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Músicas para seresta

Serestas de Diamantina 

“As músicas que vão ouvir agora pertencem ao repertório das serenatas, que Diamantina está habituada a ouvir, há 200 anos. As cidades velhas, que se constituíram em sementes da civilização mineira, foram, durante dois séculos, pelo isolamento da falta de transporte o núcleo da cultura de nosso Estado, aprimorando, cada uma, um tipo de manifestação artística, que as tornou famosa. Todas as gerações de diamantinenses passearam sua mocidade pelas ruas silenciosas e encantadas de sua cidadezinha, sobretudo à noite, quando à luz do luar, os violões acompanhavam os bardos primitivos, na criação desse gênero de poesia, que hoje é uma característica do velho Tijuco. Uma serenata em Diamantina é mais bela do que uma noite de trovadores em Nápolis. A cidade toda canta despreocupada diluindo na beleza dos sons as angústias comuns da vida”, Juscelino Kubistchek.


Jóia Rara

Diamantina é uma jóia rara
Que refulge clara sob um céu de anil
Tem mil encantos que alegram quantos,
Aqui se aportam pra viver em paz.
Tem o diamante de pureza estranha
E a sempre viva de florir constante,
Que se refletem em seus nobres filhos
Aumentando o brilho
De sua linda história
Plena de glórias e de lances bravos,
Promessa heróica para o seu porvir...
É esta terra iluminada e clara
De ar alegre sempre a sorrir,
Que mostra a graça de uma grande raça
Venceu maus fados, se tornou fanal
Com a resistência de rocha severa
E com o encanto de polida louça,
Tem ar sereno de senhora austera,
E faceirice de menina moça
Tem ar sereno de senhora austera
E faceirice de menina moça.


Acalanto
       
Dorival Caymmi

É tão tarde.
A manhã já vem.
Todos dormem.
A noite também.
Só eu velo.
Por você meu bem.
Dorme anjo.
O boi pega neném.
Lá no céu deixam de cantar.
Os anjinhos. Foram se deitar. Mamãezinha.
Precisa descansar.
Dorme anjo papai vai lhe ninar.
Boi, boi, boi, boi da cara preta
Pega essa menina que tem medo de careta.


Amo-te muito

Amo-te muito, como as flores amam
O frio orvalho que o infinito chora.
Amo-te como o sabiá da praia
Ama a sanguínea e deslumbrante aurora.
Oh! não te esqueça que te amo assim.
Oh! não te esqueça nunca mais de mim.
Amo-te muito como a onda a praia
E a praia a onda, que a vem beijar...
Amo-te tanto como a branca pérola
Ama as entranhas do infinito mar.
Amo-te muito, como a brisa os campos
E o bardo a lua derramando luz
Amo-te tanto quanto amo o gozo
E Cristo amou ardentemente a cruz.


As pastorinhas
             
Marcha-rancho: Noel Rosa e João de Barro

A estrela-d’alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor!...
E as pastorinhas,
Pra consolo da lua,
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.
Linda pastora
Morena, da cor de Madalena,
Tu não tens pena
De mim,
Que vivo tonto com o teu olhar!
Linda criança,
Tu não me sais da lembrança.
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar!

 
Cálix Bento
          
Catopé – Tavinho Moura(adaptação)

Ó, Deus salve o oratório,
Ó, Deus salve o oratório,
Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus,
Onde Deus fez a morada, oiá.
Onde mora o Cálix Bento,
Onde mora o Cálix Bento,
E a hóstia consagrada, oiá.
De Jessé nasceu a vara,
De Jessé nasceu a vara
E da vara nasceu a flor, oiá, meu Deus,
Da vara nasceu a flor, oiá
E da flor nasceu Maria,
E da flor nasceu Maria
De Maria, o salvador, oiá, meu Deus,
De Maria, o salvador, oiá.
 

Carinhoso
        
Samba-canção: Pixinguinha e João de Barro

Meu coração,
Não sei por quê,
Bate feliz
Quando te vê
E os meus olhos
Ficam sorrindo
E pelas ruas
Vão te seguindo,
Mas, mesmo assim
Foges de mim.
Ah! se tu soubesses
Como eu sou tão carinhoso
E o muito e muito
Que te quero
E como é sincero
O meu amor,
Eu sei que nunca
Fugirias mais de mim.
Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor
Dos lábios meus,
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim, então,
Serei feliz, bem feliz.


