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Santana do Riacho

Apresentação

  • Santana do Riacho - Cachoeira Grande - Serra do Cipó - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Flor Silvestre - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Cachoeira Grande - Serra do Cipó - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Parque Nacional da Serra do Cipó   - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Rio Cipó - Serra do Cipó - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Cachoeira Véu da Noiva - Serra do Cipó - Henry Yu
  • Santana do Riacho - Flor silvestre - Maria Lucia Dornas
  • Santana do Riacho - Cachoeira da Capivara - Serra do Cipó - Euclides Dayvid
  • Santana do Riacho - Cachoeira da Capivara - Serra do Cipó - Euclides Dayvid
  • Santana do Riacho - Vista na Estrada - Luciana Teixeira Silva
  • Santana do Riacho - Parque Nacional da Serra do Cipó - Luciana Teixeira Silva
  • Santana do Riacho - Paisagem na Estrada - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Paisagem - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Estrada - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Paisagem - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Paisagem - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Flor típica da região - Tropa Serrana
  • Santana do Riacho - Igreja Matriz de Santana do Riacho - Maria Lucia Dornas
  • Santana do Riacho - Praça da Matriz - Maria Lucia Dornas
  • Santana do Riacho - Praça da Matriz - Maria Lucia Dornas
  • Santana do Riacho - Sinalização - Maria Lucia Dornas
  • Santana do Riacho - Paisagem da Serra do Cipó  - Danielli Vargas
  • Santana do Riacho - Lapinha - Distrito de Santana do Riacho  - Fabiana Guimarães Coelho
  • Santana do Riacho - Lagoa da Lapinha - Distrito de Santana do Riacho  - Fabiana Guimarães Coelho

No início de sua ocupação, o atual município de Santana do Riacho era denominado Riacho Fundo. A comunidade local conta, folcloricamente, que este nome e a sua ocupação se deveu a um Bandeirante, que ao parar para descansar próximo a um riacho, o achou fundo e resolveu denominar a região de Riacho Fundo. Este mesmo Bandeirante, por considerar o local farto em riquezas minerais, decidiu explorá-lo acabando por entrar em contato com a civilização indígena. Em um dia de caça, o Bandeirante encontrou-se com um índia e uma criança sozinhas que a acompanhava perdidas. O Bandeirante resolveu ajudá-las, acolhendo as duas. Entretanto, poucos meses depois, a índia morreu, sendo que o Bandeirante teve que cuidar da criança sozinho. A indiazinha cresceu e ambos tiveram várias gerações de descendentes, sendo o início do povoamento da região.


Entretanto, o primeiro registro de exploração da região consta de 22 de maio de 1744, data quando foi concedida ao Sargento-mor Antônio Ferreira de Aguiar e Sá a região do Riacho Fundo, através de uma carta de sesmaria, tornando-se Fazenda Riacho Fundo, pertencente a Comarca de Serro Frio. A propriedade mantinha limites com Sabará, com rio de Pedras, com a propriedade de José de Souza e com a propriedade de João Fragoso, denominada serra da Lapa. O licenciado Antônio Ferreira de Aguiar e Sá foi, pois, o primeiro povoador, reconhecido pela lei, do local onde está hoje a cidade de Santana do Riacho.


U
ma observação deve ser feita com relação à data da sesmaria e o processo efetivo de ocupação do solo. Durante grande parte do século 18 predominou a tendência a ocupar a terra antes do pedido da sesmaria. Era a estratégia do fato consumado, e por isto não é exagero admitir que a ocupação efetiva do território, onde hoje se ergue Santana do Riacho, pode ter se dado antes da data indicada na carta de sesmaria. Acresce-se a isto o fato de outros pontos próximos terem sido ocupados várias décadas antes. Assim foi o que ocorreu com o mais expressivo núcleo urbano surgido na região, durante o século 18, Conceição do Mato Dentro. Já nos primeiros anos daquele século teve início a ocupação do local que se tornou um dos três principais pontos da Comarca do Serro Frio.


Como se percebe, no limiar do século 18, a região em volta da Santana do Riacho já se encontrava conhecida e de certa forma ocupada.  Não é demais insistir no fato de que as datas, mesmo quando expressas nos documentos, apresentam certa margem de imprecisão como no caso da ocupação pelas atividades agro-pastoris, cuja legalização através das cartas de sesmaria só poderia se dar após a ocupação efetiva da terra e no caso da mineração, cujos novos descobertos nem sempre eram comunicados imediatamente após sua ocorrência. Caso típico era o da descoberta dos diamantes que só foi oficializada muito tempo após a descoberta, quando a extração já se processava sem nenhum controle da Coroa.


