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Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem

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A Catedral da Boa Viagem é uma bela obra do neogótico em Belo Horizonte. Os detalhes ornamentais e os jardins fazem desse templo uma verdadeira ilha de paz bem no centro da cidade. 


Em julho de 1894, a comissão construtora da nova capital propôs ao governo a demolição da Igreja Matriz da Boa Viagem. O Presidente de Estado, Afonso Pena, comunicou ao bispo de Mariana a necessidade da demolição e argumentou que a legislação permitia tais ações. Mas, prometeu construir uma nova igreja e que esta seria em estilo “gótico-lombardo”. A questão provocou debates entre o governo e o bispado, que justificava: “fossem feitos primeiro os novos templos para depois demolirem os antigos.” Na realidade, o templo apresenta elementos de outras vertentes do gótico. 


A demolição da velha matriz dos curralenses começou em 1911, usando o pretexto do estado de ruína do templo. No dia 3 de setembro do mesmo ano, aconteceu o lançamento da pedra fundamental para a nova construção. Uma missa campal foi celebrada com a presença dos bispos de Mariana, Diamantina, Campanha e Pouso Alegre.


Como a construção levou mais de uma década, as cerimônias religiosas continuaram a ser realizadas no antigo templo, que somente anos mais tarde foi demolido.


Em 7 de julho de 1921, foi criado pela “Acta Apostólica Sedis” o Bispado de Belo Horizonte que abrangia 20 municípios.  A Matriz da Boa viagem foi indicada para se tornar a catedral do bispado.  


Em 1922, Dom Antônio dos Santos Cabral assumiu a nova diocese. No dia 8 de dezembro de 1923, D.Cabral deu a benção à nova catedral que não estava completamente construída.  A sagração só aconteceu em 15 de agosto de 1932. 


O projeto da igreja foi elaborado pelo arquiteto José de Magalhães que se inspirou no estilo gótico-lombardo.


Na portada da igreja, há um mosaico que mostra um anjo ajoelhado ao lado de Nossa Senhora,  que tem aos seus pés uma nau sobre o mar. Esta é a última obra decorativa executada no templo, datada de 1973. 


Os vitrais foram doados pelo Apostolado da Oração e executados por um artista alemão que residia no Rio de Janeiro.  Nesses vitrais, estão representados os padroeiros que São Pedro Julião Eymard escolheu para venerar: São Miguel Arcanjo, São José, São Pedro, São Paulo e São João Evangelista. Há, também, além das imagens de São Gabriel e São Pio X, a Nossa Senhora portando espigas numa das mãos e o menino Jesus num dos braços segurando o pão, e o profeta Malaquias indicando o globo com hóstias. No medalhão, Pio IX e Pio XII declaram os dogmas de fé a Imaculada Conceição e a Assunção de Maria Santíssima.


Devoção e Iconografia de Nossa Senhora da Boa Viagem

A devoção a Nossa Senhora da Boa Viagem surgiu em Portugal com os homens do mar. Ela era a protetora dos que empreendiam longas viagens para as colônias portuguesas e dos pescadores de bacalhau. A primeira capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem no Brasil foi erguida na Bahia. Alguns estranham uma catedral a Nossa Senhora da Boa Viagem em pleno interior de Minas Gerais. A história da devoção a N.Sra. da Boa Viagem em Minas Gerais também está ligada aos homens do mar.   


Conta-se que a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem pertencia a uma nau portuguesa que chegou ao Brasil em 1709. Seu comandante, Luis de Figueiredo Monterroio, acompanhado de vários marujos, resolveu abandonar a vida marítima e tentar a sorte na Capitania das Minas. Um membro da tripulação, Francisco Homem del Rei, retirou da Nau a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, para que esta os protegesse na longa jornada. Este grupo, ao chegar à região da Minas, teria fixado residência no Curral del Rei, onde ergueram uma capela para abrigar a imagem. Como o local era ponto de passagem dos que traziam mercadorias para a região das minas, a devoção era bem propícia para homens de vida nômade, que sempre estavam empreendendo longas viagens.


Alguns historiadores registram que Francisco del Rei, iniciou, aqui, uma fazenda que se tornou a mais próspera propriedade da região. Daí teria surgido o nome do arraial - Curral d’el Rei.


O Papa Pio XII oficializou Nossa Senhora da Boa Viagem como a padroeira de Belo Horizonte. Sua festa é celebrada no dia 15 de agosto. O ponto alto das comemorações é a “Procissão Luminosa” que percorre várias ruas do centro da cidade.


Na iconografia tradicional, Nossa Senhora da Boa Viagem é representada sobre nuvens, traz a cabeça coberta por véu e coroa, aos seus pés aparecem veleiros no mar. Na mão esquerda, leva o Menino Jesus, que segura uma nau.


A imagem que está no altar mor da Catedral é do século 18, mas apresenta uma iconografia variante. Na base, estão três querubins e a meia lua, o braço direito está sobre o peito e o esquerdo apontando para o alto.   


Lavabo

Nos jardins da Catedral da Boa Viagem, está uma das poucas peças que foram poupadas da demolição da Matriz do Curral d’el Rei. Em 1932, o lavabo foi recuperado e transformado em chafariz. O arquiteto Dario Renault Coelho foi o responsável pela adaptação.


O Lavatório da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem é tombado pelo IPHAN
Registrado no livro de Belas Artes
Inscrição: 456   Data: 01 de julho de 1960.


Uma lenda ligada à Capela da Nossa Senhora da Boa Viagem


O folclorista Saul Martins conta a seguinte lenda:


'No começo do século 17, um português acompanhado pôr três escravos de confiança levava, no lombo de dois burros, 15 arrobas (aproximadamente 200 Kg) de ouro em barras, moedas e jóias. Ele foi perseguido por ladrões quando passava pelo povoado de Curral d’El Rey. Para escapar do bando, ele resolveu enterrar a fortuna num tacho de cobre a 81 passos, em linha reta, contados da entrada principal da capela, em direção ao pico mais alto, à vista, da serra que deu o nome ao arraial. Vendo que não teria como escapar dos ladrões, o português mandou que um dos escravos levasse um mapa do tesouro para sua esposa em Caeté. Segundo a lenda, o português e os dois escravos foram mortos e o tesouro continua até hoje pôr lá. A antiga capela é hoje a Catedral de Boa Viagem!'


“A  Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem


(que lindo nome para um barco à vela!)


foi construída em 1756


por ordem do senhor capitão-mor das Minas


para os povos do Curral del-Rei.


Nesta igrejinha de janelas verdes


eu me batizei.


No mês de Maria enfeitava-se a nave


com folhas de manga


e as meninas cantavam em coro: 


“No céu, no céu, com minha mãe estarei.”


No ano de 1925, o senhor diretor de obras


deitou abaixo a matriz da Boa Viagem


(que lindo nome para um cemitério!)


e construiu, no lugar dela,


uma catedral gótica, último modelo.


Eu achei que foi bobagem


mas o povo de Minas disse que era progresso.'


                          Afonso Arinos de Melo Franco

 


A Cadetral de Nossa Senhora da Boa Viagem é tomabada pelo IEPHA.
Registrada como Conjunto Paisagístico - 1ª Metade Século 20
Inscrição: Decreto nº 18.531  Data: 02 de Junho de 1977.

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