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Rio Doce

© Henry Yu Marliéria - Lago - Parque Estadual do Rio Doce - Henry Yu Lago - Parque Estadual do Rio Doce

Bacia 
Rio Doce


Nascentes
Ribeirão do Carmo, Mariana/MG
Rio Piranga, Ressaquinha/MG


O rio Piranga é considerado o principal formador do rio Doce, que recebe esse nome quando do encontro do rio Piranga com o rio do Carmo.


Extensão
853 km


Desaguadouro
Oceano Atlântico – localidade de Regência, Linhares/ES


Principais municípios banhados pelo rio Doce
Em Minas Gerais
Aimorés
Conselheiro Pena
Galiléia
Governador Valadares
Ipatinga
Itueta
Perequito
Resplendor
Tumiritinga


No Espírito Santo
Baixo Guandu
Colatina
Linhares


Principais afluentes
Margem esquerda em Minas Gerais
Piracicaba
Santo Antônio
Suaçuí Grande


Margem esquerda no Espírito Santo
Pancas
São José


Margem direita em Minas Gerais
Caratinga-Cuietê
Casca
Manhuaçu
Matipó


Margem direita no Espírito Santo
Guandu


Limites da bacia
Sul
Bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul


Oeste
Bacia do rio São Francisco, e, em pequena extensão, com a do rio Grande


Norte
Bacia dos rios Jequitinhonha e Mucuri


Noroeste
Bacia do rio São Mateus


Principais peixes do rio Doce
Robalo, traíra, acará, piabanha, morobá, jundiá, curimba, bagre-africano, carpa, tilápia, pitu, cascudo, moréia.


Histórico
Os colonizadores portugueses encontraram a foz do rio Doce em 13 de dezembro de 1501. Como era o dia dedicado a Santa Luzia, o rio ganhou o nome da santa protetora da visão.


Nas primeiras décadas da colonização, o rio Doce se tornou uma via importante para os entradistas que buscavam conhecer o interior da Colônia. Sebastião Fernandes Tourinho, em 1573, foi oficialmente o primeiro a se orientar pelo Santa Luzia para sua expedição em busca de riquezas. Seguir a partir da foz não foi possível, mas, já no interior, a navegação se tornou praticável. Foi nessa época que o largo curso de água passou a se chamar rio Doce.


A certeza inabalável dos tesouros minerais, progressivamente aumentada por estas expedições, sugeriu a famosa exploração de Sebastião Fernandes Tourinho, sobrinho do donatário de Porto Seguro, moço de grandes espíritos. Tomado conhecimento mais completo, e combinando as indicações comuns dos roteiros, deliberou resolver o problema pela diretriz do rio Doce, evitando assim o país dos aimorés, que dominavam a serra e as paisagens de Porto Seguro. Com os elementos de que dispunha, organizou uma tropa de 400 sequazes, bem municiados, e, vindo para a foz do rio Doce, tentou invadi-lo; mas a força da correnteza, em luta com o mar, não só o repeliu, mas causou-lhe danos irreparáveis...buscando as águas navegáveis do Manhuaçu; e deste então passou-se para o rio Doce, entrando por aí em leito apaziguado acima das cachoeiras” (História Antiga das Minas Gerais, Diogo de Vasconcelos, 1974).


Mas o rio não se transformou em uma rota de entrada para a capitania das Minas. Até o século 19, os “Sertões Rio Doce” eram temidos e evitados por causa dos índios botocudos, que formaram uma barreira para o assustador descaminho do ouro e povoamento da região. Na obra História Antiga das Minas Gerais, Diogo de Vasconcelos faz algumas referências à questão:


“[...] Ao povoado que hoje tem o nome de Alvinópolis, arraial que, em outros tempos, foi útil, e serviu de fortaleza para conter os selvagens ferozes do rio Doce.”


O rio Doce era em verdade magnífico e populoso, mas intratável, assim por efeito das febres terríveis, que assaltavam a todo e qualquer ádvena; como dos canibais, acaso mais intolerantes, botocudos ferocíssimos, última expressão dos aimorés decadentes.”


Nas primeiras décadas do século 19, os aguerridos e valentes botocudos foram expulsos de suas terras e dizimados. O desbravamento era feito pelos rios, em canoas, única forma de vencer a mata fechada e as longas distâncias. E foram os canoeiros que deram partida ao comércio, transformando o rio Doce na ligação entre Minas Gerais e Espírito Santo e em uma importante via mercantil.


