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Otto Lara Resende

Cronologia
Nasceu: 01 de maio de 1922
Faleceu: 22 de dezembro de 1992
Filiação: Antônio de Lara Resende e D. Maria Julieta de Oliveira
Natural de São João del-Rei/MG


Formação
Bacharel em Direito - Universidade Federal de Minas Gerais


Atividades
Jornalista
Professor
Escritor
Funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa.
Cronista dos jornais "O Globo" e "Folha de São Paulo".


Trajetória de vida
Otto era pessimista crônico mas, gostava de piadas.Foi título de uma peça teatral de Nelson Rodrigues intitulada: A Bonitinha mas ordinária ou Otto Lara Resende, apresentada no Teatro Maison de France, Rio de Janeiro, seu nome foi citado 47 vezes na peça.


Otto Lara, Fernando Sabino, Hélio Pellegrini e Mendes Campos formaram um quarteto inseparável, que o próprio Otto definiu como ‘quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse'. Tinham em comum a paixão pela literatura e o sentimento antifascista.


Em 1992, morreu por causa de uma infecção hospitalar contraída durante uma cirurgia de rotina.


Principais obras

O lado humano (1952)
Boca do inferno (1962)
O retrato na gaveta (1962)
O braço direito (1964)
A cilada (1965)
As pompas do mundo (1975)


Fragmento do conto "Vista Cansada"

‘Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isso: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar.


Vê, não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia sem ver.


Parece fácil, mas não é. O que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.


Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia, o porteiro cometeu a descortesia de falecer.


Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa cumprindo o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.


Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia opacos.


É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença'.

 

 

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© Maria Lucia Dornas Belo Horizonte - "Encontro Marcado" - F. Sabino e Otto L. Resende - Maria Lucia Dornas "Encontro Marcado" - F. Sabino e Otto L. Resende
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