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Teófilo Benedito Ottoni

Teófilo Ottoni


Teófilo Benedito Ottoni


Cronologia
Nasceu: 27 de novembro de 1807
Faleceu: 17 de outubro de 1869
Filiação: Jorge Benedito Otoni e Rosália de Souza Maia
Natural de: Serro


Formação
Curso de guarda-marinha - Academia da Marinha - Rio de Janeiro


Atividades
Professor particular
Aspirante graduado da Marinha
Jornalista
Editor de jornal
Deputado - Assembleia Legislativa Provincial - 1835 e 1839 - Ouro Preto
Deputado - Assembleia Geral - 1838-1840-1845 - Rio de Janeiro
Comerciante
Diretor- Secretário do Banco do Brasil - 1854 / 1861
Fiscal dos acionistas do Banco do Brasil - 1866
Empresário
Deputado - 1863
Deputado e senador (mandatos duplos) - 1864 - Rio de Janeiro
Diretor do Tribunal do Comércio - 1863


Trajetória de vida
"Nunca fui saltimbanco: desde o verdor dos meus anos até hoje estou no mesmo terreno político - continuo como principiei."


Manoel Vieira Ottoni, oficial da casa de fundição da Vila do Príncipe, foi o primeiro Ottoni a se estabelecer no Brasil. Jorge Benedito, pai de Teófilo, era neto do genovês, que, por questões políticas, havia fugido para Portugal. Depois de conseguir a naturalização portuguesa, Manoel se transferiu para o Brasil, em 1724.
Assim começou o ramo brasileiro da família Ottoni descende de uma família genovesa.


Na adolescência,Teófilo conviveu com a euforia da Independência do Brasil. A atmosfera do Serro exalava política. O irmão Cristiano Ottoni escreveu: "O juramento da Constituição e a inauguração da bandeira auriverde, a independência e a liberdade produziram nesta família verdadeira revolução".


A instrução de Teófilo Ottoni começou aos 15 anos com as aulas de latim; aos 16 anos, estudava Humanidades e tinha aulas de francês. As obras de Horácio e Cícero animavam o jovem espírito.


Com a independência política do país, foram desenrolando dentro de mim os novos horizontes que se abriam aos homens ilustrados com o estabelecimento de um governo livre. E [...] meu pai passou-me das lidas comerciais, em que estava me iniciando, para o banco dos estudos intermediários.


Aos 19 anos, Teófilo, junto com o irmão Honório, chegou ao Rio de Janeiro para estudar na Marinha. Dois anos depois, outros irmãos se juntariam a eles. Sobre o assunto, revela Cristiano: "Não era a vocação o que nos levava para a carreira na Marinha: seguimo-la por ser a mais barata, aliás, escolhida por meu pai sem audiência nossa".


Estudar em local que privilegiava sem temor os alunos da elite não foi fácil para os irmãos Ottoni.


Outrora, os filhos dos grandes, inda que idiotas, tinham o direito de assentar praça de guarda-marinha e os descendentes de quatro avós nobres a de aspirantes. Isto, antes mesmo de se matricularem na Academia. Os paisanos, como eu, que não tinham quatro avós nobres, só podiam obter o direito à praça de aspirantes, obtendo aprovação plena, em todas as matérias do 1º ano.


Aluno aplicado e inteligente, passou em 1º lugar. Para complementar o soldo da Marinha, dava aulas particulares. Passou a participar de discussões sobre as ideias liberais em reuniões com Evaristo da Veiga, Diogo Antônio Feijó, Rodrigo Torres, Sales Torres Homem. O contato com a efervescência política do Rio de Janeiro fez com que Teófilo rapidamente se engajasse nas questões políticas.


Para ingressar no jornalismo político, foi um passo; como era menor de 21 anos, tinha de assinar o pseudônimo "Jovem Pernambucano". Era uma demonstração de simpatia com os movimentos rebeldes pernambucanos. Passou também a colaborar com as publicações Astro de Minas, de São João del-Rei, e Eco do Serro, de Tijuco, hoje Diamantina.


