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Gastronomia é o maior símbolo de Minas, aponta pesquisa

© Cecília Alvarenga Belo Horizonte - Hora do Cafezinho - Cecília Alvarenga Hora do Cafezinho

Tropeiro, frango com quiabo, broa de fubá e pão de queijo não saem da cabeça dos viajantes que vêm a Minas. Pelo menos é o que apontou a pesquisa Demanda Turística 2017, divulgada em março pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur). De acordo com o estudo, 24% dos entrevistados disseram que ao ouvir o nome do estado são os famosos pratos e quitutes mineiros que vêm à mente, deixando para trás as atrações de BH e até as montanhas.


O resultado da pesquisa não surpreendeu Lucas Pêgo, diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG). Segundo ele, o estado é privilegiado por ter uma culinária diversa. "Além dos ingredientes, temos pratos diferentes, que podem ser degustados no almoço, no jantar e nos lanches, caso do pão de queijo", afirma ele, sobre a grande estrela mineira. Tamanha versatilidade favorece, de acordo com Lucas, a criatividade dos chefs mineiros em grandes festivais gastronômicos no estado. Quem ganha com isso é o público.


E o que não falta são bares e restaurantes por aqui. O estado é responsável por 10% dos estabelecimentos do país, segundo o diretor da Abrasel. Só em Minas, de acordo com a entidade, há 105 mil lugares que servem refeições. "BH oferece 18,6 mil bares, a maior média per capita do Brasil", diz Lucas. Não à toa, a cidade é a Capital Mundial do Boteco, título previsto em lei municipal desde 2009. Muitos desses bares foram apreciados por turistas estrangeiros durante eventos esportivos recentes e importantes como a Copa das Confederações, em 2013, a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, no ano passado.


A grande pergunta que fica é se os visitantes têm deixado a capital com sorriso no rosto ou torcendo o nariz. A resposta é positiva. Segundo o estudo Demanda Turística 2017, quase 90% dos viajantes gostaram do que viram e viveram em terras mineiras. "Prova disso é que nosso perfil de visitante é aquele que sempre retorna ao estado", diz Rafael Oliveira, superintendente de Política do Turismo. Ricardo Faria, secretário de Estado do Turismo, lembra que os visitantes estão ficando mais tempo em Minas. Segundo o estudo, em média, o turista permanece por aqui 8,7 dias, desembolsando 927 reais, sem contar a alta temporada. "Minas Gerais consegue atrair diferentes públicos. Temos produtos e atrações para todos eles", diz Ricardo. Para facilitar a vida dos turistas na busca pelos sabores mineiros, a Setur vai lançar, em junho, o Mapa Gastronômico. "Nele haverá informações sobre eventos e experiências gastronômicas, além de roteiros por regiões para apreciar as delícias de Minas", afirma o secretário.


E o público amante da cerveja também está nadando de braçada no estado. Nos últimos cinco anos, os mineiros passaram a produzir cervejas artesanais ou especiais. Os números definitivos ainda não foram contabilizados, até porque todo dia surge um cervejeiro caseiro - e isso não é força de expressão. Entretanto, o estado pode se orgulhar de abrigar mais de 50 cervejarias, que fabricam mais de uma centena de estilos que envolvem malte e lúpulo. Tamanha movimentação já rendeu a Minas o título de Bélgica Brasileira. "Produzimos cerca de 1,2 milhão de litros por mês. Só perdemos para Santa Catarina", diz Kelvin Azevedo, presidente da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva-MG). No próximo ano, revela Kelvin, BH vai sediar o encontro das Acervas nacionais, o maior evento do setor. Mais uma oportunidade para que turistas retornem ao estado.

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