Minas Gerais

História

Senac
  • Logo Senac Minas
  • Hotel Grogotó
  •  

14. Arthur da Silva Bernardes

© Maria Lucia Dornas Viçosa - Monumento a Arthur Bernardes - Maria Lucia Dornas Monumento a Arthur Bernardes

Arthur Bernardes

Arthur da Silva Bernardes

Cronologia
Nasceu: 8 de agosto de 1875
Faleceu: 23 de março de 1955
Filiação: Antônio da Silva Bernardes (português) e Maria Aniceta Bernardes
Natural de Viçosa/MG

Formação
Bacharel em Direito - Faculdade de Direito de São Paulo - 1900

Atividades
Contador
Revisor de jornal
Estafeta
Professor de latim e português
Advogado
Diretor de jornal
Presidente da Câmara de Viçosa - 1906
Deputado Federal - 1909
Secretário de Finanças no governo de Delfim Moreira - 1914 a 1918
Presidente do Estado de Minas Gerais - 1922
Presidente da República - 1922-1926
Senador da República - 1927

Trajetória de vida
Graças ao seu esforço e perseverança, Arthur Bernardes conseguiu o título de bacharel em Direito. Os primeiros estudos foram em Viçosa; ainda adolescente, trabalhava para ajudar sua família. Esteve por dois anos no Colégio Caraça, mas teve de sair da instituição porque o pai não tinha como arcar com as despesas. Quando soube da abertura de um concurso público para o Externato do Colégio Mineiro em Ouro Preto, mudou-se para lá para poder terminar os estudos secundários e se preparar para ingressar na faculdade. Matriculou-se como aluno ouvinte na Faculdade Livre de Direito; posteriormente solicitou fazer as provas finais em segunda época e acabou por conseguir a integração ao segundo ano. Em 1899, transferiu-se para a Faculdade de Direito de São Paulo.

Após a formatura, retornou a Viçosa e deu início à carreira de advogado. Após a morte do pai, assumiu a responsabilidade de sustentar a família. A vida política teve início por influência do sogro, Carlos Vaz de Melo, figura importante na Zona da Mata. Quando o sogro faleceu, em 1904, assumiu o comando político municipal e a direção do jornal "Cidade de Viçosa". A partir daí, ocupou vários cargos públicos até chegar à Presidência do Estado de Minas Gerais e à Presidência do Brasil, com 466.877 votos, ou seja, 56% dos votos válidos.

Nos quatro anos de governo de Arthur Bernardes, o Brasil viveu em estado de sítio. Foi um grande nacionalista, defensor do petróleo brasileiro e da Amazônia. Outra área que Bernardes deu atenção foi a da siderurgia. Na época em que ocupava a Presidência do Estado de Minas Gerais, existia o chamado "Contrato de Itabira", que chamou a atenção da opinião pública que ficaria dividida por quase 20 anos, já que levantava a questão dos futuros caminhos do desenvolvimento brasileiro.

O capital proposto de investimento pelo empresário norte-americano Farquhar era de 80 milhões de dólares. A Itabira Iron proveria tudo: uma moderna ferrovia industrial (e teria sobre ela o monopólio), instalações portuárias e uma linha de navegação. Na realidade, a siderurgia ficaria em segundo plano. Os interesses internacionais estavam no minério de ferro e no manganês, e a instalação da siderúrgica era sempre protelada. O projeto recebeu o veto e uma forte oposição do presidente do Estado, Arthur Bernardes. Na República Velha, os Estados eram "soberanos". Assim, o veto de Bernardes se sobrepunha à aprovação do presidente da República, Epitácio Pessoa. Percival Farquhar tinha interesse na exportação do minério; Bernardes, em construir um "império siderúrgico". Quando Arthur Bernardes chegou à Presidência da República, aumentaram os obstáculos para os planos da Itabira Iron, incluindo uma lei que cobrava 3.000 réis por tonelada de minério exportado. Isso tornava qualquer atividade exportadora proibitiva.

Em 1917, Cristiano Guimarães, Amaro Lanari, Gil Guatimozim, Ovídio de Andrade e Augusto de Lima haviam fundado, em Sabará, a Companhia Siderúrgica Mineira. Quando o rei Alberto I, da Bélgica, visitou Minas Gerais, em 1920, Arthur Bernardes, no seu desejo de criar o "império siderúrgico", propôs ao rei a aplicação de capitais belgas na siderurgia mineira. Assim, a companhia dos engenheiros mineiros foi encampada pela grande aciaria belgo-luxemburguesa - Aciéries Reunies de Bubach-Eich-Dudelange.