Nessa época, Teófilo tem contato com a história da Revolução Americana e os ideais da nova nação. "Estimulada por Rodrigues Torres, a cultura anglo-americana vai tornar-se, em Ottoni, a espinha dorsal de seu sistema político" (CHAGAS, 1978). Daí o motivo de ter escolhido o nome de Filadélfia para a cidade de seus sonhos no Vale do Mucuri, Minas Gerais.


Totalmente envolvido com a política, logo Teófilo sentiu na pele os efeitos de ser um propagandista liberal exaltado; foi-lhe negada a matrícula no curso de engenharia e recebeu a ordem para embarcar para a costa da África e o baixo Amazonas. Era momento de fazer uma opção; os irmãos Teófilo e Honório adquiriram uma tipografia completa e retornaram ao Serro. No dia 4 de setembro de 1830, foi impresso o primeiro exemplar do Sentinela do Serro, um jornal de oposição ao governo imperial. Em abril de 1831, o jornal comemorou a abdicação de D. Pedro I.


Sob a alegação de não ter idade legal, seu nome foi vetado para concorrer à eleição da Câmara Constituinte -Teófilo ainda não tinha 25 anos.


Sabinada na Bahia, Balaiada no Maranhão, Cabanada no Pará, Guerra dos Farrapos e a perda da Província Cisplatina foram movimentos que transformam a década de 1830 em um período conturbado para o País. O jovem serrano defende seu projeto de nação com ideais republicanos. No Código Penal e no Código de Processo de 1832, a defesa da República era crime.


Seu primeiro cargo eletivo foi para deputado da Assembleia Legislativa Provincial no ano de 1835. Foi reeleito para o segundo mandato - 1837-1838. Nesse período, fez planos para a construção de um sistema de transporte, integrando hidrovias, estradas e ferrovias - algo completamente inédito no Brasil.


No final dos anos 1830, retorna ao Rio de Janeiro para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Uma das questões defendidas por Ottoni era a rigorosa fiscalização dos gastos públicos. Um período em que o partido Conservador dominava a política imperial, enquanto os liberais se viam isolados.


Conhecida como Revolução de 1842, o movimento de reação ao poder dos conservadores estourou em São Paulo e em Minas Gerais. Em Minas, o movimento iniciou-se sob o comando de José Feliciano Pinto Coelho. Barbacena, São João del-Rei, Queluz (Conselheiro Lafaiete), Baependi, Cataguases, Aiuruoca, Lavras, Rio Pomba, Santa Bárbara, Caeté, Mendanha e Paracatu são dominadas pelos revolucionários. Portando um salvo-conduto falso, Teófilo Ottoni é perseguido a tiros pela tropa imperial, entrou em Minas e assumiu a posição de um dos chefes do movimento. Caxias, após sufocar a Revolução Paulista, é designado para agir da mesma forma em Minas Gerais.


Três mil revolucionários sitiados em Santa Luzia travaram a última resistência contra Caxias. José Feliciano, com a família e outros chefes, deixou a cidade no dia 19 de agosto. Teófilo assumiu o comando geral; para evitar um verdadeiro massacre, o líder resolveu não resistir - "Honro-me de haver recuado". O saldo final foi de setenta mortos e trezentos feridos.


José Pedro Dias de Carvalho, Pedro e João Gualberto, Antônio Teixeira Carvalho, os padres Manuel e Francisco Ferreira Pais e Teófilo Ottoni foram presos sem resistência. Por mais de um ano, Ottoni esteve preso na cadeia de Ouro Preto e apresentou a própria defesa no julgamento, que aconteceu em Mariana. Foi absolvido por unanimidade. "Toda sua roupa e bagagens foram saqueadas, e junto com todos foi conduzido a pé por sete dias até perto de Ouro Preto, onde ficou preso em uma cela sem ventilação com cinqüenta presos políticos" (MIRANDA, 2007, p. ??).


Dona Carlota Ottoni foi presenteada por José Mariano Pinto Monteiro com a pena que usou para lavrar e subscritar a sentença.


