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Soluções

Será que existem soluções para a auto-sustentabilidade do meio ambiente?


A exploração dos recursos naturais pelo homem desde o seu surgimento sobre a face da Terra - uma digressão para reflexões
No cálculo que se tornou clássico na literatura científica popular, o astrônomo Carl Sagan (1934-1996) propôs que se toda a história do universo pudesse ser comprimida em um único ano, os seres humanos teriam surgido na Terra apenas nos últimos 7 minutos destes 160.600 minutos que compõem esse um ano.


Também, nesses sete minutos, a espécie humana agrediu a natureza mais que todos os outros seres vivos do planeta em todos os tempos e continua a fazer isso em um ritmo cada vez mais avassalador. A natureza está agora cobrando a conta pelos excessos cometidos na atividade industrial, na poluição gerada pelo homem, na ocupação humana dos últimos redutos selvagens e na interferência do homem na reprodução e no crescimento dos animais que domesticou.


Desenvolvimento e degradação
O século 20 foi um tempo de grandes possibilidades e esperanças. Foi também o século de maiores riscos para a humanidade. Os avanços na produção industrial trouxeram as maravilhas da modernidade e aprofundaram, produziram e aceleraram várias transformações nas mais diferentes frentes - econômicas, sociais, culturais, políticas e, especialmente, ambientais. Entre as promessas, podem-se destacar as novas tecnologias que despontaram na biologia, na genética, no surgimento de novos tipos de material, na produção de alimentos, nas mais diversas formas de captação de energia, na elevação da produtividade industrial, etc.


Essas promessas, porém, criaram enormes dificuldades, principalmente nos últimos 50 anos do século 20. A denominada Terceira Revolução Industrial, mais que uma profunda transformação técnica, foi o coroamento do processo civilizatório ocidental que buscou incessantemente o aumento da produtividade.


Produtividade esta que se baseou na intensificação da exploração dos recursos naturais acompanhados pelo enorme recrudescimento na escala de impactos ambientais sobre a Terra. Desde 1900, a população mais que triplicou. Sua economia cresceu 20 vezes. O consumo de combustíveis fósseis aumentou 30 vezes, e a produção industrial 50 vezes. A maior parte desse crescimento, cerca de quatro quintos dele, aconteceu a partir de 1950.


Entre os sinais de degradação ambiental mais marcantes, dessa época, destacam-se: a eliminação de florestas, a exaustão e contaminação química, a contaminação e o rebaixamento dos níveis dos reservatórios de águas potáveis, a contaminação dos oceanos, a poluição atmosférica, a depleção da camada de ozônio, a elevação da temperatura global. Fatores que causam a elevação do nível dos mares, transtornos climáticos, diferenciados níveis de poluição ambiental, provocam ainda chuva ácida e eliminam ecossistemas locais, tanto de espécies vegetais como de animais. Enfim, fatores que afetam ou destroem a biodiversidade natural do planeta.


Destacam-se também algumas das perdas irreversíveis, em nível global, que já ocorreram em função dos mecanismos produtivos, utilizados para acelerar e manter os níveis de consumismo e bem-estar de uma "pequena" parcela da civilização ocidental: a cobertura vegetal da Terra foi reduzida de 6 para 4 bilhões de hectares; estima-se que, no final do século 20, restariam apenas 30% do total da diversidade genética que já existiu no planeta Terra. Perdem-se anualmente pela erosão cerca de 7 bilhões de hectares de terras agricultáveis, o que corresponde a 25 bilhões de toneladas de solo arável; de 1969 a 1986 a concentração da camada de ozônio decresceu em 2%, e a temperatura atmosférica, segundo previsões, subirá 0,7 a 1,5 graus Celsius nos próximos anos, o que elevará o nível das águas e aumentará a possibilidade de alterações climáticas. Possivelmente, esses impactos trarão graves catástrofes em um futuro "bem" próximo.


Em escala global, todas essas questões nos remetem a um grave dilema: Será possível adequar a estratégia contemporânea de se viver com o ritmo de exploração dos recursos naturais, ou essa trajetória será a última e derradeira "aventura" da espécie humana na face da Terra?