Várias crises políticas abalaram o governo de Arthur Bernardes - o movimento de Borges de Medeiros no Rio Grande do Sul; a Revolta de 1924, em São Paulo, e a Coluna Prestes.

Na área social, estabeleceu férias anuais de quinze dias para comerciários, operários e bancários, reorganizou as caixas de aposentadoria e pensão.

A questão de política externa mais importante foi a saída do Brasil da Liga das Nações em 1926.

"Mas a grande marca que ficou do seu governo foi mesmo o "bernardismo": o estado de sítio, a forma vingativa como resolveu as revoltas militares, os casos difíceis no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, seu modo de acertar contas com os opositores de sua candidatura, como Nilo Peçanha e Borges de Medeiros. Símbolo disso tudo foi a criação da casa de detenção de Clevelândia - plena Amazônia -, apontada como "o mais tétrico dos campos de concentração da época", e sua convivência com as prisões e os espancamentos da polícia do Rio de Janeiro, chefiada pelo general Fontoura" (Presidentes do Brasil, Universidade Estácio de Sá, 2002).

Após terminar seu mandato, tomou posse no Senado em 1929. Por causa da sua participação como chefe das forças mineiras na "Revolução de 32", foi preso e exilado em Portugal. Com a convocação da Assembléia Constituinte de 1934 por Getúlio Vargas, Bernardes retornou ao Brasil e foi eleito deputado federal. Perdeu o mandato em 1937 com a instituição do Estado Novo. Em 1946 voltou à Câmara dos Deputados e participou da elaboração da Constituinte de 1946. Sua última legislatura foi a de 1954.

Quando Arthur Bernardes foi presidente do Estado, ele criou em sua terra natal, Viçosa, a Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV), pelo Decreto 6.035, de março de 1922.

Foi casado por quase 52 anos com Célia Vaz de Melo, com quem teve oito filhos. Arthur Bernardes Filho também foi político, ocupou os cargos de deputado federal, senador, vice-governador, delegado brasileiro na ONU, ministro da Indústria e Comércio.

"A defesa de teses nacionalistas, como nos casos da Petrobras, da siderurgia e da Amazônia, fez o povo mudar a imagem terrível que o "bernardismo" lhe havia afixado. Sua atuação na "Revolução de 32" também operou a aproximação de antigos desafetos políticos. Sobre sua adesão ao movimento constitucionalista, Bernardes declarou em manifesto da época: "Quando a mim, fico com São Paulo, porque para lá se transportou a alma cívica do Brasil."(Presidentes do Brasil, Universidade Estácio de Sá, 2002).

Homenagem
Em justa homenagem, seu nome foi dado:
Fundação Arthur Bernardes, Universidade Federal de Viçosa/MG
Casa Arthur Bernardes,Viçosa/MG
Rua Arthur Bernardes, Viçosa/MG
Estação Arthur Bernardes, Bom Despacho/MG
Usina Presidente Arthur Bernardes, Ouro Branco/MG
Rua Arthur Bernardes, Uberlândia/MG
Praça Arthur Bernardes, Araxá/MG
Escola Estadual Dr. Arthur Bernardes, Sete Lagoas/MG
Escola Arthur Bernardes, Ipatinga/MG
Rua Arthur Bernardes, Rio de Janeiro/RJ
Abrigo-Hospital Arthur Bernardes, Rio de Janeiro/RJ
Escola Municipal Arthur Bernardes, Rio de Janeiro/RJ
Centro de Esportes e Lazer Arthur Bernardes, Curitiba/PR
Estação Ferroviária Arthur Bernardes, Ibaiti/PR
Avenida Arthur Bernardes, Curitiba/PR
Rodovia Arthur Bernardes, Belém/PA
Avenida Arthur Bernardes, Cuiabá/MT

Depoimento
"Nunca vi homem mais bravo. De maior bravura cívica. Nunca vi maior devoção à política, à vida pública. É outra coisa que nos vai faltando. A política, a vida pública, é coisa para ser exercida como apostolado e sacerdócio."

Otávio Mangabeira
In: Presidentes do Brasil, Universidade Estácio de Sá, 2002.

 

 

Enviar link