Em 1845, Ottoni e outros revolucionários são eleitos para a legislatura 47/47. Era um momento em que, na Câmara, formou-se uma maioria liberal. Em 1849, um decreto imperial dissolveu a Câmara, e as novas eleições formaram uma Câmara predominantemente conservadora. Ottoni protestou contra as ilegalidades, a violência e o desrespeito à reforma das leis eleitorais de 1846. Decepcionado com os colegas liberais cooptados pelo Estado Imperial, o ex-revolucionário afasta-se da política: "Dispostos a fazer ao poder pessoal mais concessões do que aquelas que eu julgava admissíveis (por isso) retirei-me da política e deixei de estar em comunhão com qualquer partido." "[...] Afastado da política, procurei em outro terreno ser útil ao meu país. Uma idéia grandiosa me assaltava o espírito".


Começaria uma nova fase na vida de Teófilo Benedito Ottoni, o desbravador, o aventureiro e o empreendedor.


Durante doze anos, ele ficou afastado da política e exerceu diversas atividades, como presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro; participou da refundação do Banco do Brasil com Mauá e se entregou totalmente ao projeto de desenvolver o Nordeste mineiro.


Em maio de 1847, consegue aprovação do projeto "Condições para a Incorporação de uma Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri", desenvolvido com o irmão e fiel parceiro Honório Ottoni.

 

A bordo do vapor Princesa Imperial, os irmãos Ottoni, acompanhados de dezoito pessoas, foram do Rio de Janeiro a São José do Porto Alegre, foz do rio Mucuri no Espírito Santo.


Dois anos depois, Honório faleceu; apesar do desgosto e da profunda tristeza por ter perdido o irmão e amigo, os planos tiveram continuidade. Em 1851, a Companhia do Mucuri se concretizou com um capital inicial de 1.200 contos de réis. Seu sonho começa a se concretizar. "Como ele vê no Mucuri a possibilidade de principiar o novo, uma forma de lutar pelos seus ideais [...] ficaria imune à gula centralizadora da Corte e ali poderia construir um laboratório social, e a partir daí, lançá-lo como exemplo para o Brasil" (DUARTE, Regina Horta.2002).


A cidade que iniciou em pleno Mucuri ganhou o nome de Filadélfia. A cidade americana era para Ottoni o símbolo de liberdade de ideias, garantias individuais e prosperidade. Onde foram elaborados e assinados as leis e os documentos da Primeira República do continente americano. A Filadélfia de Teófilo Ottoni foi inaugurada em 7 de setembro de 1853.


Um dos primeiros problemas foi a questão da imigração. Um relatório cheio de improbidades e calúnias acusava a Companhia de ser negligente com os colonos europeus. As denúncias foram investigadas por José Feliciano Mamoré e Dr. Machado Nunes, que inocentaram e até mesmo louvaram o sério trabalho da Companhia do Mucuri.


Os povos indígenas, principalmente os aguerridos botocudos, representavam ameaça para o projeto de povoamento do Mucuri, mas Otoni nunca adotou uma política belicosa contra eles. O pioneirismo do empreendedor também pode ser observado pela aproximação pacífica junto aos povos indígenas do Mucuri. Tentou adotar uma ação de integração oferecendo alimentos e ferramentas.


[...] desenvolveu-se uma prática indigenista inédita, como mostra o Relatório de 1861 ao Presidente da Província do então Diretor dos Índios do Mucuri, Augusto Otoni [...] Para dar-lhes o incentivo que levasse a trabalhar e para guarda-lhes o direito, anunciei a todos os habitantes do distrito que ninguém poderia trabalhar com os índios sem pagar-lhes de jornal uma pataca [...] Outra providência escrupulosa e geralmente cumprida é a proibição de tomar aos índios os filhos para conservar em mal disfarçada escravidão [...] Cuido poder asseverar a V. Excia. Que, do meu distrito e durante minha direção ainda não saiu um indiosinho" (A colonização alemã no Vale do Mucuri, 1993).


Inúmeras eram as dificuldades: índios aguerridos, desconhecimento do clima e da geografia, falta de uma ferrovia e de uma estrada de rodagem, barcos apropriados para navegar no Mucuri, problemas com a Agência Imperial Associação Central de Colonização, que fazia ofertas irreais, provocando a mudança de perfil dos colonos e dos ministros conservadores contrários ao liberal Ottoni.