Os movimentos preservacionistas
Ecologia nos últimos anos está na moda. "Todos" passaram a se considerar amigos das árvores, dos pássaros, de jacarés, do Pantanal, dos mangues, da mata virgem, dos pinguins, etc. Movimentos ambientalistas proliferaram em todas as partes do mundo nas últimas décadas. Nos mais diversos países, sejam eles ricos, sejam eles pobres, a bandeira ecológica passou a ser suprapartidária, e não mais exclusiva dos partidos verdes, como nas décadas de 60 e 70. Com essa mais "nova" bandeira, elegeram-se muitos vereadores, deputados, senadores, entre outros. Em praticamente todos os países do mundo, os movimentos ambientalistas prosperaram significativamente. Há, atualmente, organizações não-governamentais (ONGs) com poderes superiores a de muitos Estados. Algumas se apóiam num exército de advogados e lobistas. Outras, têm milhões de membros, como a Worldwide Fund for Nature (WWF), a National Wildlife Federation (NWF) e a Greenpeace, enquanto outras dispõem de um orçamento anual para questões de proteção ambiental. Segundo Philippe Le Prestre (2000), o número de ONGs internacionais passou de 134, em 1905, para 2.470, em 1970; a 4.700, em 1983, e a mais de 5.000, em 1995. Al Gore, o candidato democrata à Presidência dos EUA, que foi derrotado após uma das mais polêmicas eleições americanas, é um dos ecologistas mais conhecidos no mundo. Outro exemplo foi a importância que o Partido Verde alemão teve na eleição (2002) do primeiro ministro eleito, Gerhard Schröder (Isto é, 2 de outubro de 2002).


As preocupações ambientais se alastraram por todos os campos da vida humana. Desde a pescaria do pescador solitário em épocas da "piracema" até as consequências dos produtos químicos desconhecidos que são jogados em rios onde se encontram as fontes de captação de água das grandes cidades, passando ainda pela extinção de baleias e micos-leões, pela corrida armamentista, pela explosão demográfica e algumas até pelos baixos salários dos operários das grandes fábricas. Tudo que depreda, polui, suja, explora, etc.; mesmo que "pretensamente" em prol do avanço da ciência e ou do bem-estar da sociedade passou, para alguns, a ser considerado um inimigo da natureza. Os movimentos que se agruparam sob a égide do ambientalismo são tantos e com tantos ideais que é impossível considerá-los como um só.


Numa avaliação otimista, muitos cientistas já concordam com o fato de que "é justamente esta dissonância entre a teoria e a prática que caracteriza o ambientalismo como uma nova forma de movimento social descentralizado, multiforme, orientado para formação de redes e de alto grau de penetração". As "chaminés" das indústrias, por exemplo, que até a metade do século 20 eram símbolo de progresso e modernidade, passaram a ser uma ameaça para o meio ambiente não só do "lugar" onde se encontram, mas também para todo o planeta. Essa política ambientalista, muitas vezes, entra em conflito direto com os interesses das comunidades locais, que não percebem o impacto ambiental que os investimentos trarão e vêem apenas a possibilidade de ganhos econômicos.


Com tudo isso, a civilização ocidental parece estar numa difícil encruzilhada. Ou freiam-se o crescimento econômico e o industrial ou se buscam alternativas para conciliar a racionalidade do atual modelo, associado ao nível de bem-estar de sua população pela disponibilidade de bens materiais que dispõe, por meio de um "novo", e ainda em construção, desenvolvimento sustentável.


A escassez dos recursos naturais - como resolver?
Os cientistas já constataram a escassez de recursos naturais, ou seja, não há recursos energéticos nem tampouco recursos naturais suficientes para se manter as indústrias funcionando com a frenética intensidade em todos os lugares do mundo, para atender às necessidades geradas pelos atuais padrões de consumo estabelecidos ou em expansão em todos os países.


Chega-se com isso a um dilema: as sociedades menos desenvolvidas estarão destinadas a permanecer sem acesso aos benefícios da modernidade, que já estão plenamente incorporados ao cotidiano da sociedade dos países ricos. Somente com o surgimento de novas fontes de recursos e de energia serão capazes de conciliar tal trajetória com a "sustentabilidade" de nosso planeta.


Como essa resposta não poderá ser dada com total confiabilidade, pelo menos, num futuro próximo, devem então ser buscadas novas alternativas para enfrentar estes graves problemas. Já está claro hoje que, para solucioná-los, se deve buscar na sociedade de cada país, de cada região, estratégias que vinculem às expectativas de desenvolvimento a disposição de quanto cada comunidade se propõe "a pagar" no que se refere ao uso dos recursos naturais que podem ser por elas apropriados.


