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Else Dorotéa Lopes - contadora de histórias de Nova Lima

© Arquivo Pessoal Else Lopes bate um papo com o descubraminas.com - Arquivo Pessoal Else Lopes bate um papo com o descubraminas.com

Ser mineiro é...

Contar histórias em prol de um futuro melhor.

O Descubraminas entra no mundo da literatura e conversa com a professora, contadora de histórias e escritora nova-limense que, de forma lúdica, já mudou a realidade de muitas pessoas.


Por Roberta Almeida

No livro Psicanálise dos Contos de Fadas, Bruno Bettelheim afirma: “Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de contribuições que esses contos dão à vida da criança.” (BETTELHEIM, 2007, p. 20).

De encontro à afirmativa do psicólogo austríaco que estudou a fundo a influência dos contos de fadas no desenvolvimento psicológico e social da criança, a mineira Else Doroteia Lopes exemplifica esse conceito por meio de seus atos e de sua própria experiência. Nascida em Nova Lima, a professora, escritora e contadora de histórias revela que aprendeu a gostar de contos com o pai, ainda na infância, descobrindo o mundo da literatura e se encantando pelas histórias infantis. “Meu pai lia para mim e eu sempre pedia para ele repetir as que eu mais gostava. Foi ele meu grande incentivador”, recorda.

Aos dezoito anos, após concluir o magistério e prestar concurso público, Else começou a lecionar para crianças do primeiro segmento do Ensino Fundamental. Quinze anos depois, foi transferida para a Secretaria de Educação da cidade e a partir daí iniciou um trabalho voluntário em uma creche. Na ocasião, a professora ia semanalmente contar histórias. “Essa experiência foi emocionante. O interessante é que além das crianças, também as serviçais gostavam muito de ouvir as histórias que eu contava”, relembra.

Após 32 anos de dedicação à educação básica, Else aposentou-se, mas não parou por aí. Prestou um novo concurso e começou a trabalhar em uma escola municipal como professora de Literatura Infantil e professora leitora. Além disso, também fez um curso de pós-graduação em Literatura Brasileira. “Meu trabalho de conclusão de curso na especialização foi intitulado: ‘Resgate e Divulgação da Produção Literária de Autores Nova-limenses dos Séculos XVIII, XIX e XX’”. Após longa pesquisa, a escritora decidiu propagar seu trabalho na comunidade e elaborou o projeto “Mina de Cultura”, que tem como objetivo divulgar os escritores de Nova Lima e região.


Trabalho social
Engajada nas questões sociais, a professora também auxiliava adultos. Em 2007, foi convidada para fazer um novo trabalho voluntário na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). “Durante sete anos e meio, trabalhei com os recuperandos a contação de histórias, incentivo à leitura e valorização humana. Eu procurava conciliar a literatura com as experiências vividas por eles, em uma perspectiva de mudança de vida e de incentivo a valores positivos para o retorno à sociedade. Inclusive, por esse trabalho, fui finalista do Prêmio Vivaleitura 2009”, afirma.

Segundo Else, o principal retorno da iniciativa é perceber que os recuperandos gostavam do projeto devido aos comentários posteriores às reuniões. Pelos corredores da instituição, via-os relembrar com saudosismo das suas primeiras professoras e da infância já perdida. “É gratificante quando eu os reencontro fora da reclusão e eles me apresentam esposas e filhos, e dizem: ‘Esta é a professora que contava histórias para mim’”, conta emocionada.

Em 2013, começou a publicar seus poemas e contos e já tem várias antologias no currículo. Dois anos depois, também trabalhou como professora de apoio para crianças com deficiência mental. “Eu contava histórias e incentivava as crianças a lerem. Elas gostavam muito, pois sempre queriam que eu contasse todos os dias e que repetisse as histórias que já tinha contado”, explica.


Contação de histórias
Com uma mala e um baú cheios de bichos de pelúcia, brinquedos e livros, a escritora se prepara para os eventos. À medida que retira os lúdicos objetos, as crianças, que preferem histórias de animais, bruxas, fadas, príncipes e princesas, começam a abrir o sorriso e soltar a imaginação. “Para contar histórias para crianças, é necessário mostrar material concreto”, ressalta. Já para os jovens, a escritora diz que separa aventuras, suspense, contos de terror e lendas. Atenta à terceira idade, a contadora seleciona os contos mais engraçados, anedotas e histórias que eles já ouviram na infância. “A contação de histórias e a recitação de poesias são uma terapia para mim. Acredito que com essas atividades passamos confiança, esperança e amor”, afirma.


Novos Projetos
Atualmente com três projetos em andamento (Mina de Cultura, Clube de Leitura e Nova Lima abraça a PAZ), a escritora promove recitação de poesia, contação de histórias e divulgação da história de sua cidade e seus escritores. Com o “Nova Lima abraça a PAZ”, por exemplo, desenvolvido pela Secretaria de Educação municipal, a escritora prepara alunos de escolas públicas para apresentarem recitação de poesias. Inclusive, a partir de julho, o trabalho chegará a escolas que ainda não tinham sido contempladas em 2015.

Sobre uma possível publicação individual, a escritora lamenta a falta de recursos. “Infelizmente, não é possível viver de literatura. Tenho meu trabalho remunerado como professora e corro atrás de incentivos para publicar meu primeiro livro”. Enquanto isso, a persistente mineira participa de antologias ou coletâneas com poesias, contos e artigos. “Literatura para mim é essencial. Não vivo sem! Só tenho inspiração para escrever devido à minha bagagem de leitura, por ouvir as pessoas e suas experiências pessoais”, relata.


De Nova Lima para o mundo
E tanta dedicação e envolvimento com a literatura já rendem frutos além das montanhas de Minas. A contadora de histórias acaba de participar do Primeiro Festival de Poesia de Lisboa e em 2014 também teve a oportunidade de levar seu trabalho à Espanha, onde lançou, junto a um grupo de poetas mineiros, o “Livro das Aldravias”. Além disso, com uma vasta lista de premiações pelo trabalho que executa, ainda em 2016 a escritora vai acrescentar à sua vasta lista de troféus aos menos mais dois prêmios. “É gratificante saber que sou reconhecida pelo meu trabalho como escritora fora daqui”, afirma orgulhosa.

Ao unir o amor pela literatura e a vontade de ajudar o próximo, Else Lopes é mais um exemplo do que é ser verdadeiramente mineiro. Cheia de vida e entusiasmo, a contadora de histórias nova-limense conta vários pontos quando o assunto é dedicação às causas sociais e disseminação da leitura entre crianças, jovens e adultos. Inspirada pelos pequeninos, a pequena leitora de outrora compartilha o que já aprendeu e incentiva os cidadãos a também passarem adiante o que já sabem.

 


Matéria realizada em 2016

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© Arquivo Pessoal Nova Lima - Arquivo Pessoal
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