Sem dinheiro, com empréstimos negados, a Companhia do Mucuri, nascida do sonho do liberal serrano, foi encapada pelo governo. Ottoni depois revelou.


Quando pelas estradas que, engenheiro, administrador e operário, eu tinha improvisado, encontrava aqui a barraca de uma tropa, ali um carro tirado a bestas. Mais adiante outro de bois, carregando fardos de fazendas, que iam chegar a Minas Novas dois meses mais cedo do que pelas velhas estradas. Estava cheia a medida dos meus desejos.


O esforço despendido anos e anos para desbravar o Mucuri causou sérios danos a sua saúde; Teófilo Ottoni estava envelhecido precocemente, doente e falido. Mas nada detinha seu vigor ideológico. Em 1860, escreveu a famosa "Circular aos Eleitores Mineiros". Pedia aos mineiros apoio para a sua candidatura à Câmara dos Deputados. Era hora de retornar à política.


Apesar de os inimigos políticos terem ridicularizado a Circular chamando-o de "César do Mucuri" e "Ditador de Filadélfia", Ottoni venceu as eleições junto com seu irmão Cristiano Ottoni e uma maioria liberal. O programa elaborado por Teófilo foi muito bem acolhido pelos liberais progressistas, que também acreditavam nas ideias:


Tolher, cercear, elidir o Poder Moderador, extinguindo o Conselho de Estado; ampliar as prerrogativas provinciais; democratizar o sistema eleitoral; dar maior liberdade econômica, para propiciar o desenvolvimento da indústria, do comércio e da agricultura; criar uma nova lei hipotecária; abrir a Amazônia para o mundo.


Na tribuna, não poupava críticas ao governo - o abandono da estrada Santa Clara - Filadélfia - Alto dos Bois, o extermínio de povos indígenas, a falta de investimentos para ligar o porto de São José do Alegre com o porto de Caravelas.


Mais uma vez, é eleito para a diretoria do Banco do Brasil, em 1862; no ano seguinte, é eleito para o Tribunal do Comércio. Dos 110 votos, obteve 109.


Uma estátua equestre de D. Pedro I, inaugurada em 1862, serviu de manobra política do governo para fortalecer a tradição monárquica. Os liberais, maioria na Câmara, protestaram e levantaram um questionamento sobre D. Pedro I e a Independência. "A questão é bem grave. Com a inauguração da estátua equestre, se pretende resolver: 1 - A quem deve o Brasil sua Independência proclamada em 7 de setembro de 1822? - e a Constituição jurada em 25 de março de 1824?". Assim questionava Teófilo Ottoni.


Nesse mesmo ano, Ottoni foi eleito senador pelo Mato Grosso para compor a lista tríplice. Mais uma vez, seria preterido.


Em plena luta política, liderando os protestos na Questão Christie, é obrigado a parar de trabalhar para cuidar da saúde debilitada. Sua postura de homem sempre atuante não o deixa ficar totalmente sem atividade. Escreve discursos e artigos para jornais.


No dia 14 de setembro de 1869, fez seu último discurso na Câmara.


O pequeno quinhão que me possa caber em conseqüência dos quarenta anos de vida pública vem a ser que os meus concidadãos reconheçam que tenho servido leal e constantemente à liberdade em meu país. Nunca fui saltimbanco: desde o verdor dos meus anos até hoje estou no mesmo terreno político - continuo como principiei.


Sempre fiel aos seus ideais e sempre coerente aos seus princípios, Teófilo Benedito Ottoni faleceu próximo de completar 62 anos.


Teófilo Benedito Ottoni recusou a condecoração com títulos de realeza, não foi ministro nem conselheiro, nem presidente de província, por incompatíveis com seus princípios. Só ocupou cargos eletivos, como parlamentar, como administrador e empreendedor. A genialidade e o papel singular que Ottoni desempenhou na história de Minas e do país nos momentos de fundação advêm de sua ética e visão de mundo (MIRANDA, Nilmário, 2007).


