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Sabará

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

  • Sabará - Forro da nave - Matriz N. Sra. da Conceição  - Robson de Oliveira
  • Sabará - Matriz Nossa Senhora da Conceição - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Det. Matriz N.S. da Conceição - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Matriz de Nossa Senhora da Conceição - Antônio Celso Moreira
  • Sabará - Forro capela lateral - Matriz N. Sra. da Conceição  - Robson de Oliveira

A Igreja Matriz de Sabará possui notável decoração barroca que a torna um dos mais importantes templos setecentistas de Minas Gerais. Chamada pelos sabarenses como Igreja Antiga ou Igreja Grande, é praticamente inexistente a documentação sobre sua construção e sobre artistas que nela trabalharam. A única certeza é a de que as obras tiveram início na década de 10 do século 18.


Arquitetura e decoração
A arquitetura obedece ao padrão arquitetônico das matrizes mineiras – planta retangular e frontispício plano e simples – com duas torres sineiras quadradas e frontão retangular. A exuberância da decoração barroca foi resguardada para o interior. A nave, dividida em três secções, é uma raridade nos templos mineiros no século 18.


As grimpas, elementos de remate das coberturas das torres, são decoradas por uma esfera armilar, instrumento de navegação que virou símbolo do império português: um dragão, um sol e uma lua, símbolos ligados a Maria, que são encontrados no Livro do Apocalipse e no Livro do Cântico dos Cânticos.

 

A nave
As arcadas que dividem a nave central das naves laterais foram finamente decoradas com talha em alto-relevo, mostrando douradas voltas e contravoltas.


O forro da nave em caixotão possui 27 painéis octogonais, que trazem a simbologia mariana presente na Ladainha de Nossa Senhora e nos livros bíblicos – Eclesiastes, Cânticos dos Cânticos, Ezequiel e Apocalipse.


Os púlpitos ostentam  graciosa decoração. a bacia é suportada por rostos angelicais, e cariátides com aparência de adolescente se destacam em cada quina dos tambores dos púlpitos.


Próximo ao batistério, uma imagem chama a atenção do visitante: é a imagem de um Cristo em tamanho natural com os ombros e os cotovelos articulados.


O Arco-cruzeiro
O arco-cruzeiro possui notável talha revestida com douramento. Duas árvores, um púlpito e um poço fazem parte de uma interessante simbologia inserida na decoração. Do lado esquerdo, está uma palmeira fechada, simbolizando Eva e o pecado; abaixo, tem-se um púlpito, o local de onde as palavras de Deus convidam o homem à conversão. Do lado direito, há uma árvore aberta, simbolizando Maria e a redenção da humanidade. Abaixo, um poço que representa Cristo,  a água viva.



A Capela-Mor

A capela-mor é uma obra marcante com talhas rebuscadas e pinturas raras. O retábulo-mor apresenta uma transição dos estilos nacional português para o joanino. A imagem de Nossa Senhora da Conceição, segundo a tradição, veio de Portugal em 1750, mas está descaracterizada, em virtude de sua pintura em cores claras e vivas não condizentes com a policromia da  imaginária do século 18.



O forro da capela-mor em caixotão mostra as seguintes cenas: a morte de Nossa Senhora, assistida pelos Apóstolos; o Menino Jesus sendo banhado pelas santas mulheres; a apresentação do Menino Jesus no templo; a Coroação de Nossa Senhora diante da Santíssima Trindade; a Anunciação do Anjo a Nossa Senhora; a Assunção de Maria, o nascimento de Jesus e a adoração dos pastores; a circuncisão de Jesus.

As paredes laterais são decoradas com painéis emoldurados que seguem o mesmo estilo dos painéis do forro e mostram as cenas – Bodas de Maria, Jesus entre os doutores, Fuga para o Egito, Infância de Maria, Adoração dos Magos, Visita de Maria à sua prima Isabel.


Na parte inferior, quatro painéis trazem a simbologia: do lado direito – a Lua –, um dos símbolos da Imaculada Conceição, encontrado no Cântico dos Cânticos 6,10 “Formosa como a lua...” e no Apocalipse 12,1 “Uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo de seus pés...”. Casa de Ouro é referente a uma das invocações de Nossa Senhora na Ladainha.


Do lado esquerdo, o Sol, que é também um símbolo mariano, e está no Cântico dos Cânticos 6,10 “Resplandecente como o Sol”, mais formosa surgiste que a aurora”. E, no capítulo 12 do Apocalipse, “Vi uma mulher revestida de Sol...”. A Torre de Marfim é uma referência a uma frase da Ladainha de Nossa Senhora.


As portas da sacristia são uma atração à parte e merecem ser observadas com atenção. A porta da direita foi ornamentada com motivos chineses, e a da esquerda, além das chinesices, exibem  casas coloniais.


Capela do Santíssimo

O cômodo que abriga hoje a Capela do Santíssimo apresenta, acima da porta de acesso, um painel dividido em três planos que retratam os anjos do Apocalipse. Ao lado da porta, estão painéis que representam  os novíssimos do homem. Novíssimos, segundo a doutrina cristã, são eventos que constituem a última realidade da vida do homem – morte, juízo, inferno ou paraíso.



O Juízo Final é representado pela figura de Cristo em majestade, envolto em uma túnica vermelha em cima de um globo terrestre. Em uma das mãos, está uma cruz; a outra mão está em atitude de benção. À sua esquerda, estão um homem e um anjo; à direita, um demônio com chifres e asas negras.


