação das cidades históricas e das outras áreas urbanas históricas deve fazer parte integral de políticas coerentes de desenvolvimento econômico e social e de planejamento urbano e regional, a todos os níveis.


2. As qualidades que devem ser preservadas incluem o caráter histórico da cidade ou da área urbana e todos os elementos materiais e espirituais que exprimem esse caráter, especialmente:


a) Os padrões urbanos conforme estão definidos por lotes e por ruas;
b) As relações entre edifícios e espaços verdes ou abertos;
c) A aparência formal, interior e exterior, dos edifícios conforme está definida pela escala, pelo tamanho, pelo estilo, pela construção, pelos materiais, pela cor e pela decoração;
d) O relacionamento entre a cidade ou a área urbana e a sua envolvente, seja ela natural, seja ela feita pelo homem, e esta Carta (Carta de Washington).
e) As diversas funções que a cidade ou a área urbana adquiriram ao longo do tempo. Qualquer ameaça a essas qualidades pode comprometer a autenticidade que a cidade histórica ou a área urbana histórica obteve ao logo do tempo.


3. A participação e o envolvimento dos residentes são essenciais para o sucesso do programa de conservação e devem ser encorajados. A conservação das cidades históricas e das áreas históricas respeita, antes de todos, os seus residentes.


4. A conservação numa cidade histórica ou numa área histórica exige prudência, abordagem sistemática e disciplina. Deve ser evitada a rigidez, uma vez que os casos individuais podem apresentar problemas específicos.


Métodos e instrumentos

5. O planejamento para a conservação das cidades históricas e das áreas urbanas históricas deve ser precedido por estudos multidisciplinares.


Os planos de conservação devem abordar todos os fatores relevantes, incluindo a arqueologia, a história, a arquitetura, as técnicas, a sociologia e a economia.


Devem ser claramente declarados os principais objetivos do plano de conservação, assim como as medidas legais, administrativas e financeiras necessárias para cumpri-lo.


O plano de conservação deve pretender e garantir um relacionamento harmonioso entre as áreas urbanas históricas e a cidade como um todo.


Tal plano deve determinar quais os edifícios devem ser preservados, quais devem ser preservados sob certas circunstâncias e quais, sob circunstâncias verdadeiramente excepcionais, podem ser dispensados.


Antes de qualquer intervenção, devem ser profundamente documentadas as condições existentes na área.


O plano de conservação deve ser apoiado pelos residentes da área histórica.


6. Até ser adotado um plano de conservação, qualquer atividade de conservação que seja necessária deve ser executada de acordo com os princípios e os objetivos desta Carta e da Carta de Veneza.


7. É crucial a manutenção contínua para a efetiva conservação de uma cidade histórica ou de uma área urbana histórica.


8. As funções ou as atividades novas devem ser compatíveis com o caráter da cidade histórica ou da área histórica. A adaptação dessas áreas à vida contemporânea também deve ser compatível com o caráter da cidade histórica ou da área histórica.


9. O melhoramento da habitação deve ser um dos objetivos básicos da conservação.


10. Quando é necessário construírem-se novos edifícios ou adaptarem-se os existentes, deve ser respeitado o arranjo espacial existente, especialmente em termos de escala e de tamanho do lote.


Não deve ser desencorajada a introdução de elementos contemporâneos em harmonia com a sua envolvente, desde que tais elementos possam contribuir para o enriquecimento da área.


11. Deve ser expandido o conhecimento da história da cidade histórica ou da área urbana histórica através da investigação arqueológica e da adequada preservação dos achados arqueológicos.


12. Deve ser controlado o tráfego através da cidade histórica ou da área urbana histórica e devem ser planejados estacionamentos que não danifiquem a fábrica histórica ou o seu ambiente.


13. Quando um planejamento urbano ou regional previr a construção de vias rodoviárias de maior dimensão, essas não devem penetrar na cidade histórica ou na área urbana histórica, mas devem melhorar o acesso a elas.


14. As cidades históricas devem ser protegidas contra os desastres naturais e contra as perturbações, tais como a poluição e as vibrações, quer para se salvaguardar o património, quer por causa da segurança e do bem-estar dos seus residentes.


Seja qual for a natureza do desastre que afete uma cidade histórica ou uma área urbana histórica, as medidas preventivas e de reparação devem ser adaptadas ao caráter específico dos imóveis afetados.


15. Para se encorajar a sua participação e envolvimento, deve ser preparada uma informação geral para todos os residentes, começando pelas crianças em idade escolar.


16. Deve ser proporcionada formação especializada a todos os profissionais envolvidos na conservação.


Enviar link

© Henry Yu Diamantina - Diamantina - Passadiço da Glória - Henry Yu Diamantina - Passadiço da Glória
© Sérgio Freitas Ouro Preto - Casas da rua Direita - Sérgio Freitas Casas da rua Direita
© Sérgio Freitas São João del-Rei - Rua Direita - Sérgio Freitas Rua Direita
© Diego Gazola Conceição do Mato Dentro - Ig. N. S. do Rosário - Povoado de Tabuleiro - Diego Gazola Ig. N. S. do Rosário - Povoado de Tabuleiro
© Diego Gazola Serro - Área central do Serro - Diego Gazola Área central do Serro
© Giovane Neiva Catas Altas da Noruega - Conjunto arquitetônico da rua 15 de novembro - Giovane Neiva Conjunto arquitetônico da rua 15 de novembro
© Roneyjober Andrade Itabira - Museu de Itabira - Roneyjober Andrade Museu de Itabira
© Maria Lucia Dornas Santa Luzia - Casario do Centro Histórico - Maria Lucia Dornas Casario do Centro Histórico
© Marcelo Andrê São João del-Rei - São João del-Rei - Marcelo Andrê São João del-Rei
© Divanildo Marques Sabará - Rua com casario colonial - Divanildo Marques Rua com casario colonial
© Divanildo Marques Mariana - Rua Direita e Catedral da Sé - Divanildo Marques Rua Direita e Catedral da Sé
© Maria Lucia Dornas Tiradentes - Rua Direita - Maria Lucia Dornas Rua Direita