Mais informações
Cerca de 3,1 milhões de pessoas vivem hoje na bacia do rio Doce, que compreende 230 municípios, sendo 202 mineiros e 28 espírito-santenses. Desses municípios 90% possuem menos de 20 mil habitantes. O Vale do Aço tem o maior adensamento populacional da bacia, e o fluxo migratório direciona-se, sobretudo, para as maiores cidades, como Ipatinga e Governador Valadares. Em decorrência, há uma tendência de diminuição populacional nos municípios com população de até 20.000 habitantes, que representam cerca de 93% dos municípios da bacia do rio Doce.


As nascentes dos formadores do rio Doce estão em altitudes superiores a 1.000 m. Ao longo de seu curso, sobretudo a partir da cidade de São José do Goiabal, o rio Doce segue em altitudes inferiores a 300 m.


A economia da região da bacia do rio Doce está baseada principalmente nas seguintes atividades:


Agricultura
Pecuária de leite e corte, suinocultura, café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros e cacau.


Indústria
Siderurgia, metalurgia, mecânica, química, alimentícia, álcool, têxtil, curtume, papel e celulose.


Mineração
Ferro, ouro, bauxita, manganês, rochas calcáreas e pedras preciosas.


Vegetação na área da bacia do rio Doce
Originalmente coberta por Mata Atlântica, a intensa devastação restringiu o revestimento florístico originário basicamente à área do
Parque Estadual do Rio Doce. As demais matas correspondem a uma vegetação que sofreu influência antrópica intensa, constituindo-se em vegetação secundária. Estima-se que menos de 7% da área possui hoje cobertura vegetal" (FONSECA, 1.983 e 1.985, in UFMG/PADCT, 1.997). Desses, menos de 1% encontra-se em estágio primário. (MITTERMEIER et al., 1982; FONSECA, 1985 - in UFMG/PADCT, 1997).


Segundo pesquisas realizadas pela Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC), 95% das terras da bacia constituem pastos e capoeiras, demonstrando a predominância da atividade pecuária. As espécies mais difundidas na formação de pastagens são o capim-gordura (Melinis minutiflora), em áreas situadas acima da cota altimétrica de 800 m, e o colonião (Panicum maximum), abaixo dessa altitude. As florestas plantadas, constituídas principalmente por espécies do gênero Eucaliptus, são expressivas no médio rio Doce. Quase todos os reflorestamentos pertencem às siderúrgicas Acesita e Belgo Mineira ou à Cenibra; produtora de cultivadas apresentam-se em menores proporções.


Atualmente, existem sete comitês de bacias hidrográficas de rios afluentes do Doce em funcionamento. Seis comitês estão sediados em Minas Gerais, em regiões hidrográficas chamadas Unidades de Planejamento e Gestão (DO1 a DO6), e um no Espírito Santo, onde existem também um comitê em fase de instalação e uma comissão pró-comitê. Eles atuam na gestão das águas, buscando integrar-se ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, de âmbito federal.


Projeto Águas do Rio Doce
Foi criado em outubro de 2004 para sensibilizar e informar os vários segmentos da sociedade da bacia hidrográfica do rio Doce sobre a importância da água como fator determinante do desenvolvimento e da qualidade de vida. Atua na mobilização e articulação de pessoas e instituições e na divulgação de ações e projetos bem-sucedidos, de iniciativas governamentais, não governamentais e privadas.


O Projeto Águas do Rio Doce tem a preocupação de não exercer o papel de outras instituições e não sobrepor ações, mas sim multiplicá-las e ampliá-las. Realiza atividades de informação, educação, treinamento e capacitação, mobilização e sensibilização pública, articulação e marketing, além de estimular o desenvolvimento de pesquisas e trabalhos acadêmicos (
www.aguasdoriodoce.com.br).


Fontes
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce. Disponível em:
http://www.riodoce.cbh.gov.br/bacia/caracterizacao.asp. Acesso em: 14 out. 2008.
Projeto Águas do Rio Doce. Disponível em:
http://www.aguasdoriodoce.com.br/inst_proj_apre.asp. Acesso em: 14 out. 2008.

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