Foi casado com Carlota Amália de Azevedo com quem teve seu único filho - Teófilo Carlos Benedito Ottoni.


Homenagem
Em sua homenagem, seu nome foi dado:

Cidade de Teófilo Otoni / MG
Avenida Teófilo Otoni / Itaquaquecetuba / SP
Avenida Teófilo Otoni / Itapecerica da Serra / SP
Rua Teófilo Otoni / Belo Horizonte / MG
Rua Teófilo Otoni / Sete Lagoas / MG
Rua Teófilo Otoni / Rio de Janeiro / RJ
Rua Teófilo Otoni / Santo André / SP
Rua Teófilo Otoni / Maceió / AL
Rua Teófilo Otoni / Guarapari / ES
Rua Teófilo Otoni / Mucuri / ES
Escola Estadual Teófilo Otoni / Osasco / SP



Principais obras
OTTONI,Teófilo Benedito. Notícias históricas sobre a vida e poesias de José Eloy Ottoni. Rio de Janeiro. Tip. Imp e Const. de J. Villeneuve e Comp., 1851.


OTTONI,Teófilo Benedito. "Circular" dedicada aos Srs. Eleitores e Senadores pela província de Minas Gerais no quatriênio atual e especialmente dirigida Srs. Eleitores de deputados pelo segundo distrito eleitoral da mesma província para a próxima legislatura. Rio de Janeiro. 1861. In: MIRANDA, Aluízio Ribeiro. Serro: três séculos de história, 1972.


OTTONI,Teófilo Benedito. A estátua eqüestre. Rio de Janeiro. Typ. do Diário do Rio, 1862.


OTTONI, Teófilo Ottoni. Prisão e itinerário de Santa Luzia para Ouro Preto, dos ex-deputados Srs. Dias de Carvalho e Ottoni e de vários outros, intitulados "chefes rebeldes" (escrito na cadeia de Ouro Preto, em 12 de setembro de 1842). Obra reproduzida integralmente no 2º volume do livro cônego Marinho sobre a Revolução Liberal de 1942.


OTTONI, Teófilo Ottoni. Condições para a incorporação de uma Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri, em coautoria com Honório Benedito Ottoni. Rio de Janeiro, 1847. 51 p.


OTTONI, Teófilo Ottoni. Relatórios anuais. Publicados entre 1852 e 1860.


OTTONI, Teófilo Ottoni. O Marquês de Caxias e os prisioneiros de Santa Luzia. Publicado na Atualidade de 24 de agosto de 1861.


OTONNI, Teófilo. Perfis parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados. 1979.


Fragmentos de obras de Teófilo Benedito Ottoni:
"Se tenho horror à guerra civil, mais me assusta ainda o parcelamento do Brasil. Nunca fui separatista. Com o direito das gentes do século atual, a maior das desgraças de uma nação é ser pequena. Por isso, nutri os mais sinceros desejos de que o Rio Grande não se destacasse do governo brasileiro. Ambicionava ver os rio-grandenses livres reforçando o partido liberal, o que seria possível se "se concebesse capitulação honrosa."
In: Circular, 1844.


"Lançado fora desta tribuna por um golpe de Estado revolucionário, qual a dissolução prévia da Câmara de 42, fui expiar nas masmorras. E disso me glorio, a fidelidade com que sorri aos meus princípios e à minha consciência."
In: Perfis Parlamentares, 1979. (Ele faleceu em 1869)


"Em consequência, acreditava que um sistema de generosidade, moderação e brandura não podia deixar de captar-lhes a benevolência. O principal para a execução, ou ao menos ensaio deste sistema, estava em chamar à prática e convivência os filhos da selva, e em convencê-los de que havia com efeito um novo processo de catequese que não empregava a pólvora e a bala, nem tinha por fim roubar-lhes os filhos. Mandando organizar em Minas Novas uma bandeira [...] dei instruções claras para que minha gente não fizesse uso de espingardas senão para defender a vida e que, procurando todos os meios de conferência com os selvagens, se esforçassem por convencê-los com presentes e discursos, que os portugueses (como eles chamavam todos os cristãos) iam mudar de idéia e que todos estávamos efetivamente mansos."
In: Notícia sobre os selvagens do Mucuri, data ??