Casinha pequenina

Tu não te lembras da casinha pequenina, onde o nosso amor nasceu?
Tinha um coqueiro de lado, que, coitado, de saudade, já morreu.
Tu não te lembras, ó morena, da casinha branca pequenina onde te vi?
Daquela frondosa mangueira, alterneira,  onde canta o bem-ti-vi?
Já não te lembras do cantar e do trintar do mimoso rouxinol? Que contente assim cantava e anunciava o nasceu do flãmeo sol.
Já não te lembras mais das juras e perjuras, que fizemos com fervo?
Daquele beijo demorado, prolongado, que selou o nosso amor?

 

Chão de estrelas
           
Samba-canção: Dolores Duran

Minha vida era um palco iluminado,
Eu vivia vestido de doirado
Palhaço das perdidas ilusões...
Cheio dos guizos falos da alegria,
Andei cantando a minha fantasia,
Entre as palmas febris dos corações!
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro,
Foste a sonoridade que acabou...
E, hoje quando do sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou...
Nossas roupas comuns, dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas,
Pareciam um estranho festival!
Festa dos nossos trapos coloridos,
A mostrar que, nos morros mal vestidos,
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco,
Mas a lua, furando o nosso zinco,
Salpicava de estrelas nosso chão...
Tu pisavas nos astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar, o violão...


Deusa da minha rua
                    
Valsa – Newton Teixeira e Jorge Faraj

A deusa da minha rua
Tem uns olhos onde a lua
Costuma se embriagar.
Nos teus olhos, eu suponho
Que o sol, num dourado sonho,
Vai claridade buscar!
Minha rua é sem graça,
Mas quando por ela passa
Seu vulto que me seduz,
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa
É uma cascata de luz!
Na rua, uma poça d’água,
Espelho da minha mágoa,
Transporta o céu para o chão.
Tal qual no chão da minha vida,
A minha alma comovida,
O meu pobre coração...
Espelho da minha mágoa,
Meus olhos são poças d’água
Sonhando com seu olhar...
Ela é tão rica e eu tão pobre...
Eu sou plebeu e ela é nobre...
Não vale a pena sonhar...


É a ti, flor do céu
                   
Teodomiro Alves Pereira e Modesto A. Pereira

É a ti, Flor do Céu que me refiro, neste trenó de amor, nesta canção.
(Vestal dos sonhos meus, por quem suspiro e sinto palpitar meu coração)
Oh! dias de risonha primavera... oh! noites de luar que tanto amei...
(oh! tardes verão, ditosa era, em que, junto de ti amor gozei)
Não te esqueças de mim, por piedade, um só dia, um só instante, um só momento! (Não me lembro de ti sem ter saudade, nem podes me fugir do pensamento)
Quem me dera outra vez esse passado, essa quadra ditosa em que vivi!...(Quantas vezes, na linha debruçado, cantando, em teu colo adormeci...)
Que é feito desse etéreo paraíso, daquela embriaguez, daquele ardor?
Fugiu de teus lábios o sorriso, toldou-se nosso céu de negra cor.
 

Elvira escuta
            
Canção: José Marcelo de Andrade e Luiz Cláudio

Elvira, escuta os meus gemidos
Que aos teus ouvidos irão chegar.
Não sejas traidora, tem dó de mim,
Tem dó dest’alma que te sabe amar.
Se tu me amas como eu te amo,
Eu prometo não te desprezar.
Não sejas traidora, tem dó de mim,
Tem dó dest’alma que te sabe amar.
Sobe a escada, vem devagar
Elvira dorme, pode acordar.
Não sejas traidora, tem dó de mim,
Tem dó dest’alma que te sabe amar.
Ainda mesmo depois de morta,
As tuas faces eu irei beijar.
Não sejas traidora, tem dó de mim,
Tem dó dest’alma que te sabe amar.

 
Encosta tua cabecinha

Encosta a tua cabecinha
No meu ombro e chora.
E conta logo tua 
Encosta a tua cabecinha
No meu ombro e chora.
E conta logo tua 
Encosta a tua cabecinha
No meu ombro e chora.
E conta logo tua 
Encosta a tua cabecinha
No meu ombro e chora.
E conta logo tua  mágoa
Toda para mim.
Quem chora no meu ombro,
Eu juro que não vai embora,
Porque gosta de mim.
Amor, eu quero teu carinho,
Porque eu vivo tão sozinho.
Não sei se a saudade fica
Ou se ela vai embora,
Se ela vai embora,
Porque gosta de mim.


