Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

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02. Transformações

Quando o cristianismo começou a tornar-se forte no mundo ocidental, tentou-se de todas as formas, acabar com esses costumes, derivados do paganismo e do culto de muitos deuses. Eles estvam, entretanto, muito arraigados na mente e na vivência humanas e a própria Igreja acabou "adotando" algumas destas festas como a do "Solis Invicti", que integrou ao Natal, e a das Junônias.

 

A simbologia do fogo, revitalizador e transformador , incorporou-se ao lendário de São João, a "voz que clama no deserto preparando os caminhos do Senhor."


Fogueiras e barulhos em torno de mastros enfeitados tornaram-se comuns em sua festa como nos antigos tempos da festa da fertilidade, a dança presente e ajudando como antes. 


A exemplo do fogo, a festa cristã renova a força da água, sempre compreendida como condutora da energia da vida, mas que, neste instante, incorpora outros significados. Ela é purificadora, regeneradora e sinal de grandeza, como João spoube muito bem interpretar ao batizar Cristo no rio Jordão.

 

A água lava os seres humanos mas também imagens, chegando em determinados instantes, a ser até uma forma de punição a um santo que, por qualquer motivo, não tenha atendido ao que lhe fora pedido.

 

As duas milenares forças transformadoras da água e do fogo adquirem ainda mais fortaleza no meio dos rituais cristãos, incorporando muito do poder e dos símbolos que possuíam no meio de alguns povos e grupos étnicos como, por exemplo, os árabes e seus costumes de abluções.

 

Igualmente, mesmo que transformados, outros símbolos permaneceram vivos e, sem dúvida, um dos mais fortes foi a consciência de que tudo nasceu da valorização da fertilidade, não sendo mera coincidência o fato de a maior parte das tradições, costumes, advinhas e ritos trate de questões falando de amores e casamentos, símbolos maiores da vida que continua e se mantém através dos seres humanos.

Mais ainda: num processo lento de assimilação inconsiente  das tradições antigas, a festa junina incorpora um outro elemento ntípico da fertilidade e da vida. Nela, realiza-se o"casamento". Mesmo que picaresco ou cômico mas um casamento, quase sempre com a noiva já grávida trazendo dentro de si os maravilhosos sinais da vida.

 

Mais uma vez, a velha e milenar herança mantendo-se de pé.  

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