Cultura

Manifestações Culturais Tradicionais

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09. Origem

Hoje já se sabe que a quadrilha, apesar de sua difusão através da cultura francesa, tem origens um pouco diferentes.


Estudos comparativos, realizados, principalmente por pesquisadores musicais, colocam o nascimento da quadrilha na Inglaterra. Foi naquele país, por volta dos séculos 13 e 14, que teria surgido uma dança popular, executada pelos que trabalhavam no campo.


Era uma dança camponesa, uma dança roceira, uma dança rural.


E o que é campo, roça, rural em inglês?


A resposta é "country" e a dança executada pelos camponesas era uma "country dance" que nós poderíamos traduzir, ao pé da letra, em português do brasil, como sendo uma dança roceira, uma dança rural e, por que não, uma dança caipira.


Na realização desta dança, os descendentes de celtas e saxões executavam, na prática, os velhos rituais pagãos que ainda se mantinham vivos, apesar de Escócia, Irlanda, Gales e Inglaterra já se terem cristianizado.


Eram ainda os rituais do solstício de verão, as danças da fertilidade e o agradecimento aos deuses pela farta colheita, com o pedido de que a próxima semeadura tivesse os mesmos resultados.


Renato de Almeida, em sua monumental "História da Música Brasileira", diz textualmente: "Ela apareceu no começo do século 19 e pela época da Regência fazia furor no Rio, trazida por mestres de orquestras de danças, franceses, como Milliet e Cavalier e Talbeque..." A quadrilha não só se popularizou, como dela apareceram várias derivadas no interior paulista (e Minas), o baile sifilítico na Bahia e Goiás, a saruê (deturpação de soirée) no Brasil Central e, porventura a mais interessante dentre todas elas, a mana chica e suas variantes... Várias danças do fandango usam marcação de quadrilha, da mesma forma que o "pericón" e outros bailes guascas da campanha no Rio Grande do Sul.


Nota-se que, numa coincidência que a Sociologia e a História explicam muito bem, uma dança nascida no meio do povo seis ou sete séculos atrás, voltou ao povo, em outro país e outra etnia, mas praticamente conservando a a mesma função antropológica, social e cultural.


A Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra, acabaria levando a "country dance" para a França. Lá, a palavra se afrancesou, tranformando-se em "contredance", uma dança em que os pares executam a coreografia, frente a frente, ou vis-a-vis'.


A "contredance" se aportuguesou como "contradança" e Mário de Andrade a define como nome genérico de danças populares ou especificamente da quadrilha, mas que implica a formação de pares em alas opostas; a palavra é provavelmente derivada da "country dance" inglesa.


Em dois séculos, a contradança perdeu aquela sua característica camponesa e rural para tornar-se a dança nobre por excelência, conquistando,primeiramente, a corte francesa e, em seguida, todas as cortes europeias, incluindo a portuguesa.


Chegou-se ao ponte de, no século 18, ela ter sido a grande dança protocolar de abertura dos bailes da corte.


À medida que ela foi se popularizando, principalmente no Brasil e Portugal, o nome "quadrilha" foi começando a ser usado, seguindo, aliás, uma terminologia utilizada na Espanha e na Itália, onde indentificava a contradança, dançada por quatro pesoas. Desta "quadrilha de quatro" derivou a "quadrilha geral". No Brasil, o nome se tornou popelar, a ponto de, em 1842, Lopes da Gama escreveu em quadrinha citada por Mariza Lira:
"O furo das contradanças
Por toda parte se estende.
A todo o gênero humano
A quadrilha compreende
."


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