Eu sonhei que tu estavas tão linda
                           
Valsa: Lamartine Babo e Francisco Mattoso

Eu sonhei que tu estavas tão linda...
Numa festa de raro esplendor
Teu vestido de baile... lembro, ainda,
Era branco, todo branco, meu amor!
A orquestra tocou umas valsas dolentes,
Tomei-te aos braços, fomos dançando, ambos silentes...
E os pares que rodeavam entre nós
Diziam coisas, trocavam juras à meia voz.
Violinos enchiam o ar de emoções
E de desejos uma centena de corações...
Pra despertar teu ciúme, tentei flertar alguém...
Mas tu não flertaste ninguém!...
Olhavas só para mim,
Vitórias de amor cantei,
Mas foi tudo um sonho... acordei!



Luar do sertão
           Toada: Catullo da Paixão Cearense e João Pernambuco

Não há, oh, gente! oh, não!
Luar como este do sertão.
Oh! que saudades do luar da minha terra
Lá na serra, branquejando folha seca pelo chão.
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar do meu sertão.
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata, prateando a solidão.
E a gente pega na viola que ponteia
A canção e a lua cheia a nos nasceu no coração
Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
Abraçado à minha terra e dormindo d’uma vez
Ser enterrado numa cova pequenina
Onde à tarde a sururina chora sua viuvez.
Quando, vermelha, no sertão desponta a lua
Dentro d’alma, onde flutua, também, rubra, nasce a dor!
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
E a nossa dor muda em saudade
Branca... assim..., da mesma cor.


Meu primeiro amor
                    
Guarânia - José Fortuna e Pinheirinho Jr.

Saudade, palavra triste
Quando se perde um grande amor
Na estrada longa da vida
Eu vou chorando a minha dor.
Igual a uma borboleta,
Vagando triste por sobre a flor,
Seu nome sempre em meus lábios
Irei chamando por onde for.
Você nem sequer se lembra
De ouvir a voz de um sofredor
Que implora por seu carinho
Só um pouquinho do seu amor.
Meu primeiro amor
Tão cedo acabou
Só a dor deixou neste peito meu.
Meu primeiro amor
Foi como uma flor que desabrochou
e logo morreu.
Nesta solidão, sem ter alegria,
O que me alivia são meus tristes ais.
São prantos de dor que dos olhos caem
É porque bem sei
Quem eu tanto amei não verei jamais.


Oh! Minas Gerais (Minas Gerais)
                        
José Duduca de Morais e Manoel Araújo

Oh! Minas Gerais
Oh! Minas Gerais
Quem te conhece não esquece jamais.
Oh! Minas Gerais.
Tuas terras que são altaneiras
O teu céu é do mais puro anil
És bonita, ó terra mineira,
Esperança do nosso Brasil!
Tua lua é a mais prateada
Que ilumina o nosso torrão.
És formosa, ó terra enantada,
És o orgulho da nossa nação!
Teus regatos de enfeitam de ouro,
Os teus rios carreiam diamantes
Que faíscam estrelas de ouro
Entre matas e penhas gigantes.
Tuas montanhas são peitos de ferro
Que se erguem da pátria alcantil
Nos teus ares suspiram serestas
És o altar deste imenso Brasil.


Peixe Vivo
        
Diogo Mulero (Palmeira) e Mário João Zandomenighi (Mário Zan)

Zum, zum, zum, lá no meio do mar,
Zum, zum, zum, lá no mei do mar.
É o vento que nos atrasa,
É o mar que nos atrapalha
Para no porto chegar.
Zum, zum, zum, lá no meio do mar...
Como pode o peixe vivo
Viver fora d’água fria?
Como poderei viver,
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia?
Os pastores desta aldeia
Já me fazem zombaria
Por me ver andar, chorando,
Por me ver andar, chorando
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia.
O Rio Jequitinhonha
Corre, de noite e de dia,
Só o tempo é que não corre,
Só o tempo é que não corre,
Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia.
Zum, zum, zum, lá no meio do mar.


Serenô
       
Valsa: Antônio Almeida

Sereno, eu caio, eu caio,
Sereno deixa cair
Seronô de madrugada
Não deixou meu bem dormir.
Minha vida, ai, ai, ai,
É um barquinho, ai, ai, ai
Navegando sem leme e sem luz.
Quem me dera, ai, ai, ai
Ter agora, ai, ai, ai
O farol dos teus olhos azuis.
Vivo triste, ai, ai, ai
Soluçando, ai, ai, ai,
Lamentando o amor que perdi
Porque a lágrima, ai, ai,ai,
É o pranto, ai, ai, ai,
Dos meus olhos que choram por ti.

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