Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

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Lundu


Aqui lascivo amante, sem rebuço/À torpe concubina oferta o braço/Ali mancebo ousado assiste e fala/À simples filha que seus pais recatam/A ligeira mulata, em trajes de homem/Dança o quente lundum e o vil batuque.


Assim, Tomás Antônio Gonzaga se refere ao lundu nas "Cartas Chilenas" que circularam em Minas Gerais a partir de 1787.


O lundu (landum, lundum, londu) é uma dança de origem africana, chegou a ser proibido por ser considerado lascivo e imoral. Era realizada nas senzalas em rodas de batuque.


Na dança, “homens e mulheres, em movimentos frenéticos de quadris, sob o som de batuques, simulam um ritual de amor. A dança é a representação desse ato carnal, em que a dançarina envolve o seu companheiro com movimentos voluptuosos, requebrando as cadeiras. O homem investe sobre a moça, indicando o desejo de envolvê-la em seus braços. A coreografia desenvolve-se, a princípio, com a recusa da mulher, mas, diante da insistência do seu companheiro, ela acaba por ceder.” (www.sarandeiros.com.br)


As manifestações culturais sempre sofrem influências e influenciam ao entrarem em contato com outros grupos. Foi a primeira manifestação popular a ser aceita pelo colonizador. A dança chegou a Portugal, mas com alterações, a coreografia foi amenizada devido a forte censura de costumes, principalmente pela igreja Católica, assim se adequou ao que o clero português considerava como aceitável.


"Eu vi correndo hoje o Tejo/Vinha soberbo e vaidoso/Só por ter nas suas margens/O meigo Lundum gostoso/Que lindas voltas que fez/Estendido pela praia/Queria beijar-lhe os pés/Se o Lundum bem conhecera/Quem o havia cá dançar/De gosto mesmo morrera/Sem poder nunca chegar/Ai rum rum/Vence fandangos e gigas/A chulice do Lundum".


Os versos são de Caldas Barbosa, que introduziu na corte portuguesa o lundu cantado à viola. Em uma coletânea de seus versos, seis composições aparecem citadas como lundu.


Em uma carta datada de 1780 e assinada por D. José da Cunha Grã Athayde e Mello existe uma referência à democratização do lundu "Os pretos, divididos em nações e com instrumentos próprios de cada uma, dançam e fazem voltas como arlequins, e outros dançam com diversos movimentos do corpo, que, ainda que não sejam os mais indecentes, são como os fandangos em Castella e fofas de Portugal, o lundum dos brancos e pardos daquele país."


No final do século 18, tanto no Brasil como em Portugal, o Lundu apresentava uma forma de canção urbana, acompanhada de versos, na maior parte das vezes de cunho humorístico, envolventes, tornando-se assim uma popular dança de salão.


No século 19, era muito popular no Brasil com a melodia mais ligeira e o sentimentalismo das modinhas, recebia o acompanhamento de instrumentos de corda, cítara e até do piano. Era dançado até nas casas ricas.


Dançava-se lundu também no Norte e do Nordeste do país devido a muitos negros bantos terem sido levados para essas regiões.


O lundu-dança ainda é praticado na ilha de Marajó e nos arredores de Belém, no estado do Pará, em São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O lundu-canção, devido a sua origem popular, foi pesquisado por compositores cultos, sofreu alterações e pode ser hoje confundido com a modinha.


Fontes

http://www.marcosgeograficos.com.br/
http://dicionariompb.com.br/lundu/

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