Logo foi construída a capela local, com provisões que datam 27 de outubro de 1759, ao lado da qual foi-se desenvolvendo um pequeno arraial, vindo posteriormente, como era de praxe para época, denominar-se Distrito de Riacho Fundo, pertencente á freguesia de Conceição do Mato Dentro, Comarca do Serro Frio. No entanto, a lei No 45 de 17 de março de 1836 suprimiu o Distrito de Riacho Fundo, incorporando-o ao território de Morro do Pilar. Após muitas reivindicações locais, em 15 de abril de 1844, através da lei No 271, Riacho Fundo voltou a ser Distrito, entretanto, não mais de Morro do Pilar e sim do Município de Conceição do Mato Dentro. Mais tarde, em 1911, após muitos atritos políticos, criações e revogações de inúmeras Leis, o Distrito de Riacho Fundo passou a pertencer ao Município de Santa Luzia. Em 17 de dezembro de 1938, ao ser criado o Município de Jaboticatubas, pelo Decreto Lei No 148, o Distrito de Riacho Fundo, composto pela Sede do Distrito e suas inúmeras localidades, foi anexado ao novo Município.


No século 18 e primeira metade do século 19, as condições políticas, de assistência a saúde, educacionais e econômicas do Distrito de Riacho Fundo não eram das melhores. A representação política era fraca, não passando de alguns poucos membros no Legislativo Municipal, além de haver um certo descaso do município sede para com o Distrito, sendo que a maioria das decisões eram tomadas por fazendeiros e comerciantes locais. Não havia, também, investimentos em saúde. Os atendimentos eram feitos por voluntários sem nenhuma formação acadêmica profissional, tendo a sua disposição apenas medicamentos caseiros, à base de raízes e folhas. Os partos eram feitos por parteiras, que se tornaram difusamente conhecidas. Não havia condições para fazer atendimentos aos casos mais graves e, como os veículos para locomoção eram cavalos e burros, a maioria dos pacientes evoluía para o óbito devido ao tempo que se gastava para chegar a assistência médica.


Em relação a área da educação, só havia escola na sede do distrito de Riacho Fundo, mesmo assim com funcionamento precário. As famílias com maior poder econômico colocavam a sua disposição pessoas mais estudadas, nem sempre professores, para iniciar a alfabetização de seus filhos. Após esta primeira fase, as crianças iam estudar nos colégios do Caraça, de Conceição do Mato Dentro ou de Macaúbas. Devido a estes fatores, era altíssimo o índice de analfabetismo. A sobrevivência da comunidade era baseada na agropecuária. 


Havia um grande número de pequenos produtores e alguns latifundiários. A maior parte da produção local era de milho, feijão, arroz, farinha, rapadura, algodão, aves e porcos. A criação de gado para o consumo de carne e para produção de leite ficava por conta dos grandes fazendeiros. O comércio tinha o seu ponto forte na sede do sistrito, sendo baseado em trocas de mercadorias. Os produtos comercializados eram cereais, aves, porcos, tecidos, bebidas, utensílios domésticos e de montaria. Os agricultores vendiam sua produção para os comerciantes locais, que muitas vezes eram também mascates, responsáveis pelo escoamento dos produtos para Belo Horizonte. De lá eram trazidos os produtos não produzidos no Distrito.


Um produto local que teve grande representação em outros municípios foi o óleo de mamona, que chegou a ser utilizado na iluminação pública de Ouro Preto, Mariana e Mina de Morro Velho, em Nova Lima. Como já citado anteriormente, o transporte era feito, principalmente, por cavalos e burros. Somente em 1916 é que foi construída uma estrada automobilística através da qual, quinzenalmente, um caminhão dos mascates podia vir ao Distrito. Entretanto, devido as péssimas condições da estrada, o tempo gasto para se chegar a Belo Horizonte chegava a durar até três dias. A população, nesta época, também utilizava de canoas para sua locomoção, nos trechos navegáveis do córrego Riachinho e do rio Parauninha, ambos afluentes do rio Cipó.


Durante 203 anos, deste a construção da Capela local em 1759, o Distrito Riacho Fundo permaneceu sem identidade territorial, sem autonomia, à margem das decisões políticas dos Municípios a que pertencia, sofrendo as dificuldades de um isolamento geográfico. Finalmente, através da Lei No 2.764 de 30 de dezembro de 1962, o distrito de Riacho Fundo foi desmembrado do município de Jaboticatubas e elevado à município de Santana do Riacho. Tão logo se efetivo a emancipação política, foi nomeado pelo Governador da época, para administrar o município, o Sr. Antônio Alves Amora, que permaneceu como prefeito de 01 de janeiro de 1963 a 30 de agosto do mesmo ano. Neste período, realizou-se a primeira eleição através da qual elegeu-se o Sr. José Ferreira Belisário, conceituado empresário local, empossado em 31 de agosto de 1963. Desta data até os dias atuais foram empossados como prefeitos o Sr. Antônio Alves Amora (1967 a 1970), o Sr. Jorgino Tôrres de Aguiar (1971 a 1972), o Sr. João Germano de Lima (1973 a 1976), o Sr. Laerte Batista Marques (1977 a 1982), a Sra. Neide Maria Marques (1983 a 1988), o Sr. José Inácio Filho (1989 a 1992), o Sr. Antônio Geraldo da Silva (1993 a 1996), e o atual prefeito, o Sr. Eustáquio Martins Gomes (1997 a 2000).