"A Companhia já attrahiu para as matas adjacentes do NO e sobretudo do SO de Philadelphia uma população considerável. A Capelinha da Graça em 1853 era um curato da freguesia de Minas Novas, com cerca de 3.000 habitantes, e o anno passado foi ellevada a freguesia, com 12.000 habitantes [...] Orço em mais de 20.000 almas o movimento da população attrahida pellas estradas e commercio que a Companhia do Mucury levou aquellas paragens."
In: Relatório apresentado aos acionistas da Companhia, 1859.


"Qual é, porém, o motivo brasileiro que possa explicar a inauguração de uma estátua equestre? Oh! Sim. Querem que ela simbolize uma expiação! O Sr. Dom Pedro I foi destronado no dia 7 de abril de 1831 e os restauradores fazem-lhe, depois de morto, o que não pudesse fazer em sua vida. É a nova coroação de Inês de Castro."
In: A estátua equestre, 1862.


"O pequeno quinhão que me possa caber em consequência dos quarenta anos de vida pública vem a ser que os meus concidadãos reconheçam que tenho servido leal e constantemente à liberdade em meu país. Nunca fui saltimbanco: desde o verdor dos meus anos até hoje estou no mesmo terreno político - continuo como principiei."
In: Perfis Parlamentares - último discurso. Data???



Depoimentos
"Era para mim, estudante, desvanecimento descer e subir a Rua do Ouvidor de braços dados com Teófilo Ottoni. [...] Essa eleição de 1860, pode-se dizer que assinala uma época de nossa história política [...] O povo dirigia-se de uma a outra freguesia capitaneado por Teófilo Ottoni, cujo lenço branco figura constantemente nos epigramas políticos da época. A chapa liberal triunfou toda, Teófilo Ottoni, Otaviano, Saldanha Marinho, e esse acontecimento mostrou a posição de uma revolução pacífica, que tivesse finalmente derrubado a oligarquia encastelada no Senado."
Joaquim Nabuco, s/data



Bibliografia sobre Teófilo Ottoni

ARAÚJO, Valdei Lopes. A Filadélfia de Theófilo Otonni: uma aventura cidadã. Belo Horizonte: Afato, 2003.


CARVALHO, G. de. O revolucionário Ottoni. Belo Horizonte: Literatura, 2000.


CHAGAS, Paulo Pinheiro. Teófilo Ottoni: ministro do povo. Belo Horizonte: Itatiaia, 1978.


DUARTE, Regina Horta. O aventureiro de Filadélfia: Teófilo Ottoni e a conquista do Mucuri. In: Revista Lócus, v. 4, n. 2, 1998.


DUARTE, Regina Horta. Tempo, política e transformação: Teófilo Ottoni e seu lenço branco. In: Estudos Ibéricos-Americanos, Porto Alegre, v. XXVIII, n. 1, p. 101-110, 2002.


FERREIRA, Laís Ottoni Barbosa. Os Ottoni, descendentes e colaterais. Rio de Janeiro: Magnum Editora,1998.


MELO, Olbiano. A ação de Teófilo Benedito Ottoni no cenário político e econômico do Império. São Paulo: Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas, 1958.


MIRANDA, Nilmário. Teofilo Ottoni - A República e a utopia do Mucuri. São Paulo: Caros Amigos Editora, 2007


OTTONI,Carlos Honório Benedito. À memória de Teófilo Ottoni. Editora Agir, 1945.


OTTONI, Christiano. Biografia de Theóphilo Ottoni. Rio de Janeiro: Typographia do Diário do Rio de Janeiro, 1870.


OTTONI, Christiano. Autobiografia. Brasília: Editora da UnB, 1983.


SENA, Nelson Coelho de. Traços biográficos de serranos ilustres, já falecidos, precedidos de um bosquejo sobre a fundação da cidade do Serro. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro: Tomo LXV, 1902.

 

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