O Inferno tem sua representação em uma figura masculina nua, de barba longa, sentada entre as chamas. Seus pés estão acorrentados, e uma serpente envolve o seu corpo. À esquerda, uma figura mais nova segura uma serpente na mão. As figuras à direita estão esmaecidas, não sendo possível  identificar os símbolos que carregam.


O Paraíso traz uma figura feminina com a cabeça erguida, olhos direcionados para o alto, e mãos sobre o ventre. Envolta em nuvens, ela veste uma túnica com manto; a cabeça é embrulhada por um laço.


A Morte foi concebida por duas figuras. Uma figura masculina vestida com um manto está de pé, com a mão na boca em atitude surpresa; a outra mão segura uma vela. Aos seus pés, está um homem seminu, de cujo  corpo saem vermes e pequenos animais.


O último e maior de todas os painéis mostra a cena dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que são descritos no capítulo 6, versículos 1-7. São três figuras masculinas e um esqueleto; cada um monta um cavalo. O primeiro cavaleiro está atirando uma flecha; o segundo tem um elmo e traz, em uma das mãos, uma espada erguida. O terceiro usa um turbante e, em uma das mãos, tem uma balança. Vestindo uma capa, o último cavaleiro tem nas  mãos uma foice. À frente dos cavaleiros, está um homem caído ao chão, trazendo o braço direito sobre a cabeça; acima deles, aparece um anjo que traz na mão direita uma coroa.


A Capela do Santíssimo possui apurada decoração. Sua função original era abrigar a capela mortuária; esse fato pode ser observado pelo forro. Dividido em seis caixotões, todos trazem a figura de uma caveira, símbolo da morte. Em cada um, tem-se uma frase sobre a vaidade e os símbolos de poder. São eles: chapéu com bengala e espada – aristocracia; coroa ducal – duque; coroa real – rei; barrete vermelho – cônego; mitra – bispo; tiara – papa.


A capela também possui um retábulo pintado em vermelho com detalhes dourados, que lembram as chinesices das portas da capela-mor.


Sacristias
As sacristias das igrejas coloniais sempre mereceram atenção especial, com retábulos, pinturas, lavabos e belos arquazes. A Matriz da Conceição possui duas sacristias, onde todos esses elementos estão presentes.



Sacristia da esquerda

Forro –
o tema da pintura é São João Nepomuceno (1340 – 1393), protetor dos confessores. São João aparece sobre o rio Moldávia, que atravessa a cidade de Praga. Em uma das mãos, está a própria língua, cortada por ele com os próprios  dentes, para não revelar ao Rei Wenceslau o que a Rainha Joana lhe relatava no confessionário. Aos seus pés, um anjinho traz os dedos aos lábios em sinal de silêncio; ao fundo, aparece a ponte de onde seu corpo foi jogado.



Lavabo – traz em sua decoração folhas de acanto, guirlandas, golfinhos e máscaras antropomorfas.


Porta-Toalha – nada mais gracioso do que este toalheiro. Seu varal é sustentado por lindos anjinhos de cujos corpos saem  uma peça trabalhada em formas rebuscadas.


Arcaz e Painéis – robusto e muito bem trabalhado, o arcaz dessa sacristia chama a atenção do visitante. Logo acima, estão quatro painéis que trazem pinturas simbólicas:

O Rebento de Jessé – refere-se a uma passagem do Livro do profeta Isaías, “Despontará um rebento do tronco de Jessé, e um renovo brotará da sua raiz”.

 

  • O Sol – a referência está no livro do Apocalipse, “um sinal apareceu no céu: uma mulher revestida de Sol, com uma lua debaixo dos pés“, e no Cântico dos Cânticos, “formosa como alva, brilhante como o Sol. Na cena também aparecem a palmeira de engadi, que significa a grandeza, o triunfo de Maria exaltada sobre todos os coros dos anjos, e a rosa mística, que é um dos títulos da Ladainha de Nossa Senhora.

 

  • A lua, a sarça e o girassol – a lua aparece no Apocalipse e no Cântico dos Cânticos. No livro do Êxodos, há referência da sarça, que ardia no fogo e não se consumia. O girassol é símbolo da fortaleza de Cristo.

 

  • A estrela – cedro do Líbano e vara. Estrela da manhã, uma das invocações da Ladainha, o cedro do Líbano, símbolo de força e da nobreza. A vara com a extremidade florida é a vara de Aarão, que floresce na presença de Deus. Representa também a figura de Maria.

 

Retábulo – é uma bela peça trabalhada com volutas, folhas de acanto, palmas, flores e curiosos anjinhos que usam cocares e colares.


Sacristia da direita 

Forro
Possui pintura que representa a cena da Adoração da Eucaristia. Ao centro, está o ostensório, rodeado por anjos adoradores.


Arcaz e Painéis
Com mais de oito metros de comprimento, esse belo móvel inteiramente (todo) trabalhado em madeira tem, em seus puxadores, a águia bicéfala, símbolo da família dos Habsburgos. Nos painéis acima do arcaz, estão as cenas Lava-Pés, Última Ceia, Entrada de Jesus em Jerusalém e Transfiguração.


Lavabo
Composto por uma peça de madeira toda trabalhada com elementos em alto-relevo e policromada.


A Matriz de Nossa Senhora da Conceição é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional
Registrada no Livro de Belas Artes
Inscrição: 111
Data: 13 de junho de 1938

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