Entretanto, ao fazermos esta breve recapitulação da história de Santana do Riacho, estamos ignorando que, na verdade, o povoamento da região ocorreu há centenas e centenas de anos, haja vista os mais de 20 sítios arqueológicos da região. Os sítios arqueológicos localizados nessa paisagem fazem parte da “Grande Região Arqueológica de Lagoa Santa”, situada no planalto de Lagoa Santa e nas escarpas da serra do Cipó, no município de Santana do Riacho. A primeira notícia sobre a existência de sítios arqueológicos e pinturas rupestres data do século 19 e se deve a J. Reis, que passou pela região em 1893. Em 1951, o dentista Josaphat de Paula Penna, localizou um abrigo arqueológico, conhecido pela população como “Lapa dos Gentios”.


No final dos anos 60 e inicio dos anos 70 as lapas vizinhas dos Gentios e da Sucupira foram saqueadas por peões, a serviço de um famoso colecionador de Belo Horizonte, e alguns curiosos começaram a visitar a região. Em 1973, F. Paiva descobriu a “Lapinha do Cipó”, outro sítio arqueológico da região, entretanto, em 1974, os saqueadores devastaram toda a riqueza do local. No entanto, em 1976, graças a uma informação dada pela proprietária do Hotel Veraneio, A . Laming-Emperaire chegou ao “Abrigo de Santana do Riacho”, intacto por estar na propriedade da Companhia Industrial de Belo Horizonte. Desta forma, este sítio arqueológico passou a ser denominado de “Grande Abrigo de Santana do Riacho”. 


Na mesma época estavam ocorrendo prospecções em toda a região, levando a descobrir um total de 28 ocorrências, entre sítios rupestres, aldeias ceramistas a céu aberto ou conjunto de casas subterrâneas, nos municípios de Baldim, Jaboticatubas, Santana do Pirapama e Santana do Riacho. Os estudos da região foram realizados por pesquisadores da UFMG e pesquisadores franceses, sendo que o material recolhido encontra-se no setor de arqueologia da UFMG e no Musée de l’Home de Paris. O “Grande Abrigo de Santana do Riacho” é composto por 7 camadas estratigráfica, no solo, cada uma com uma idade cronológica diferente, aumentando a medida que se aproxima da camada mais profunda, bem como perturbações antrópicas diferentes.


As varias camadas mostram vestígios de civilizações diferentes que viveram no local há mais de 10.000 anos, como carvão produzido por fogueiras, esqueletos humanos e de outros animais, instrumentos utilizados para a sobrevivência, bem como as pinturas rupestres. Na camada mais superficial, que continha vestígios de ocupação até 2.800 anos, o material pré-histórico aflorava misturado a esterco de vacas. A camada imediatamente inferior a primeira, considerada I, data de cerca de 2.800 a 4.500 anos e também era muito rica em material arqueológico, deste instrumentos até ossos humanos. 


A camada II, com cerca de 5.000 a 8.000 anos era a menos caracterizada em termos arqueológicos.  As camadas III e IV, que foram datadas como tendo entre 8.000 a 10.000 anos, foram utilizadas basicamente como um cemitério, apresentando várias fossas para sepultar os mortos. Essas fossas sepulcrais eram extremamente ricas em vestígios arqueológicos. As camadas V e VI, com 10.000 a 12.000 anos, são atravessadas pela base dos sepultamentos mais antigos. Por volta de 11.000 anos, houve o desabamento de uma grande laje que ocupou o centro da parte escavada e serviu de ponto de referencia para os coveiros que trabalharam a partir da camada III. A camada VII, datada como tendo 12.000 a 18.000 anos, mostram indícios de duas civilizações muito antigas, entretanto, a origem humana não pode ser comprovada.


Desta forma, pela análise das camada do terreno pertencente ao “Grande Abrigo de Santana do Riacho”, o homem começou a ocupar a região há aproximadamente 10.000 anos. Um dado interessante é a de que as pintura rupestres não foram feitas através de extratos vegetais e sim a partir de óxidos e hidróxidos de manganês e ferro, ambos presentes na região da serra do Cipó. Além destes, foram também utilizados como pigmento para as pinturas rupestres os fragmentos de ninho de cupim e fragmentos de grafita. Através destes materiais, pode ser obtido diferentes tons de cores, entre os quais, estão o creme, o amarelo claro, o amarelo escuro, a mostarda, a laranja, o rosa, o vermelho claro, o vermelho escuro, o vermelho vinho, o marron e o preto.


A história de Santana do Riacho pode ir muito além da nossa imaginação.

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