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14. Os cantos de junho

Existe uma música junina? Difícil de dizer, principalmente nos tempos de hoje, quando qualquer ritmo serve para animar todo tipo de festa, incluindo aí as juninas.


Mas isto não é novidade. Já na décda de 40, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira cantavam que o "Rio está todo mudado, na noite de São João, em vez de tocar rancheira, o povo só dança, só pede baião."

Tem-se aí uma ideia de que, em tempos mais antigos, antes do baião entrar quase como uma espécie de música apropriada para os festejos juninos, outros ritmos dominavam a festa.


E quais eram eles?


Estudos e pesquisas demosntram que, ao chegarem no Brasil, ainda no século 16, estes festejos já trouxeram ritmos de Portugal. "A Capelinha de Melão", por exemplo, extraída de um velho romance português, "Dom Pedro Menino", traz em seu ritmo e melodias, um forte sabor medieval, uma espécie de "salterello" português.


O mesmo se pode dizer da seguinte quadrinha de um fandango português, encontrado por Mariza Lira, em suas pesquisas, em São Paulo:


"Ó meu São João
eu vou me lavar
as minha mazelas
irei lá deixar
."


O fandango deve ter sido o primeiro ritmo a se incorporar e integrar às festas de São João no Brasil, como também ser um elemento fundamental da chamada "Dança de São Gonçalo", comum no Norte de Minas às margens do São Francisco.

 

Em Minas o fandango se "amineirou" e se transformou no calanfo, uma dança de ritmo quartenário, comum na região de Montes Claros.

 

Em São Paulo e Paraná, uma variante do fandango é o "serra baile".

 

Outra variante do fandango é a cana verde, em que os homens batem os pés apenas para firmar o compasso, declarando-se em quadrinhas para as mulheres, ao mesmo tempo que improvisam versos sobre qualquer acontecimento.


"Ó minha caninha verde,
Ó minha verde caninha.
eu não vou para tua casa
Pra você não vir na minha"




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