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A antiga Casa da Ópera de Sabará é uma das mais excepcionais construções de Minas Gerais. Hoje, é considerado o segundo teatro mais antigo do Brasil ainda em funcionamento.


No dia 2 de junho de 1819, como parte das festas comemorativas pelo nascimento da Infanta D.Maria I, foi inaugurada a Casa da Ópera de Sabará. Construída por iniciativa particular, essa casa de espetáculos contou também com a colaboração e incentivo da população, atitude que, provavelmente, visava compensar as agruras de uma situação econômica cada dia mais difícil.  É interessante observar que em plena decadência da mineração haviam pessoas interessadas em investir em cultura e entretenimento. As peças apresentadas na inauguração foram: “Maria Teresa, a Imperatriz da Áustria” e “Zelo do Amor “.


O Teatro Municipal de Sabará segue ao estilo luso-brasileiro popularmente chamado na época de “casa da ópera”. Geralmente, eram construções pequenas, influenciadas internamente pela arquitetura dos teatros barrocos italianos. Como todos os teatros desse período, possui três andares com 47 camarotes “que refletem o espírito de uma sociedade rigidamente hierarquizada, que até no teatro impõe a separação de classes. Os espectadores de origem social mais alta ocupam os melhores lugares. As mulheres, quase sempre ausentes, confinam-se nos camarotes, enquanto a platéia, sem nenhum conforto, é reservada apenas para os homens. Os atores são de baixa camada social, negros ou pardos, e as atrizes sobem ao palco tão somente nos últimos anos do século 18. Não há, nesses pequeninos teatros, grandes preocupações com visibilidade e acústica. A orquestra está disposta no mesmo nível da plateia, e músicos com seus instrumentos maiores interceptam a visão dos espectadores acomodados no plano térreo.” (Centro Técnico de Artes Cênicas).


Ainda na parte interna, observa-se que palco e plateia apresentam dimensões semelhantes, uma característica dos teatros italianos. Toda a estrutura e parte decorativa são em madeira, o que causa um aspecto de leveza e graciosidade aos camarotes. O forro é em treliça, material usado para forração das casas e prédios públicos. De fachada simples, externamente o teatro tem o aspecto de um casarão colonial, não sendo uma construção de destaque no conjunto urbano da Rua D. Pedro II.


Em fevereiro de 1831, o Imperador D. Pedro I esteve em Sabará em visita oficial acompanhado por sua esposa, Dona Amélia Leuchtenberg. Na ocasião, o casal imperial participou de uma noite de gala no teatro para o “beija-mão” e a apresentação de uma peça. Seguindo o protocolo, “Vivas” deveriam ser dados ao Imperador, e assim foi feito. Após o brado de “Viva o Imperador D. Pedro I”, houve um momento de silêncio e a resposta veio com o brado do Coronel Pedro Gomes Nogueira - “Enquanto for constitucional!”. Devido a ótima acústica, todo a plateia escutou perfeitamente a frase do Coronel. O episódio ilustrou o desagrado dos brasileiros com as práticas políticas cada vez mais autoritárias do Imperador. Após a visita à Sabará, D. Pedro I deveria continuar sua viagem até o Serro, mas devido as frias recepções pelas vilas que passava, de Sabará retornou ao Rio de Janeiro, poucos meses depois aconteceu sua abdicação.


O
utro episódio que ficou famoso na história do teatro foi uma briga no final de um espetáculo organizado pelo abolicionista Bento Epaminondas em benefício da alforria de escravos. Os abolicionistas foram provocados por um inglês que ocupava o cargo de diretor da Companhia de Mineração de Cocais, o que acabou gerando um grande tumulto na Casa de Ópera.


No século 20, com o advento do cinema, o prédio foi transformado no Cine-Teatro Borba Gato e, depois, veio o abandono. No final da década de 60, o governo estadual deu início às obras de restauração sob a orientação do arquiteto Luciano A. Péret. Em 1970, o teatro foi reinaugurado, passando a ser seu administrador a Fundação Clóvis Salgado. Em 1984, o estado devolveu a administração do teatro ao município.


O teatro possuía um pano de boca pintado pelo artista alemão, professor de pintura de paisagem da Escola de Belas Artes, George Grimm. Precursor da pintura ao ar livre, Grimm pintou a vista de Sabará. A obra, que já estava muito danificada, acabou de se perder nas infiltrações causadas pelas  fortes chuvas de 1982.


O Teatro é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional
Registrado no Livro Histórico
Inscrição: 356
Data: 2 janeiro 1963.

 

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