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Sanfranciscana Mineira

  • Bonito de Minas - Corredeiras do Rio Cariranha - Acervo/Prefeitura de Bonito de Minas

Aspectos relevantes que influenciaram na formação da cultura regional


Aspectos Físico-geográficos



Relevo
 
Destaque para a Depressão Sanfranciscana, com baixas altitudes que chegam a atingir níveis abaixo do nível do mar. Ressaltam-se, também, planícies intermontanas limitadas pela Serra do Espinhaço e a Chapada do Espigão Mestre, entre Minas Gerais e Goiás.


Encontram-se, ainda, planaltos e serras. Destaque para as serras da Saudade, do Palmital, do Morro Vermelho, do Repartimento, do Cabral, da Extrema, São José, do Bom Sucesso e Pitarana.


Clima
Tropical


Vegetação
Predomina o cerrado que, infelizmente, vem sendo destruído em favor do plantio de eucalipto e carvoarias.


Unidades de Conservação: Parque Nacional Grande Sertão Veredas, Parque Estadual Veredas de Peruaçu e Parque Estadual do Jaíba. 


Hidrografia
Bacia Mineira do Rio São Francisco


Afluentes da margem esquerda:Rio Abaeté, Rio Borrachudo, Rio das Almas, Rio Paracatu,  Rio Urucuia, Rio Peruaçu, Rio Carinhanha


Afluentes da margem direita: Rio Pará, Rio Paraopeba, Rio das Velhas, Rio Jequitaí, Rio Verde Grande, Rio Verde Pequeno


Aspectos Histórico-sociais

Consagrado Rio de Unidade Nacional, o Rio São Francisco liga o Sudeste da Mineração com o Nordeste Açucareiro.


O Vale do Rio São Francisco tornou-se conhecido devido ao estabelecimento de fazendas de gado desde o século 18, como extensão da produção agrícola da cana-de-açúcar na Zona da Mata nordestina. É em suas margens que se dá o início do Ciclo do Gado, que se alastra em direção ao sul.


Os mascates desciam e subiam o rio, comercializando carne e outros alimentos, tecidos e todos os materiais necessários para à sobrevivência dos mineradores, pois, na região da mineração, por imposição da Coroa, só se extraia ouro e diamante. Nada se podia industrializar e nem confeccionar.


“A importância do Rio São Francisco, que vem sendo focalizado há mais de cem anos, teve sua dramática conformação quando a guerra submarina, dificultando as comunicações oceânicas com o norte do Brasil, entregou-lhe o importante papel de traço de união e coesão econômica do país. E a etnografia nascida dessa realidade não pode desinteressar a quantos compreendam a significação da grande artéria fluvial mediterrânea”. (João Dornas Filho)


Hoje, a criação de gado é extensiva, sendo Montes Claros um dos centros de “invernada”. Evidencia-se, entre outros tipos de vegetais, a produção de milho, mandioca e feijão. Apesar de muitos ainda viverem da pesca e do artesanato, essas atividades econômicas perderam seu lugar de destaque devido à industrialização, que provocou, como consequência, a degradação ambiental da região.


“O folclore da região é de uma opulência notável, e, por ser uma zona ecológica de profunda significação na sociologia mineira, precisa ser recolhido, coordenado e interpretado com exação e lucidez”. (João Dornas Filho) Daí, resulta-se o rico artesanato regional, cujas origens remontam às lendas ribeirinhas, à criação do gado e à miscigenação portuguesa, indígena e negra; não  esquecendo  dos  sírios-libaneses .


É típico dessa Região o caboclo sanfranciscano, semelhante ao nordestino em suas características físicas, no seu linguajar, hábitos alimentares e modo de vida. Toda sua cultura foi se sedimentando em torno do Rio e influenciada pela área de mineração.


Na região de São Romão e Januária, um destaque é a história da famosa Maria da Cruz, líder feminina que, no século 18, organizou a comunidade para o trabalho e para se defender contra os desmandos dos líderes governantes portugueses da capital da província, Vila Rica. Ao chegar de Vila Rica, preferiu ser condenada à prisão para evitar uma revolução e muitas mortes, inclusive a de seu filho que liderava os revolucionários em São Romão. Mais tarde, libertada, passou a viver no obscurantismo em terras baianas, devido às influências da política local da qual descendia.


A Região Cultural Sanfranciscana Mineira se destaca pelas Rodas de São Gonçalo, cantorias dos barranqueiros, Encomendações das Almas, festas juninas tradicionais e pelos contadores de causos, encontros das Folias de Reis e Reisados com seus bois da manta, mulinhas de ouro e bichos tamanduás. Esta região corresponde às terras tão bem descritas por Guimarães Rosa em suas obras.


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