Acrescente-se a isso que, antes de qualquer decisão, é fundamental a participação de cada cidadão, para que esse esteja consciente e se mantenha como um aliado nesse processo, tanto no que diz respeito a possíveis utilizações dos recursos que estão disponíveis para sua coletividade como na busca de alternativas para os problemas ambientais que a sua localidade já está enfrentando. É preciso, ainda, considerar que as estratégias de desenvolvimento regional deverão levar em conta tanto a geração humana atual como as futuras.


Por isso, é de total relevância saber se a sociedade está disposta, por exemplo, a serrar suas árvores, poluir seus rios, afetar a saúde de suas crianças, etc., em prol de um desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico, ou se prefere preservar seus recursos para aproveitá-los com outras alternativas menos predatórias, mesmo que, com isso, corra o risco de ficar fora do processo globalizante da produção capitalista desenfreada.


A responsabilidade da sociedade civil
A sociedade civil tem papel importante: unir-se a favor do meio em que vive, de maneira dinâmica, buscando alternativas, propondo um mundo mais humano e desenvolvendo um trabalho coletivo, participativo, sério e produtivo. Com isso, aos poucos poderá ser mudada a forma de pensar das pessoas e, futuramente, teremos uma redução dos problemas ambientais causados pela falta de instrução, de interesse, de informação, de responsabilidade, causados, em síntese, pela falta ou pela inadequação da educação de nossos segmentos sociais.


Essa mudança de entendimento de como resolver os problemas ambientais já começou. Por isso, se cada cidadão contribuir com o pouco do que sabe, e com o que pode, aumentando sua educação e participação social com respeito a essas questões, os problemas serão reduzidos ou eliminados, e novas alternativas de desenvolvimento serão encontradas e adotadas. Os ecossistemas pedem socorro, e os homens, atendendo a esse clamor, viverão cada vez melhor, preservando os recursos naturais para que as próximas gerações possam também usufruir dos benefícios oferecidos por esses ecossistemas.


As ONGs que trabalham com meio ambiente de maneira séria, voltada para o processo de formação e informação para a sociedade, oferecem meios para a realização de atividades voluntárias sobre preservação do equilíbrio ambiental.


Interessar-se pelo meio ambiente é estar atento a tudo que acontece, é conscientizar a população, desenvolver trabalhos em escolas, nas ruas e, principalmente, obter e levar informações às pessoas menos informadas do que vem a ser um meio ambiente ecologicamente equilibrado, de uso comum do povo e que, ao mesmo tempo, é essencial a uma sadia qualidade de vida.


Sociedade civil, contemporaneidade e protagonismo
Sociedade civil organizada, hoje, não é mais aquela velha idéia de segmentos que se organizavam com propósito de influírem nas decisões governamentais. A sociedade mundial, e como não poderia deixar de ser, a brasileira, vem passando por profundas transformações, na medida em que três novos fenômenos vêm cada vez mais influindo na formação dessa sociedade contemporânea. São eles:
A afirmação como ator social de um "novo indivíduo", cidadão, com maior poder e capaz de pensar e decidir pelos seus próprios valores e crenças, ou seja, por sua própria cabeça;


O protagonismo crescente dos cidadãos, mobilizados por uma opinião pública que se informa, delibera, toma posição e influi;


A abertura pela mídia e pelas novas tecnologias de informação, contribuindo para a estruturação de um ambiente inédito para a formação de opiniões, estabelecimento de relações sociais, ampliação da comunicação e debate e adoção de novas posições políticas.


A emergência do indivíduo como ator social
Na sociedade contemporânea, as pessoas tendem a ser mais "inteligentes", "rebeldes" e "criativas" do que no passado, uma vez que são constantemente chamadas a elaborar juízos de valor e a fazer escolhas, quando antes havia apenas conformação a um destino preestabelecido. Essa maior capacidade das pessoas de pensar por si próprias, formular juízos de valor e decidir por si mesmas é consequência da transformação social a que estão submetidas as sociedades modernas. Antes o destino estava predeterminado. Hoje cada um escolhe e constrói o que quer ser mediante múltiplas decisões.


As decisões coletivas adotadas por processos de participação política cada vez mais intensos, organizadas pelas diversas comunidades locais é que serão as norteadoras das soluções para essas graves questões ambientais.


Somente assim poderá, então, existir um verdadeiro desenvolvimento autossustentável.


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